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Fábio faz história de novo

Aos 45 anos, goleiro defende dois pênaltis, classifica o Fluminense às quartas e amplia recorde histórico na Libertadores; carreira reúne 976 jogos pelo Cruzeiro, mais de 300 pelo Tricolor e a maior marca de partidas do futebol mundial

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
18 de agosto de 2026
no Internacional
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Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

Fábio já havia quebrado praticamente todos os recordes possíveis de longevidade, mas encontrou espaço para escrever mais um capítulo histórico nesta terça-feira (18). Aos 45 anos, o goleiro defendeu dois pênaltis contra o Independiente Rivadavia, em Mendoza, e colocou o Fluminense nas quartas de final da Libertadores. A classificação veio por 5 a 4 nas penalidades, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

A noite foi ainda mais simbólica por outra marca. Fábio disputou sua 117ª partida na Libertadores, ampliando o recorde absoluto de jogos na história da competição. O homem que durante quase duas décadas construiu sua idolatria no Cruzeiro vive agora, já próximo dos 46 anos, uma segunda trajetória igualmente histórica com a camisa do Fluminense.

A história construída no Cruzeiro

É impossível explicar a dimensão de Fábio no futebol brasileiro sem passar por Belo Horizonte. O goleiro teve uma primeira passagem pelo Cruzeiro entre 1999 e 2000 e retornou em definitivo em 2005. A partir daí, tornou-se praticamente sinônimo da camisa 1 celeste. Quando deixou a Toca da Raposa, no começo de 2022, havia disputado 976 partidas, mais do que qualquer outro jogador na história do clube.

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Foram 17 temporadas ligadas ao Cruzeiro, atravessando diferentes presidentes, treinadores, gerações de jogadores e momentos esportivos completamente distintos. Fábio esteve nos anos de protagonismo nacional, mas permaneceu também durante a maior crise esportiva e financeira da história recente da Raposa, inclusive nas temporadas disputadas na Série B. Essa permanência ajudou a transformar um grande goleiro em um dos principais ídolos da história do clube.

A coleção de títulos ajuda a explicar essa relação. Considerando também a Copa do Brasil de 2000, quando integrava o elenco em sua primeira passagem, são 12 conquistas pelo Cruzeiro: dois Campeonatos Brasileiros, três Copas do Brasil e sete Campeonatos Mineiros. O Mineirão, onde Fábio se tornou o jogador com mais partidas, registra exatamente esse retrospecto.

As maiores conquistas como protagonista vieram especialmente na década de 2010. Fábio foi titular dos Brasileiros de 2013 e 2014 e das Copas do Brasil de 2017 e 2018, além de acumular sete títulos estaduais. Em 976 partidas pelo clube, criou uma distância gigantesca para os demais nomes no ranking de atuações da Raposa.

O fim, porém, foi doloroso. Fábio esperava renovar para a temporada de 2022 e perseguia um objetivo especial: chegar aos mil jogos pelo Cruzeiro. O goleiro afirmou posteriormente que havia um entendimento anterior para a renovação, mas a nova administração da SAF, recém-assumida por Ronaldo, apresentou condições diferentes. Sem acordo, deixou o clube a apenas 24 partidas da marca.

Era possível imaginar, naquele momento, que aquela saída representasse o início do fim de uma carreira gigantesca.

Aconteceu exatamente o contrário.

Fluminense transformou fim de ciclo em nova era

Fábio chegou ao Fluminense em 2022, aos 41 anos. Não veio apenas para encerrar tranquilamente a carreira ou ocupar o banco de reservas. Rapidamente tomou conta da posição e tornou-se titular absoluto. Em julho deste ano, ao chegar às 300 partidas pelo clube, o próprio Fluminense já o classificava como um dos maiores goleiros de sua história.

A importância vai muito além da longevidade. Em seus primeiros 300 jogos pelo Tricolor, Fábio acumulou 116 partidas sem sofrer gols, média de 2,9 defesas por jogo, 75% das finalizações defendidas e oito pênaltis evitados, segundo números do Sofascore divulgados pelo próprio clube.

Mais importante ainda: foi com o Fluminense que ele finalmente conquistou a taça que faltava em sua carreira.

A Libertadores que faltava

Em 2023, Fábio foi titular da campanha que terminou com o primeiro título da Libertadores da história do Fluminense. Aos 43 anos, disputou a final contra o Boca Juniors no Maracanã e viu o Tricolor vencer por 2 a 1 na prorrogação. Tornou-se também o goleiro mais velho a conquistar a competição.

Poucos meses depois, levantou outro troféu internacional: a Recopa Sul-Americana de 2024, conquistada diante da LDU. Somam-se a eles os Campeonatos Cariocas de 2022 e 2023. Em 2026, o goleiro também conquistou sua terceira Taça Guanabara pelo clube.

O que parecia uma contratação para oferecer experiência ao elenco acabou se tornando uma das decisões mais importantes do Fluminense nos últimos anos. Fábio foi titular no maior título da história do clube, atravessou diferentes treinadores e seguiu praticamente intocável na posição mesmo entrando na segunda metade dos 40 anos.

E aos 45 anos, ele decidiu mais uma vez

O jogo desta terça-feira talvez seja uma das melhores sínteses dessa passagem.

