
O Atlético-MG investiu aproximadamente R$ 211 milhões em oito atacantes desde a saída de Paulinho, mas ainda não conseguiu reconstruir o setor ofensivo. Um ano e meio depois do início da reformulação, metade dos jogadores contratados já deixou o clube e a diretoria voltou ao mercado em busca de um centroavante.
Os oito reforços marcaram, juntos, 42 gols pelo Galo. O número é inferior aos 50 gols feitos por Paulinho durante sua passagem por Belo Horizonte. A dificuldade ganhou ainda mais peso depois da saída de Hulk para o Fluminense, que encerrou definitivamente a dupla responsável por grande parte da produção ofensiva do time nas temporadas anteriores.
Hulk e Paulinho marcaram 99 gols em dois anos
Hulk e Paulinho formaram uma das duplas mais produtivas do futebol brasileiro entre 2023 e 2024. Juntos, marcaram 99 gols pelo Atlético: foram 50 de Paulinho e 49 de Hulk durante o período.
Em 2023, Paulinho terminou a temporada com 31 gols, enquanto Hulk marcou 30. No ano seguinte, os dois fizeram 19 gols cada. A dupla também conquistou dois Campeonatos Mineiros e participou das campanhas que levaram o Atlético às finais da Copa do Brasil e da Libertadores de 2024.
Paulinho foi vendido ao Palmeiras no início de 2025, em uma negociação superior a R$ 100 milhões. A partir daquele momento, o Atlético iniciou uma série de contratações para encontrar um novo parceiro para Hulk e preservar o nível ofensivo da equipe.
O resultado, porém, ficou abaixo do esperado.
Veja os atacantes contratados pelo Atlético

Os valores e números de gols foram reunidos em levantamento publicado pelo ge. As cifras se referem às operações de contratação e não incluem necessariamente salários, luvas, comissões e outros custos dos contratos.
Júnior Santos foi a contratação mais cara
O maior investimento do período foi realizado por Júnior Santos. O Atlético pagou aproximadamente R$ 48 milhões ao Botafogo pelo atacante, anunciado em janeiro de 2025.
O jogador, entretanto, marcou somente dois gols em 28 partidas pelo clube. Depois de enfrentar problemas físicos e perder espaço no elenco, retornou ao Botafogo por empréstimo até o fim de 2026, com opção de compra.
Rony foi o reforço com maior produção entre os oito contratados. O Atlético investiu cerca de R$ 38,8 milhões no jogador, que terminou sua passagem com 14 gols em 65 partidas. Apesar dos números superiores aos dos demais reforços, o atacante não se consolidou como substituto de Paulinho e foi vendido ao Santos.

Minda e Cassierra receberam novos investimentos
Mesmo depois das contratações realizadas em 2025, o Atlético voltou a investir no ataque no início de 2026.
Alan Minda chegou do Cercle Brugge por aproximadamente R$ 43,7 milhões. O equatoriano assinou contrato de longa duração, mas marcou apenas três vezes em seus primeiros meses pelo clube.
Mateo Cassierra custou cerca de R$ 42 milhões. O colombiano terminou o primeiro semestre em crescimento e chegou a cinco gols, dividindo a artilharia da equipe com Bernard. Com a saída de Hulk, passou a ser tratado como a principal opção para ocupar o centro do ataque.
Cuello é apontado como o jogador mais regular entre as contratações do período. O argentino custou aproximadamente R$ 36 milhões e marcou nove gols. Sua principal característica, porém, é atuar pelos lados do campo, e não como o centroavante que o Atlético ainda procura.

Atlético volta ao mercado por um centroavante
Mesmo com Cassierra no elenco, o técnico Eduardo Domínguez confirmou que o Atlético procura outro camisa 9. A declaração foi dada depois do empate por 1 a 1 com o Bahia, na retomada do Campeonato Brasileiro após a Copa do Mundo.
O treinador reconheceu que a contratação será difícil. Segundo Domínguez, centroavantes disponíveis no mercado costumam exigir investimentos elevados, enquanto o clube já comprometeu parte importante de seus recursos na janela do início do ano.
A comissão técnica entende que o time consegue criar oportunidades, mas ainda apresenta dificuldades para transformar o volume ofensivo em gols. A chegada de outro atacante seria uma tentativa de aumentar a concorrência e oferecer uma alternativa com características diferentes das de Cassierra.
Domínguez afirmou que confia no trabalho da diretoria e lembrou que a janela brasileira permanecerá aberta até 11 de setembro. O treinador, porém, também procurou reduzir a expectativa por uma contratação de grande impacto e ressaltou que um bom reforço não precisa necessariamente envolver uma operação milionária.
Investimento ainda não trouxe a resposta esperada
Os números mostram o tamanho do desafio enfrentado pelo Atlético. O clube investiu mais de R$ 200 milhões, contratou jogadores com diferentes características e reformulou praticamente todo o ataque, mas ainda não encontrou uma nova referência.
Júnior Santos, Rony, João Marcelo e Biel já não fazem parte do elenco. Cuello, Dudu, Minda e Cassierra permanecem como opções, mas nenhum deles conseguiu assumir o protagonismo que Hulk e Paulinho tiveram durante a melhor fase da dupla.
A comparação mais direta resume o problema: os oito atacantes contratados marcaram 42 gols pelo Atlético. Paulinho, sozinho, fez 50 antes de ser negociado.
Agora, sem Paulinho e Hulk, o Galo inicia uma nova etapa da reformulação. A diretoria precisa encontrar um jogador capaz de elevar imediatamente a produção ofensiva, mas terá de fazer isso em um cenário de menor capacidade financeira e depois de uma sequência de investimentos que ainda não apresentou o retorno esperado.





