
O Vasco começa nesta terça-feira uma das semanas mais importantes de sua temporada. Às 21h30, o time enfrenta o Boca Juniors na Bombonera, em Buenos Aires, pela partida de ida das semifinais da Copa Sul-Americana. O confronto coloca frente a frente dois clubes tradicionais do continente e vale a possibilidade de chegar à decisão de um torneio internacional, algo que o Vasco não consegue desde o início dos anos 2000. A volta será disputada no dia 20 de outubro, também às 21h30, no Maracanã, com os ingressos destinados à torcida vascaína já esgotados.
Os dois times chegam depois de empates em suas competições nacionais. O Boca ficou no 2 a 2 com o Instituto de Córdoba na última sexta-feira, enquanto o Vasco não saiu do 0 a 0 com o Remo, em São Januário, pelo Brasileirão. O contexto da Sul-Americana, porém, é diferente. A partir de agora são 180 minutos para decidir uma vaga na final, e o primeiro jogo coloca o Vasco diante de um adversário que costuma crescer justamente quando atua em casa em partidas continentais.
O Vasco chegou à semifinal depois de terminar a fase de grupos na segunda colocação do Grupo G. No mata-mata, passou por Independiente Medellín, Olimpia e Independiente Santa Fe. O Boca começou o ano na Libertadores, mas terminou apenas em terceiro em sua chave, atrás de Universidad Católica e Cruzeiro, e caiu para a Sul-Americana. Desde então, eliminou O’Higgins, Recoleta e São Paulo.
Existe ainda um componente histórico que aumenta o tamanho do desafio vascaíno. Boca e Vasco já se enfrentaram 14 vezes, com seis vitórias argentinas, sete empates e apenas uma vitória cruz-maltina. O único triunfo aconteceu há 75 anos, em 1951, quando o Expresso da Vitória venceu por 3 a 0 no Maracanã. Na Bombonera, o Vasco nunca derrotou o Boca.
Vasco precisa sobreviver à Bombonera sem abandonar o próprio jogo
A principal preocupação para Pedro Emanuel está no ataque. Colidio não poderá atuar porque não está inscrito pelo Vasco na Sul-Americana. O argentino ainda consta na relação do River Plate para o mata-mata da competição, situação que impede sua utilização pelo clube carioca nesta fase. Nuno Moreira e Adson disputam a vaga, e os dois foram testados no treinamento realizado pelo Vasco em território argentino.
A tendência é que o restante da estrutura seja mantido. Léo Jardim deve continuar no gol, com Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano formando a defesa. Santiago Sosa e Thiago Mendes aparecem como a base do meio-campo, acompanhados por Lescano, enquanto Andrés Gómez e Bruno Duarte devem permanecer no setor ofensivo. Se Adson for escolhido, o Vasco ganha um jogador com maior capacidade de trabalhar por dentro e participar da construção; Nuno Moreira oferece uma alternativa diferente para atacar os espaços pelos lados.
Pedro Emanuel ainda não contará com Cuesta, Spinelli e Barros, todos lesionados. Mateus Carvalho está em transição física e também fica fora. A ausência de Colidio, no entanto, é a que mais interfere diretamente na forma como o Vasco vinha atacando, porque o argentino se tornou parte importante da movimentação ofensiva da equipe.
O comportamento vascaíno nos primeiros minutos pode determinar bastante o andamento da partida. A Bombonera costuma criar um ambiente de pressão muito forte, principalmente em confrontos eliminatórios, e o Boca provavelmente tentará aproveitar esse período para empurrar o adversário para perto da própria área. O Vasco precisa aceitar que haverá momentos de defesa mais baixa sem transformar o jogo inteiro em uma tentativa de resistir.
Ter saída de bola será especialmente importante. Se recuperar a posse e devolvê-la rapidamente, o Vasco ficará exposto a ondas sucessivas de ataques e permitirá que o Boca mantenha torcida e equipe constantemente envolvidas. Santiago Sosa e Thiago Mendes terão responsabilidade para diminuir esse problema, enquanto os jogadores de frente precisarão oferecer opções para que o time consiga respirar quando recuperar a bola.
Isso não significa que o Vasco precise assumir riscos desnecessários fora de casa. Como a decisão será no Maracanã, sair de Buenos Aires com a eliminatória aberta é um cenário perfeitamente administrável. A questão é encontrar equilíbrio entre controlar os espaços e continuar ameaçando o Boca, evitando um jogo em que Léo Jardim e a defesa sejam obrigados a trabalhar durante praticamente os 90 minutos.
