Corinthians se divide internamente pela renovação de Memphis Depay

Departamento de futebol defende permanência do holandês, enquanto dirigentes e aliados políticos pressionam o presidente Osmar Stabile contra um novo contrato

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A renovação de Memphis Depay virou motivo de divisão nos bastidores do Corinthians. Enquanto o departamento de futebol é favorável à permanência do atacante, dirigentes e grupos políticos do Parque São Jorge pressionam o presidente Osmar Stabile para que o clube não assine um novo vínculo com o holandês.

Segundo informações do ge, divulgadas nesta sexta-feira (7), a decisão está concentrada nas mãos de Stabile. O presidente precisa administrar não apenas os aspectos esportivos e financeiros da negociação, mas também o impacto político de uma eventual renovação.

O executivo de futebol Marcelo Paz e o técnico Fernando Diniz estão entre os defensores da permanência de Memphis. A avaliação do departamento é de que o atacante continua sendo importante tecnicamente para o elenco, especialmente em um momento em que Yuri Alberto está lesionado e o Corinthians se prepara para disputar as oitavas de final da Libertadores.

Diniz, inclusive, já manifestou publicamente o desejo de trabalhar com o holandês. Após a eliminação do Corinthians para o Internacional na Copa do Brasil, o treinador afirmou acreditar que a negociação esteja próxima de uma conclusão positiva.

Pressão política contra Memphis

Fora do departamento de futebol, porém, a situação é diferente.

De acordo com o ge, importantes aliados políticos de Osmar Stabile são contrários à renovação e teriam indicado que podem retirar apoio ao presidente caso um novo contrato seja assinado. O cenário ganha ainda mais peso pela proximidade da eleição presidencial do Corinthians, prevista para o último trimestre de 2026.

Entre os argumentos apresentados pelos grupos contrários à permanência estão o elevado custo da operação, o histórico recente de problemas físicos do atacante e a delicada situação financeira do clube.

Apesar dessas preocupações, Memphis passou pelos exames médicos realizados pelo Corinthians nesta semana e foi aprovado.

A renovação também não seria unanimidade no elenco. Segundo o colunista Samir Carvalho, do UOL, alguns jogadores demonstraram internamente resistência à continuidade do camisa 10, em meio também aos atrasos de direitos de imagem enfrentados pelo grupo.

Dívida de R$ 42 milhões é outro problema

Além da disputa política, Corinthians e Memphis ainda discutem detalhes jurídicos relacionados à dívida do clube com o jogador.

O valor atualmente citado nas negociações é de aproximadamente R$ 42 milhões, referente a compromissos do contrato anterior. O novo acordo prevê o parcelamento dessa quantia, mas os representantes do holandês exigem garantias contra novos atrasos.

Um dos principais pontos em discussão é uma cláusula que determina que, caso o Corinthians deixe de pagar uma das quatro parcelas previstas, o saldo restante possa ser cobrado de uma só vez, acrescido de juros e multa.

Os representantes de Memphis querem a proteção diante do histórico recente de atrasos. O Corinthians, por outro lado, resiste ao dispositivo e admite internamente que sua situação financeira pode provocar dificuldades para manter todos os pagamentos rigorosamente dentro dos prazos.

Memphis já aceitou contrato menor

A duração do contrato também havia provocado divergências durante as negociações. Memphis inicialmente buscava um vínculo por três temporadas, enquanto o Corinthians defendia dois anos.

O jogador acabou aceitando a proposta de dois anos e também concordou com uma redução significativa em sua remuneração em relação ao contrato anterior. Parte dos ganhos poderá estar ligada a ações comerciais e de marketing.

Mesmo assim, a assinatura continua pendente.

Memphis retornou ao Brasil nesta semana, realizou os exames solicitados pelo clube e acompanhou da Neo Química Arena a vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, resultado insuficiente para evitar a eliminação corintiana na Copa do Brasil.

Agora, os advogados das duas partes seguem discutindo a redação final do contrato, enquanto Osmar Stabile avalia as consequências financeiras e políticas da decisão.

Por enquanto, não existe uma data oficial para o fim da novela.

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