Marcelo Gallardo assume o Equador e comandará uma seleção pela primeira vez

Bicampeão da Libertadores e técnico mais vitorioso da história do River Plate inicia novo capítulo da carreira aos 50 anos e já mira o ciclo para a Copa do Mundo de 2030

Marcelo Gallardo vai experimentar um tipo de trabalho que nunca teve em sua carreira como treinador. A Federação Equatoriana de Futebol anunciou o argentino como novo técnico da seleção do Equador, iniciando um projeto que terá como principal objetivo a Copa do Mundo de 2030. Aos 50 anos, o ex-comandante do River Plate assume uma seleção nacional pela primeira vez.

Gallardo substitui Sebastián Beccacece, cujo contrato não foi renovado depois da participação equatoriana na Copa do Mundo de 2026. O Equador foi eliminado pelo México na primeira fase eliminatória do torneio, encerrando o ciclo do treinador argentino que havia conduzido a equipe durante as Eliminatórias.

O anúncio representa uma mudança importante também para o próprio Gallardo. Desde que iniciou sua carreira como técnico, em 2011, ele trabalhou exclusivamente em clubes. Passou pelo Nacional, do Uruguai, construiu uma das eras mais vitoriosas da história do River Plate e teve uma experiência no Al-Ittihad, da Arábia Saudita. Agora, terá pela primeira vez de administrar um calendário de seleção, com períodos curtos de treinamento, amistosos, Eliminatórias e torneios internacionais.

A Federação Equatoriana apresentou a contratação como parte de uma tentativa de levar uma geração considerada talentosa a um patamar ainda maior.

“Temos talento, estrutura e ambição. Estamos prontos”, afirmou a entidade ao anunciar o novo treinador.

O treinador mais vitorioso do River agora terá um país para comandar

Gallardo chega ao Equador carregando principalmente o trabalho que construiu no River Plate.

Em sua primeira passagem, entre 2014 e 2022, tornou-se o treinador mais vencedor da história do clube argentino, conquistando 14 títulos. Entre eles estão duas Libertadores, em 2015 e 2018, uma Copa Sul-Americana e três Recopas Sul-Americanas.

A Libertadores de 2018 ocupa um lugar especial nessa trajetória. O River derrotou o Boca Juniors na decisão disputada no Santiago Bernabéu, em Madri, depois de uma final marcada por confusão, adiamentos e mudança de sede. A conquista transformou Gallardo definitivamente em uma das maiores figuras da história recente do clube.

Seu desempenho também fez com que o argentino passasse anos aparecendo em especulações sobre gigantes europeus e diferentes seleções. Apesar disso, Gallardo permaneceu no River até 2022.

Depois, teve uma passagem pelo Al-Ittihad, na Arábia Saudita, antes de retornar ao clube argentino em 2024.

Segunda passagem pelo River terminou sem repetir o sucesso

O retorno ao Monumental, porém, não conseguiu reproduzir a primeira era.

Gallardo iniciou sua segunda passagem cercado por enorme expectativa, mas deixou o River em fevereiro de 2026, depois de uma sequência ruim de resultados e sem conquistar títulos neste novo ciclo. Desde então, estava livre no mercado.

A contratação pelo Equador, portanto, surge também como uma oportunidade de reposicionamento profissional.

Em vez de procurar outro grande clube sul-americano ou uma nova experiência fora do continente, Gallardo escolheu um projeto de seleção e terá tempo para construir uma equipe pensando em um ciclo completo.

É uma mudança significativa para um treinador conhecido justamente pelo trabalho diário. No River, Gallardo construiu equipes baseadas em intensidade, pressão e mecanismos desenvolvidos ao longo de centenas de sessões de treinamento. Em uma seleção, encontrará uma realidade diferente, com jogadores espalhados pelo mundo e apenas alguns dias de preparação antes de cada partida.

Esse talvez seja o grande desafio de sua nova fase: adaptar uma metodologia construída para clubes à dinâmica fragmentada do futebol de seleções.

Gallardo recebe uma geração forte do Equador

O argentino também não assume uma seleção começando do zero.

O Equador terminou as Eliminatórias para a Copa de 2026 na segunda colocação, atrás apenas da Argentina, e consolidou nos últimos anos uma geração com jogadores importantes atuando no futebol europeu.

Entre os principais nomes estão o meio-campista Moisés Caicedo e defensores como Willian Pacho e Piero Hincapié, jogadores já acostumados ao mais alto nível do futebol europeu.

É justamente esse potencial que a federação pretende aproveitar com Gallardo.

Francisco Egas, presidente da Federação Equatoriana, explicou que a escolha não ocorreu apenas pelo currículo do treinador, mas também pelo perfil de liderança construído ao longo da carreira.

“Buscamos Marcelo Gallardo pelo que ganhou, mas acima de tudo pelo que representa.”

Para o Equador, a aposta é clara. Depois de se tornar presença cada vez mais constante em Copas do Mundo e revelar jogadores para grandes ligas, a seleção busca transformar essa evolução estrutural em resultados mais profundos nos grandes torneios.

Estreia pode acontecer ainda em setembro

Gallardo não precisará esperar muito para iniciar o novo trabalho.

O próximo compromisso do Equador está marcado para 24 de setembro, em amistoso contra a Coreia do Sul. A tendência é que essa seja a primeira partida do argentino no comando da seleção.

O calendário inicial terá caráter de reconstrução. Depois da Copa do Mundo, o Equador entra agora em um novo ciclo, com a possibilidade de testar jogadores e ajustar ideias antes do início das próximas competições oficiais.

Para Gallardo, os amistosos servirão também como primeiro laboratório de uma experiência completamente diferente daquela que marcou sua carreira.

Ele não terá a possibilidade de contratar jogadores para preencher lacunas. Também não contará com meses consecutivos de trabalho e dezenas de partidas por temporada. Seu desafio será escolher entre os melhores equatorianos disponíveis e encontrar rapidamente uma identidade capaz de aproveitar as características dessa geração.

Uma mudança importante na carreira de Gallardo

Durante mais de uma década, o nome de Marcelo Gallardo esteve associado quase automaticamente ao River Plate.

Mesmo depois de deixar o clube pela primeira vez, cada novo rumor sobre seu futuro levantava hipóteses sobre Europa, Arábia Saudita ou um eventual retorno a Buenos Aires. A passagem pelo Al-Ittihad e a segunda experiência no River mantiveram sua carreira dentro do ambiente dos clubes.

Agora, esse ciclo muda completamente.

Aos 50 anos, Gallardo passa a ser treinador de seleção pela primeira vez e assume um Equador que já mostrou capacidade para competir com as principais equipes da América do Sul, mas ainda busca transformar uma geração promissora em uma campanha histórica em grandes torneios.

O técnico mais vitorioso da história do River já comandou equipes em finais de Libertadores, Superclássicos e decisões continentais.

A partir de agora, terá algo diferente nas mãos: um país inteiro esperando para descobrir até onde suas ideias podem levar uma seleção.

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