O contexto da partida de volta também pesa nesse planejamento. Depois de uma disputa judicial pelo estádio, o Vasco conseguiu autorização para mandar o segundo jogo no Maracanã. Os ingressos foram esgotados nesta terça-feira, criando a expectativa de casa cheia para a definição da vaga em 20 de outubro.
Boca perde Paredes e precisa reorganizar o meio-campo
O Boca também chega com problemas importantes. O principal desfalque é Leandro Paredes, que sofreu uma lesão na região posterior da coxa direita contra o Instituto e não estará disponível. O volante é uma das referências técnicas da equipe e participou da última Copa do Mundo pela Argentina. Sua ausência obriga Rodolfo Arruabarrena a reorganizar justamente o setor que terá papel fundamental para controlar o ritmo da partida.
Além de Paredes, Marchesín, Tomás Aranda, Tomás Belmonte, Bareiro e Velasco estão lesionados. A formação provável tem Montero no gol; Lozano, Di Lollo, Herrera e Blanco na defesa; Ascacíbar, Delgado e Palacios ou Alarcón no meio; Villa, Merentiel e Leonel Flores no ataque. Apesar das baixas, o Boca mantém jogadores capazes de criar problemas principalmente em transições e jogadas mais diretas.
Merentiel é uma das principais referências perto da área. Villa acrescenta velocidade e capacidade de condução, enquanto Ascacíbar tende a assumir ainda mais responsabilidade no meio sem Paredes. Para o Vasco, impedir que esses jogadores recebam a bola em condições confortáveis será tão importante quanto defender cruzamentos e jogadas pelo alto, recursos que normalmente ganham peso quando o Boca atua na Bombonera.
O retrospecto entre os clubes favorece bastante os argentinos, mas boa parte desses encontros pertence a outros momentos históricos. O último havia acontecido em 2001, pela Copa Mercosul, antes da semifinal desta temporada. Naquele mesmo ano, os clubes também se enfrentaram pela Libertadores, com duas vitórias do Boca. O intervalo de 25 anos torna o duelo atual praticamente um reencontro entre duas instituições que possuem histórias extensas no futebol continental, mas raramente cruzaram seus caminhos nas últimas décadas.
Para o Vasco, a partida representa também a oportunidade de recuperar uma tradição internacional que ficou distante por muitos anos. O clube construiu alguns de seus momentos mais importantes fora do Brasil, incluindo campanhas históricas na Libertadores e na Mercosul. Voltar a uma semifinal continental e enfrentar o Boca dentro da Bombonera coloca a atual equipe diante de um tipo de jogo que o torcedor vascaíno não vivia havia bastante tempo.
A lógica do confronto de ida recomenda equilíbrio. Uma vitória colocaria o Vasco em excelente posição, mas até mesmo um empate levaria a decisão para o Maracanã sem vantagem argentina. Uma derrota curta ainda manteria a eliminatória completamente aberta. O principal risco está em permitir que o Boca construa uma diferença significativa dentro de casa, obrigando o Vasco a jogar a volta sob uma pressão muito maior.
O Boca também sabe que precisa aproveitar o mando. Com o segundo jogo marcado para um Maracanã lotado de vascaínos, os argentinos terão nesta terça-feira a melhor oportunidade para construir vantagem. A ausência de Paredes, porém, reduz algumas das possibilidades de controle da equipe e pode tornar o confronto mais equilibrado no meio-campo.
A semifinal começa em Buenos Aires, mas dificilmente será decidida apenas nesta noite. Para o Vasco, o objetivo passa por competir bem na Bombonera, controlar os momentos de maior pressão e voltar ao Rio de Janeiro em condições reais de decidir a classificação diante de sua torcida.
Boca Juniors x Vasco
- Competição: Copa Sul-Americana, semifinal, ida
- Data: terça-feira, 13 de outubro de 2026
- Horário: 21h30, de Brasília
- Local: La Bombonera, Buenos Aires
- Onde assistir: SBT e Paramount+
- Boca provável: Montero; Lozano, Di Lollo, Herrera e Blanco; Ascacíbar, Delgado e Palacios (Alarcón); Villa, Merentiel e Flores
- Vasco provável: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Santiago Sosa, Thiago Mendes e Lescano; Adson (Nuno Moreira), Bruno Duarte e Andrés Gómez
- Árbitro: Piero Maza, do Chile
- VAR: José Cabero, do Chile