Depois do 0 a 0 no Maracanã, o Fluminense precisava decidir a classificação contra o Independiente Rivadavia na Argentina. Serna colocou o Tricolor em vantagem no segundo tempo, mesmo depois da expulsão de Canobbio. Quando a vaga parecia encaminhada, Ignácio cometeu pênalti nos acréscimos e Alex Arce marcou, fazendo 1 a 1 e levando a disputa para as penalidades.

Lucho Acosta perdeu a segunda cobrança tricolor e colocou o Fluminense em desvantagem.

Então apareceu Fábio.

O goleiro defendeu a cobrança de José Florentín, recolocando o Fluminense na disputa. Depois de Thiago Silva, Renê, Hércules, Martinelli e Guga converterem para o Tricolor, Fábio voltou a aparecer na cobrança decisiva de Rodrigo Atencio. Defendeu novamente e confirmou a vitória por 5 a 4.

O Fluminense está nas quartas de final da Libertadores porque seu goleiro de 45 anos pegou dois pênaltis em uma decisão fora de casa.

Menino Fábio classificando o Fluminense na Libertadores. Esse tem futuro!

Olho nele, Ancelotti!pic.twitter.com/5OxmJ2L1pU

— Doentes por Futebol ⚽ (@DoentesPFutebol) August 19, 2026

Fábio é o recordista absoluto da Libertadores

A atuação histórica aconteceu justamente no torneio em que Fábio acaba de assumir definitivamente outro recorde.

Em maio, diante do próprio Independiente Rivadavia, ele chegou aos 114 jogos de Libertadores e ultrapassou Éver Almeida, lendário goleiro do Olimpia. Naquele momento, a divisão era de 81 partidas pelo Cruzeiro, 31 pelo Fluminense e duas pelo Vasco.

Depois da fase de grupos e dos dois confrontos das oitavas, Fábio chegou nesta terça-feira a 117 partidas, ampliando a liderança histórica.

Há outro recorde impressionante: em abril, aos 45 anos, tornou-se também o jogador mais velho a disputar uma partida na história da Libertadores. O antigo recorde pertencia ao goleiro boliviano Luis Galarza.

O jogador com mais partidas da história

O recorde continental é apenas uma parte da história.

Em agosto de 2025, Fábio entrou em campo pelo Fluminense contra o América de Cali e chegou à 1.391ª partida profissional, ultrapassando a marca atribuída ao inglês Peter Shilton e tornando-se, pela contagem adotada pelo Fluminense e por diferentes registros internacionais, o jogador com mais partidas oficiais da história do futebol masculino.

Naquela ocasião, sua carreira estava dividida em 30 jogos pelo União Bandeirante, 150 pelo Vasco, 976 pelo Cruzeiro e 235 pelo Fluminense.

E ele simplesmente continuou jogando.

O Fluminense confirmou que Fábio chegou aos 300 jogos pelo clube em 29 de julho de 2026. Desde então, ele atuou também contra Vasco, Botafogo, Independiente Rivadavia no Maracanã, Palmeiras e novamente o Rivadavia nesta terça. Pela mesma contagem utilizada pelo clube, portanto, chegou a 305 partidas pelo Fluminense e aproximadamente 1.461 jogos profissionais na carreira. O último número resulta da soma das aparições registradas por seus quatro clubes.

Recordista também no Brasileirão e na Copa do Brasil

O currículo de longevidade não termina aí.

A CBF iniciou a temporada de 2026 reconhecendo Fábio como o jogador com mais partidas na história do Campeonato Brasileiro desde 1937, então com 743 jogos. A entidade também o apontava como recordista absoluto da Copa do Brasil, com 117 partidas.

No Cruzeiro, seus 976 jogos seguem como recorde absoluto do clube. No Fluminense, ultrapassou 300 partidas e, no fim de julho, aparecia como o sexto goleiro com mais atuações na história tricolor.

São recordes em escalas diferentes: clube, competições nacionais, Libertadores e futebol mundial.

Duas idolatrias em uma mesma carreira

Talvez esse seja o aspecto mais impressionante da trajetória de Fábio.

No Cruzeiro, foram 17 temporadas, 976 jogos, títulos brasileiros, Copas do Brasil, estaduais e uma identificação construída durante praticamente duas décadas. Sua saída impediu a chegada aos mil jogos e encerrou a relação profissional de maneira traumática, mas não apagou seu tamanho na história celeste. Quando ele quebrou o recorde mundial em 2025, o próprio Cruzeiro o homenageou.

No Fluminense, entretanto, Fábio fez algo que parecia improvável: construiu uma segunda idolatria depois dos 40 anos.

Chegou aos 41. Foi campeão carioca aos 41 e 42. Campeão da Libertadores aos 43. Campeão da Recopa aos 43. Tornou-se o jogador com mais partidas da história do futebol aos 44. Virou o recordista da Libertadores aos 45. E, nesta terça-feira, novamente aos 45, pegou dois pênaltis em uma disputa eliminatória e classificou o Fluminense às quartas de final da América.

 

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Tags: CruzeirodestaqueFábio 117 jogos LibertadoresFábio 976 jogos CruzeiroFábio goleiroFábio LibertadoresFluminenseIndependiente Rivadavia x FluminenseLibertadores 2026recorde Fábio

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