
O Botafogo conseguiu promover uma redução significativa em seus gastos mensais durante a atual janela de transferências. Com a saída de oito jogadores, o clube economizou aproximadamente R$ 6 milhões por mês na folha salarial, segundo levantamento do ge. A movimentação faz parte de uma reformulação financeira e esportiva conduzida pela nova gestão da SAF.
Antes das mudanças, a folha do elenco girava em torno de R$ 21 milhões mensais. Internamente, o objetivo era aproximá-la dos R$ 15 milhões, meta praticamente alcançada com as negociações de Neto, Newton, Nathan Fernandes, Bastos, Raul, Chris Ramos, Léo Linck e Joaquín Correa.
Botafogo usou vendas, empréstimos e rescisões
A diretoria adotou diferentes estratégias para reduzir o elenco. Newton foi vendido ao São Paulo, enquanto Nathan Fernandes, Chris Ramos e Léo Linck deixaram o clube por empréstimo. Bastos, Neto, Raul e Joaquín Correa tiveram seus contratos rescindidos de maneira amigável. Correa posteriormente acertou com o Estudiantes, enquanto Raul seguiu para o AVS, de Portugal.
O processo ainda não terminou. O Botafogo procura soluções para Ythallo e Caio Roque, que também estão fora dos planos. A intenção é emprestar Ythallo para que o zagueiro tenha mais minutos e encontrar outro destino para Caio Roque, atualmente vinculado ao clube por empréstimo da Portuguesa.
Mantido por 12 meses, o corte atual corresponderia a uma redução bruta de aproximadamente R$ 72 milhões por ano nos custos com os jogadores que saíram. Esse cálculo é uma projeção simples a partir dos R$ 6 milhões mensais informados pelo clube e não representa necessariamente a economia contábil final da temporada.
Clube também trouxe seis reforços
A diminuição da folha não impediu o Botafogo de contratar. Até agora, chegaram Warleson, Gabriel Batista, Lucas Monzón, Paulinho, Domingos Andrade e Danilo Pereira.
A diferença está no perfil financeiro dos novos jogadores. Segundo o ge, a previsão é que o gasto mensal com os seis reforços represente menos da metade dos R$ 6 milhões economizados com as saídas. Ou seja, mesmo considerando as novas contratações, o Botafogo deverá terminar a janela com uma redução relevante em sua folha.
A mudança também representa uma alteração na política de mercado da SAF. Sob o comando do diretor-geral Eduardo Iglesias e com a influência da GDA, nova investidora que se aproxima do clube, o planejamento passou a priorizar jogadores menos badalados, operações de menor custo e maior participação do departamento de scout.
Redução já era planejada desde 2025
O enxugamento não surgiu agora. Ainda em outubro de 2025, a SAF já trabalhava com uma meta de reduzir em pelo menos 30% a folha salarial para 2026, diante das incertezas financeiras e dos altos investimentos realizados anteriormente. Naquele momento, o clube avaliava que algumas contratações caras não haviam apresentado o retorno esperado.
A necessidade ganhou ainda mais importância em 2026. Em abril, quando pediu recuperação judicial, a SAF informou à Justiça um passivo superior a R$ 2,5 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 1,4 bilhão correspondiam a obrigações vencidas ou com vencimento previsto até o fim deste ano. Nos documentos, o próprio Botafogo relatou dificuldades de caixa para manter compromissos correntes.
Nesse contexto, a atual janela representa uma mudança clara de direção. Em vez de apenas buscar reforços, o Botafogo transformou o mercado em uma oportunidade para reorganizar o elenco e principalmente reduzir custos.
A primeira parte da operação já produziu um resultado expressivo: oito saídas, seis reforços e aproximadamente R$ 6 milhões a menos por mês em salários dos atletas negociados.