
O São Paulo encaminhou a permanência de Jonathan Calleri até dezembro de 2028, mas ainda enfrenta um problema urgente fora de campo. Punido pela FIFA com um transfer ban, o clube permanece impedido de registrar os reforços contratados para o segundo semestre.
Calleri e São Paulo chegaram a um acordo sobre as bases financeiras do novo vínculo. A formalização depende da troca dos últimos documentos e da assinatura, que deve acontecer nos próximos dias. Portanto, apesar de a renovação estar acertada, o clube ainda não havia publicado o anúncio oficial até a manhã desta segunda-feira (3).
O novo contrato será válido por duas temporadas, até o fim de 2028, com possibilidade de renovação automática por mais um ano. Para ativar o gatilho até dezembro de 2029, Calleri precisará atuar por pelo menos 45 minutos em 60% das partidas do São Paulo durante a temporada de 2028.
Enquanto resolve a permanência de um dos principais jogadores do elenco, a diretoria tenta levantar aproximadamente € 1,05 milhão, cerca de R$ 6,08 milhões, para pagar uma parcela atrasada da compra de Marcos Antônio junto à Lazio. A pendência provocou a punição aplicada pela FIFA.
Calleri reduziu exigências para permanecer
As negociações pela renovação se arrastaram durante meses e tiveram duas propostas recusadas.
A primeira etapa foi conduzida pelo antigo executivo de futebol Rui Costa. O clube apresentou condições consideradas insuficientes pelos representantes de Calleri. Depois da mudança no departamento, uma segunda oferta também foi rejeitada.
O diálogo avançou com a participação de Rafinha, que passou a exercer uma função na estrutura de futebol do São Paulo. A relação construída pelo ex-lateral com Calleri e com o restante do elenco ajudou a diminuir o desgaste entre as partes.
Calleri demonstrou vontade de continuar no MorumBis e aceitou reduzir sua pedida financeira. O São Paulo, por sua vez, melhorou os valores apresentados anteriormente. A flexibilização dos dois lados permitiu o acordo.
O contrato atual termina em dezembro de 2026. Como entrou nos últimos seis meses de vínculo, o argentino já poderia assinar um pré-contrato com outra equipe e deixar o São Paulo sem pagamento por uma transferência ao fim da temporada. A renovação elimina esse risco e mantém um dos líderes do elenco no planejamento de longo prazo.
Calleri pode permanecer até 2029
A estrutura escolhida para o contrato é semelhante ao modelo conhecido como “dois mais um”.
O período garantido vai até dezembro de 2028. A terceira temporada dependerá da participação do atacante nos jogos do clube durante o último ano do acordo. O gatilho considera apenas partidas nas quais Calleri permaneça em campo por pelo menos 45 minutos.
A cláusula oferece segurança ao jogador, mas também protege o São Paulo caso o rendimento ou a condição física do atacante diminuam. Calleri terá 35 anos no fim de 2028.
O argentino está em sua sexta temporada consecutiva desde o retorno ao clube. Somando também a primeira passagem, em 2016, ele possui 256 partidas, 91 gols e dois títulos: a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa Rei de 2024.
A identificação com a torcida e a liderança no vestiário foram consideradas durante as negociações. Internamente, o camisa 9 é tratado como uma referência para os jogadores mais jovens e uma das figuras centrais do atual elenco.
Dívida com a Lazio provocou transfer ban
O avanço na renovação não resolve o principal problema imediato da diretoria.
O São Paulo deixou de pagar a primeira parcela da compra definitiva de Marcos Antônio. O valor devido à Lazio é de € 1,05 milhão. Diante do atraso, o clube italiano acionou os mecanismos da FIFA e obteve a proibição de novos registros.
Marcos Antônio estava emprestado ao São Paulo desde 2024. O clube adquiriu seus direitos econômicos e formalizou um contrato de longa duração com o meio-campista, mas não cumpriu o primeiro pagamento previsto no acordo com a equipe italiana.
O transfer ban continuará em vigor até que a pendência seja resolvida e a FIFA retire oficialmente a sanção. O São Paulo procura recursos para quitar o valor ou alcançar um entendimento aceito pela Lazio.
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Domingos Duarte e Iago não podem jogar
A punição impede que o São Paulo utilize dois reforços contratados nesta janela: o zagueiro Domingos Duarte e o lateral-esquerdo Iago.
Domingos Duarte já assinou um contrato de duas temporadas, mas não pode ser registrado no Boletim Informativo Diário da CBF. Sem o registro federativo, o português pode treinar com o elenco, porém não está liberado para disputar partidas oficiais.
O defensor foi contratado para substituir Alan Franco, que deixou o clube durante a intertemporada. Sua chegada era uma das prioridades da comissão técnica para o segundo semestre, mas a estreia permanece condicionada à retirada do bloqueio.
Iago enfrenta a mesma situação. O lateral-esquerdo também não pode ser regularizado enquanto o São Paulo permanecer na lista de clubes punidos pela FIFA.
A ausência dos dois jogadores limita as alternativas de Dorival Júnior. O clube aproveita o intervalo sem partidas para tentar resolver a pendência antes do próximo compromisso pelo Campeonato Brasileiro.
São Paulo corre contra o tempo antes de enfrentar o Grêmio
O Tricolor volta a campo no sábado (8), contra o Grêmio, às 16h, pelo Brasileirão. A intenção da diretoria é quitar a dívida e registrar os reforços antes da partida.
O período sem jogos foi considerado uma oportunidade para organizar o pagamento e permitir que Domingos Duarte e Iago fossem integrados ao grupo. No entanto, o clube ainda enfrentava dificuldades de caixa no início desta semana.
Mesmo depois do pagamento, a liberação não é necessariamente automática. A Lazio precisa confirmar o recebimento ou o acordo, e a FIFA deve atualizar a situação disciplinar do clube antes que os contratos possam aparecer no sistema da CBF.
O São Paulo já passou por outros bloqueios recentes relacionados a dívidas em transferências. Em casos anteriores, a sanção foi retirada depois da quitação e da comunicação entre o credor e a FIFA.
Permanência de Calleri representa alívio
O acordo com Calleri resolve uma das principais pendências do planejamento para 2027.
Caso a negociação não avançasse, o São Paulo correria o risco de perder seu principal centroavante sem receber qualquer compensação. As duas propostas recusadas e a diferença financeira entre as partes chegaram a provocar pessimismo dentro do clube.
A intervenção de Rafinha e a disposição do atacante para reduzir a pedida mudaram o cenário. Agora, a diretoria prepara os documentos para anunciar oficialmente a continuidade do argentino.
A renovação, entretanto, contrasta com a situação financeira responsável pelo bloqueio. Ao mesmo tempo em que assegura a permanência de um ídolo, o São Paulo precisa encontrar mais de R$ 6 milhões para colocar reforços já contratados à disposição da comissão técnica.
Calleri deve permanecer no MorumBis até pelo menos 2028. Domingos Duarte e Iago, por outro lado, somente poderão estrear quando a dívida com a Lazio deixar de bloquear os registros do clube.





