Avó e bisavó catavam latinhas para levar joia do Fluminense aos treinos

Aos 16 anos, Jean Carlos assina primeiro contrato profissional, recebe multa de € 60 milhões e desponta como uma das promessas de Xerém

Foto: Site oficial do Fluminense FC

Jean Carlos vive uma realidade que parecia distante nos primeiros anos de sua formação. Hoje, o jovem de 16 anos possui contrato profissional com o Fluminense, acumula títulos pela Seleção Brasileira de base e começa a chamar atenção de páginas estrangeiras dedicadas a novos talentos.

Antes do reconhecimento, porém, sua família precisou enfrentar dificuldades para manter o sonho. A avó e a bisavó do jogador chegaram a catar latinhas para conseguir dinheiro e levá-lo aos treinamentos. Ao mesmo tempo, sua mãe trabalhava para sustentar quatro filhos e também ajudava com os custos necessários para que ele continuasse jogando.

O esforço familiar permitiu que Jean permanecesse no futebol. Agora, considerado uma das principais promessas do sub-17 tricolor, ele tenta retribuir o apoio recebido dentro de campo.

Família sustentou o sonho nos momentos mais difíceis

Jean Carlos falou com emoção sobre a importância de sua bisavó em sua trajetória. Segundo o jogador, foi ela quem o ajudou quando a família atravessava seu período mais complicado.

A bisavó e a avó recolhiam latinhas para levantar recursos e pagar o deslocamento até os treinos. A mãe do atleta também conciliava o trabalho com os cuidados de quatro filhos, sem abandonar o projeto de Jean no futebol.

“Preciso lutar por elas”, resumiu o jovem ao recordar os esforços realizados pela família.

A história ajuda a explicar a ligação que Jean desenvolveu com o Fluminense. O jogador chegou ao clube aos oito anos, em 2018, por meio de uma escolinha ligada ao antigo Projeto Guerreirinhos. Desde então, passou por diferentes categorias da base até alcançar o sub-17.

Primeiro contrato profissional vai até 2029

Em julho de 2026, Jean Carlos assinou seu primeiro contrato profissional com o Fluminense. O vínculo é válido até 20 de junho de 2029 e possui multa rescisória de € 60 milhões, aproximadamente R$ 650 milhões na cotação apresentada pelo ge.

A assinatura representa uma medida de proteção do Fluminense diante da crescente exposição do jogador. Compilações de suas partidas já circulam nas redes sociais e são compartilhadas por páginas estrangeiras que acompanham promessas do futebol mundial.

Apesar do interesse provocado por suas atuações, o primeiro objetivo de Jean é construir uma trajetória no próprio clube. O jovem considera o Fluminense sua segunda casa e diz que passa tanto tempo em Xerém que praticamente apenas visita sua residência.

O desejo imediato é chegar ao elenco profissional e atuar no Maracanã. Jean espera seguir o caminho de outros jogadores revelados pelo Fluminense e conquistar espaço antes de pensar em uma eventual transferência internacional.

Confira a notícia no site oficial do Fluminense. 

Ousadia e personalidade dentro de campo

Jean Carlos atua como meia ofensivo e também pode jogar aberto pelos lados. Canhoto, destaca-se pela velocidade, pelo drible e pela capacidade de acelerar as jogadas em direção ao gol.

O Fluminense também trabalha sua adaptação a uma função mais centralizada. Nessa posição, o jovem atua próximo do modelo de um camisa 10 tradicional, recebendo entre as linhas e participando diretamente da criação das jogadas.

Ao definir o próprio futebol, Jean destaca três características: alegria, ousadia e personalidade. O meia afirma que gosta de driblar, mas procura realizar movimentos que tenham como objetivo concluir a jogada ou criar uma oportunidade para a equipe.

No elenco profissional, suas principais referências são Paulo Henrique Ganso e Lucho Acosta. Jean acompanha os dois meias e alimenta o desejo de futuramente dividir o campo com eles pelo Fluminense.

Jean Carlos na Seleção Brasileira sub-15.

Destaque nas categorias de base

Jean integra o elenco do Fluminense que lidera o Campeonato Brasileiro Sub-17. Sua evolução técnica e os resultados obtidos nas categorias inferiores fizeram com que o jogador também recebesse oportunidades na Seleção Brasileira.

Em 2025, foi convocado para representar o Brasil na Copa Dois de Julho, disputada em Salvador. A Seleção Sub-15 terminou a competição com oito vitórias em oito jogos, 46 gols marcados e apenas dois sofridos. Jean participou diretamente da campanha e foi eleito o melhor jogador do torneio.

O meia marcou durante a fase de grupos e também deixou sua marca na semifinal contra o Bahia. Na decisão, participou da jogada do primeiro gol brasileiro na conquista do tetracampeonato da competição.

Depois, Jean integrou o grupo que conquistou de maneira invicta o Sul-Americano Sub-15. O jogador converteu a cobrança que confirmou o título brasileiro diante da Argentina.

Sonho com a Copa do Mundo de 2030

Mesmo com apenas 16 anos, Jean Carlos já projeta a chegada à Seleção Brasileira principal. O jogador acredita que as experiências nas categorias de base podem abrir o caminho para objetivos maiores.

Seu sonho declarado é disputar a Copa do Mundo de 2030. Jean terá 20 anos quando o torneio for realizado e pretende utilizar as próximas temporadas para se desenvolver em Xerém, alcançar o profissional do Fluminense e continuar presente nas convocações brasileiras.

O meia reconhece que ainda existe um longo caminho até esse objetivo. Por isso, procura tratar o Mundial como consequência do trabalho realizado no clube e nas seleções inferiores.

Jean é um dos personagens do projeto “Geração 2030”, produzido pelo Esporte Espetacular para apresentar jovens jogadores que podem participar do próximo ciclo da Seleção. A produção também inclui Jonathan Marinho, do Bahia, e os gêmeos Vinícius e Samuel, do Atlético-MG.

Xerém protege mais uma promessa

A multa de € 60 milhões demonstra a expectativa do Fluminense em torno do jogador. O clube procura proteger um atleta que já possui projeção internacional, embora ainda esteja em sua primeira temporada com contrato profissional.

O desafio será administrar a evolução de Jean sem acelerar etapas. Aos 16 anos, ele ainda disputa competições de base e passa por um processo de adaptação física, técnica e tática antes de receber uma oportunidade definitiva entre os profissionais.

A história familiar, porém, acrescenta um significado especial a cada conquista. A assinatura do contrato, as convocações e os títulos representam também o resultado do esforço de mulheres que encontraram nas latinhas uma forma de manter o sonho vivo.

A avó, a bisavó e a mãe ajudaram Jean Carlos a chegar aos treinamentos. Agora, a promessa do Fluminense tenta transformar aquele sacrifício em uma carreira construída no Maracanã e, futuramente, com a camisa da Seleção Brasileira.

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