
O Cruzeiro celebra nesta quinta-feira, 30 de julho, os 50 anos de sua primeira conquista da Copa Libertadores. Em 1976, o clube mineiro venceu o River Plate por 3 a 2 no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, e alcançou o topo da América pela primeira vez.
Para marcar o cinquentenário, o clube publicou homenagens aos jogadores e à comissão técnica daquela campanha. A mensagem destacou nomes como Nelinho, Piazza, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho, além de lembrar Roberto Batata, que morreu durante a disputa da competição.
A conquista encerrou uma espera de 13 anos por um novo campeão brasileiro na Libertadores. Desde o bicampeonato do Santos, em 1962 e 1963, nenhum clube do país havia levantado a taça. O Cruzeiro também se tornou o único representante do Brasil a vencer o torneio durante a década de 1970.
Campanha teve 11 vitórias em 13 jogos
O Cruzeiro realizou uma das campanhas mais dominantes da história da competição. Em 13 partidas, o time comandado por Zezé Moreira conquistou 11 vitórias, um empate e sofreu apenas uma derrota.
A equipe marcou 46 gols e sofreu 17, terminando o torneio com saldo positivo de 29. Palhinha foi o artilheiro da campanha com 13 gols, seguido por Jairzinho, com 11, e Joãozinho, com oito.
A caminhada começou com uma vitória histórica por 5 a 4 sobre o Internacional, no Mineirão. O Cruzeiro terminou a primeira fase com cinco triunfos e um empate, superando também Olímpia e Sportivo Luqueño, do Paraguai.
Na fase semifinal, disputada em formato de grupo, a equipe enfrentou LDU, do Equador, e Alianza Lima, do Peru. Foram quatro vitórias em quatro partidas, incluindo goleadas por 7 a 1 sobre o Alianza e por 4 a 1 diante da LDU no Mineirão.
Cruzeiro e River Plate fizeram três finais
O adversário da decisão foi o River Plate, que buscava seu primeiro título continental. Na época, a final não considerava o saldo agregado como critério principal. Caso cada equipe conquistasse uma vitória, seria necessário um terceiro jogo em campo neutro.
Na primeira partida, disputada em 21 de julho, o Cruzeiro dominou o River e venceu por 4 a 1 diante de sua torcida no Mineirão. Uma semana depois, os argentinos ganharam por 2 a 1 no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
A igualdade em pontos levou a decisão para Santiago, apenas dois dias após o segundo confronto. O jogo definitivo foi realizado em 30 de julho de 1976, no Estádio Nacional do Chile.
Nelinho abriu o placar em cobrança de pênalti, e Eduardo ampliou no começo do segundo tempo. O River Plate reagiu com gols de Oscar Más e Urquiza, deixando a partida empatada em 2 a 2.
Joãozinho marcou gol histórico aos 43 minutos
Quando a decisão parecia caminhar para a prorrogação, o Cruzeiro recebeu uma falta próxima da área aos 43 minutos do segundo tempo.
Nelinho, especialista em bolas paradas, era o cobrador oficial. Joãozinho, porém, percebeu o goleiro argentino concentrado na preparação do lateral e bateu rapidamente, antes que o companheiro assumisse a cobrança.
A bola passou pela barreira e entrou no ângulo, sem reação do goleiro. O gol garantiu a vitória por 3 a 2 e transformou Joãozinho em um dos maiores heróis da história cruzeirense.
A decisão de cobrar a falta sem autorização provocou uma bronca do treinador Zezé Moreira, mesmo com o título confirmado. O próprio Joãozinho relembrou posteriormente que aproveitou a preocupação dos argentinos com Nelinho para surpreender a defesa.
A formação cruzeirense no jogo decisivo contou com Raul, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Eduardo; Ronaldo, Palhinha e Joãozinho. Zezé Moreira era o técnico.
Morte de Roberto Batata marcou a campanha
A trajetória do título também foi marcada por uma das maiores tragédias da história do clube.
Roberto Batata morreu em um acidente automobilístico durante a disputa da fase semifinal. O atacante havia participado da vitória por 4 a 0 sobre o Alianza Lima, no Peru, e retornou ao Brasil com a delegação.
Depois do desembarque, Batata viajou de carro para reencontrar a família. O veículo colidiu com um caminhão na Rodovia Fernão Dias. O jogador morreu aos 26 anos, segundo os registros históricos recuperados pelo ge, embora algumas publicações posteriores indiquem 27.
A perda abalou jogadores, comissão técnica e torcedores. O Cruzeiro passou a tratar a continuidade na Libertadores também como uma homenagem ao atacante, que havia marcado duas vezes naquela campanha.
Título consagrou geração histórica
A Libertadores de 1976 representou a consolidação de uma geração que já havia transformado o Cruzeiro em uma potência nacional.
Dez anos antes, o clube conquistara a Taça Brasil de 1966 ao derrotar o Santos de Pelé na decisão. A equipe também dominou o futebol mineiro em diferentes períodos e chegou às finais do Campeonato Brasileiro de 1974 e 1975.
Parte daquela geração havia sido formada dentro do próprio Cruzeiro. Jogadores como Piazza e Joãozinho pertenciam à continuidade de um projeto que também revelou nomes como Tostão e Dirceu Lopes durante as décadas de 1960 e 1970.
O elenco de 1976 ainda recebeu reforços de enorme importância, como Jairzinho, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1970. A combinação entre atletas formados no clube e jogadores experientes construiu uma equipe agressiva, conhecida pela grande capacidade ofensiva.
Cruzeiro lançou uniforme comemorativo
As homenagens ao cinquentenário começaram antes da data oficial. Em janeiro, Cruzeiro e Adidas lançaram o uniforme principal da temporada de 2026 inspirado na conquista continental.
A camisa recuperou as cinco estrelas soltas no peito e recebeu pequenos mapas da América do Sul no tecido. Próximo à nuca, o número 1976 aparece dividido pelo desenho do continente.
O clube também lançou produtos retrô e peças específicas para celebrar os 50 anos do título. Ao longo desta quinta-feira, as redes oficiais publicaram imagens da campanha e conteúdos envolvendo Joãozinho e torcedores.
A comemoração ocorre justamente no ano em que o Cruzeiro voltou a disputar a Libertadores depois de sete temporadas ausente. O retorno ao torneio reforçou as referências à equipe de 1976 durante toda a temporada.
Primeiro de dois títulos continentais
A conquista de 1976 abriu o caminho internacional do Cruzeiro. O clube voltaria a vencer a Libertadores em 1997, ao superar o Sporting Cristal na decisão.
Mesmo depois de meio século, a primeira taça permanece como uma das páginas mais importantes da história celeste. A campanha de 11 vitórias, o drama dos três jogos contra o River Plate e a cobrança inesperada de Joãozinho transformaram o dia 30 de julho de 1976 em uma data definitiva para o clube.
Cinquenta anos depois, o Cruzeiro celebra a geração que levou as cinco estrelas ao topo da América pela primeira vez.
Bate-papo da TV Cruzeiro com o herói do titulo, Joãozinho