Corinthians começa nova janela de transferências com três transfer bans

Clube está impedido de registrar reforços por punições relacionadas a dívidas com o Philadelphia Union, multas da FIFA e atraso em acordo com a CNRD

Osmar Stabile é presidente do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

O Corinthians começa mais uma janela de transferências impedido de registrar novos jogadores. O clube acumula três transfer bans ativos, dois aplicados pela FIFA e um determinado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, ligada à CBF.

Esta é a segunda janela consecutiva iniciada pelo Corinthians com restrições para inscrever reforços. O período de contratações do futebol brasileiro foi aberto nesta segunda-feira, 20 de julho, e seguirá até 11 de setembro. Sem a retirada das punições, o clube pode negociar com jogadores, mas não pode registrá-los para disputar competições oficiais.

A situação afeta diretamente o planejamento do departamento de futebol. O Corinthians conversava com possíveis reforços, entre eles o atacante Wesley e o volante Arthur, mas as negociações dependem da resolução das pendências financeiras.

Dívida pela contratação de José Martínez

O primeiro transfer ban ativo foi aplicado pela FIFA em maio, por causa de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, relacionada à contratação do volante José Martínez.

O valor cobrado é de aproximadamente US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,7 milhões na cotação informada quando a punição foi anunciada. O jogador foi contratado pelo Corinthians em agosto de 2024, mas o clube pagou apenas parte do acordo firmado com a equipe norte-americana.

A punição pode impedir o Corinthians de registrar jogadores por até três janelas. A sanção poderá ser retirada caso o clube regularize o pagamento reconhecido pela FIFA.

Multa envolve três negociações

O segundo bloqueio da FIFA foi aplicado em julho, após o Corinthians não pagar uma multa disciplinar de US$ 225 mil, aproximadamente R$ 1,15 milhão.

A penalidade está relacionada a atrasos em obrigações financeiras de três negociações:

Segundo o ge, a diretoria decidiu não pagar a multa naquele momento para priorizar os salários e outras obrigações com o elenco. A punição foi estabelecida por prazo indeterminado, até que as pendências exigidas sejam regularizadas.

Atraso em parcela da CNRD gera terceiro bloqueio

O terceiro transfer ban foi determinado pela CNRD após o atraso da quinta parcela de um plano coletivo de pagamento aos credores do Corinthians.

A prestação vencida tem valor próximo de R$ 8 milhões. Como o clube já havia atrasado parcelas anteriores, a nova punição foi aplicada por reincidência e impede o registro de jogadores pelo período de seis meses.

O plano da CNRD foi homologado em 2025 e prevê o pagamento de aproximadamente R$ 76 milhões a clubes, jogadores, empresários e outros credores. As parcelas foram organizadas para pagamento trimestral durante seis anos.

Em atrasos anteriores, o Corinthians conseguiu quitar prestações depois do vencimento. Mesmo assim, a Câmara manteve temporariamente a proibição de registrar atletas por entender que o clube havia descumprido as condições do acordo.

Corinthians tem pouca margem para buscar reforços

Os três bloqueios deixam o Corinthians com poucas possibilidades de reforçar o elenco nesta janela. Além das dívidas que provocaram as punições, o clube enfrenta dificuldades para manter em dia outros compromissos financeiros.

A diretoria também tenta regularizar direitos de imagem referentes ao mês de junho. Sem previsão de uma entrada significativa de dinheiro, a possibilidade de solucionar todas as pendências em curto prazo é considerada pequena nos bastidores do clube.

Uma das possíveis exceções envolve Memphis Depay. O contrato do atacante termina em 31 de julho, e uma eventual permanência poderia ser registrada como extensão de um vínculo já existente, e não como uma nova contratação. O jogador e o clube discutem as condições de uma possível renovação.

Negociações ficam ameaçadas

Antes do terceiro transfer ban, o Corinthians trabalhava para avançar nas conversas pelo atacante Wesley, do Al-Nassr, e pelo volante Arthur. A diretoria esperava derrubar as punições da FIFA para conseguir registrar os jogadores.

Com a nova sanção da CNRD, o cenário ficou mais difícil. Mesmo que o clube resolva as duas pendências internacionais, ainda precisará lidar com o bloqueio nacional.

O Corinthians poderá vender ou emprestar jogadores durante a janela. O problema está na reposição das possíveis saídas, já que nenhum reforço poderá ser inscrito enquanto os transfer bans permanecerem ativos.

A situação repete um problema enfrentado pelo clube no início de 2026. Naquela ocasião, o Corinthians precisou pagar cerca de R$ 33,4 milhões ao Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres, além de antecipar uma parcela do acordo da CNRD para voltar ao mercado. Depois da liberação, sete reforços foram registrados.

Agora, porém, o Corinthians começa uma nova janela com três punições simultâneas, dificuldades de caixa e poucas perspectivas de regularizar todas as pendências rapidamente.

 

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