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Internacional pode ser punido após apresentar áudio falso do VAR

Defesa utilizou uma paródia publicada nas redes sociais durante julgamento de Victor Gabriel; clube reconheceu o erro, negou má-fé e pode ser denunciado pelo STJD

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
30 de julho de 2026
no Nacional
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O Internacional pode enfrentar um novo processo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva após sua defesa apresentar um áudio falso do VAR durante o julgamento do zagueiro Victor Gabriel.

A gravação foi exibida como se reproduzisse a comunicação entre o árbitro de campo e a cabine do VAR na partida contra o Cruzeiro. O conteúdo, entretanto, havia sido criado por uma página de humor nas redes sociais e não correspondia ao áudio oficial da arbitragem.

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O episódio aconteceu na terça-feira, 28 de julho, durante o julgamento da entrada de Victor Gabriel sobre Gabriel Pec. O lance provocou uma fratura na tíbia esquerda do atacante cruzeirense, na vitória mineira por 2 a 1 sobre o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.

Especialistas em direito desportivo afirmam que o clube pode ser denunciado pela utilização de uma prova falsa. A possibilidade de uma punição existe, mas é considerada baixa, principalmente porque a defesa pediu a retirada do material e afirma que não houve intenção de enganar o tribunal.

Áudio era uma paródia publicada na internet

O advogado Rogério Pastl, representante da defesa colorada, apresentou uma série de materiais durante o julgamento. Entre eles, estava a gravação atribuída aos integrantes da equipe de arbitragem.

A autenticidade do conteúdo foi questionada durante a própria sessão. A defesa não conseguiu confirmar a origem da gravação e pediu que ela fosse desconsiderada.

Posteriormente, foi confirmado que o material havia sido produzido por uma página dedicada a criar paródias de supostas conversas entre árbitros e integrantes do VAR.

A Confederação Brasileira de Futebol informou que nem Internacional nem Cruzeiro solicitaram os áudios oficiais da partida. Dessa forma, a gravação utilizada pela defesa não havia sido obtida pelos canais formais da entidade.

O conteúdo foi retirado do processo, mas sua apresentação provocou forte repercussão e abriu a possibilidade de uma nova denúncia contra o clube.

O Internacional pode ser punido?

O caso pode ser analisado com base no artigo 234 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O dispositivo trata da falsificação total ou parcial de documentos, além da utilização de informações falsas em processos conduzidos pela Justiça Desportiva.

As punições previstas incluem suspensão, multa e eliminação. Entretanto, especialistas ouvidos pelo ge avaliam que as sanções mais graves dificilmente seriam aplicadas ao Internacional.

A eliminação não seria adequada a uma pessoa jurídica. Já uma suspensão poderia impedir o clube de participar de competições ou realizar atos oficiais, medida considerada extrema e de difícil aplicação nesse caso.

A multa aparece como a consequência mais provável caso a Procuradoria do STJD decida denunciar o Internacional e o tribunal conclua que houve uma infração.

Para que uma punição mais pesada seja aplicada, seria necessário demonstrar que houve uma tentativa deliberada de induzir os auditores ao erro. O Internacional e o escritório responsável pela defesa sustentam que o material foi utilizado por engano e sem intenção de agir de má-fé.

Até a manhã de 30 de julho, não havia anúncio público de uma nova denúncia contra o clube pelo episódio. A Procuradoria do STJD ainda poderá analisar o conteúdo da sessão e decidir se abre outro processo.

 

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Material falso influenciou julgamento

A utilização do áudio não prejudicou apenas a imagem do Internacional. O material também influenciou diretamente a decisão sobre a punição de Victor Gabriel.

Os auditores concordaram inicialmente com uma suspensão mínima de seis partidas por jogo violento. O tribunal também precisava decidir se aplicaria o agravante que permitiria manter o jogador afastado durante o período de recuperação de Gabriel Pec, respeitando o limite de 180 dias.

A auditora Aline Jatahy afirmou durante o julgamento que estava inclinada a rejeitar o agravante, levando em consideração o histórico disciplinar de Victor Gabriel. Após a apresentação do áudio e das discussões sobre sua autenticidade, ela decidiu mudar seu voto e apoiar a pena mais severa.

A alteração foi decisiva. Caso a auditora tivesse mantido a posição inicial, a votação sobre o agravante terminaria empatada. Nesse cenário, prevaleceria o entendimento mais favorável ao jogador, que cumpriria apenas os seis jogos de suspensão.

Victor Gabriel acabou suspenso até que Gabriel Pec esteja liberado para retornar aos treinamentos, com prazo máximo de 180 dias. A decisão ainda pode ser contestada pelo Internacional.

Inter reconhece erro e nega má-fé

Depois da repercussão, Internacional e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados divulgaram uma manifestação conjunta.

As partes reconheceram uma falha na obtenção e na utilização do conteúdo. Segundo a nota, o escritório encontrou a gravação circulando nas redes sociais e a utilizou durante a preparação da defesa.

O clube e seus representantes jurídicos negaram qualquer tentativa de enganar o STJD. Também ressaltaram que o pedido para retirar o áudio do processo foi feito assim que surgiram dúvidas sobre sua autenticidade.

O escritório afirmou que pretende aprimorar seus procedimentos para futuros julgamentos. O Internacional também reafirmou seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições do futebol brasileiro.

Internamente, o episódio provocou desconforto. O escritório trabalha com o clube há 19 anos, e a tendência inicial é de manutenção da parceria, apesar do erro cometido.

Inter já foi punido em outro caso envolvendo documentos

O Internacional possui um antecedente relacionado à utilização de material adulterado, embora as circunstâncias sejam diferentes.

Em 2017, o clube recebeu uma multa de R$ 720 mil pelo uso de e-mails adulterados no caso Victor Ramos. A equipe gaúcha tentava demonstrar uma possível irregularidade na inscrição do zagueiro pelo Vitória durante o Campeonato Brasileiro de 2016.

Duas perícias apontaram que as mensagens apresentadas no processo haviam sido modificadas. A punição foi aplicada com base no código disciplinar da FIFA, e não no mesmo artigo do CBJD que pode ser utilizado no caso atual.

O histórico não significa que o Internacional receberá uma punição semelhante. No episódio envolvendo o áudio do VAR, o clube sustenta que não houve produção ou adulteração direta do material, mas uma falha na verificação de um conteúdo encontrado na internet.

Novo processo dependerá da Procuradoria

O próximo passo depende da Procuradoria da Justiça Desportiva. O órgão poderá avaliar a gravação da sessão, os documentos apresentados e a manifestação do Internacional antes de decidir se oferece uma denúncia.

Caso o processo seja aberto, o tribunal precisará analisar principalmente se houve intenção de utilizar uma informação falsa ou apenas negligência na apuração da origem do áudio.

A ausência de má-fé pode afastar as punições mais graves. Mesmo assim, a apresentação de um conteúdo não verificado em um julgamento oficial pode ser enquadrada como infração ética ou atitude contrária à disciplina esportiva.

Enquanto aguarda uma possível manifestação da Procuradoria, o Internacional prepara o recurso contra a suspensão de Victor Gabriel. Além de tentar reduzir a pena do zagueiro, o clube agora precisa administrar as consequências jurídicas e institucionais causadas pelo áudio falso.

Tags: campeonato brasileiroCruzeirodestaqueGabriel PecInternacionalSTJDVARVictor Gabriel

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