Mauricio recebe advertência e não desfalca o Palmeiras

STJD aplicou suspensão de uma partida, mas converteu a pena em advertência; meia fica à disposição para enfrentar Fortaleza e Internacional

Foto: Cesar Greco / SE Palmeiras

Mauricio não desfalcará o Palmeiras nos próximos compromissos. Julgado nesta terça-feira (4) pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o meia-atacante recebeu uma partida de suspensão, mas teve a punição convertida em advertência pela 2ª Comissão Disciplinar.

A decisão foi tomada por maioria. Com a conversão, o camisa 18 não precisará cumprir suspensão e continua à disposição de Abel Ferreira para o jogo contra o Fortaleza, nesta quarta-feira (5), pela volta das oitavas de final da Copa do Brasil. O atleta também poderá enfrentar o Internacional no domingo (9), pelo Campeonato Brasileiro.

Mauricio foi denunciado por um lance com o zagueiro Cacá durante a vitória do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Vitória, no Barradão, pela 21ª rodada do Brasileirão. O jogador atingiu o rosto do adversário com o braço em uma disputa aérea e recebeu cartão amarelo. A equipe do VAR analisou a jogada, mas não recomendou que o árbitro Alex Gomes Stefano revisasse a decisão.

Mauricio foi denunciado por conduta violenta

A Procuradoria do STJD enquadrou Mauricio no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, relacionado à prática de jogada violenta.

A punição prevista variava entre uma e seis partidas de suspensão. Durante o julgamento, o relator Luiz Gabriel Batista Neves considerou que o jogador deveria receber a pena mínima de um jogo, posteriormente transformada em advertência.

O entendimento foi acompanhado pela auditora Ana Luiza Ralil e pelo presidente da comissão, Ticiano Figueiredo de Oliveira.

O auditor Felipe Rego Barros votou pela aplicação de duas partidas de suspensão. Marina Volpato também defendeu a punição de um jogo, mas sem a conversão em advertência. Com três votos favoráveis à advertência, Mauricio escapou do desfalque.

A decisão é de primeira instância. Como o resultado não determina suspensão efetiva, o Palmeiras não precisa recorrer para utilizar o atleta imediatamente.

Relator entendeu que jogador deveria ter sido expulso

Embora tenha aplicado uma pena leve, o relator afirmou durante o julgamento que Mauricio deveria ter recebido cartão vermelho no Barradão.

Luiz Gabriel Batista Neves classificou como inequívoca a necessidade de expulsão e afirmou que os integrantes da arbitragem também deveriam ter sido denunciados. Mesmo com esse entendimento, manteve a proposta de uma partida de suspensão convertida em advertência.

A avaliação diverge da decisão tomada durante a partida. Alex Gomes Stefano apresentou apenas o cartão amarelo, enquanto o VAR manteve a marcação sem recomendar uma revisão no monitor.

O Vitória considerou que houve uma agressão e cobrou a expulsão. O clube baiano publicou uma nota elogiando a denúncia do STJD e afirmou que a abertura do processo demonstrava um erro grave da equipe de arbitragem.

Defesa utilizou decisão do árbitro e do VAR

A defesa do Palmeiras pediu a absolvição de Mauricio.

Os representantes do clube argumentaram que a jogada havia sido analisada tanto pelo árbitro quanto pela equipe de vídeo. Na interpretação alviverde, a aplicação do cartão amarelo deveria ser respeitada porque não existiu um erro evidente que justificasse uma nova punição esportiva.

A defesa também mencionou que a CBF não afastou Alex Gomes Stefano após a partida. O árbitro foi escalado novamente para trabalhar na Copa do Brasil, fato apresentado pelo Palmeiras como um sinal de que a entidade não havia identificado uma falha considerada grave em sua atuação.

Outro argumento foi a ausência de intenção de Mauricio. O clube sustentou que o movimento ocorreu durante uma disputa de bola e não teve como objetivo atingir ou machucar o adversário.

Mauricio negou intenção de atingir Cacá

Depois da vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, no domingo (2), Mauricio comentou publicamente o episódio.

O meia afirmou que não teve intenção de atingir Cacá e utilizou seu histórico disciplinar para defender que não é um jogador violento. Segundo o atleta, o lance aconteceu dentro de uma disputa e não representa sua maneira de atuar.

— O lance foi totalmente sem intenção. Dá para ver pelo meu histórico que não sou um jogador maldoso, com vontade de machucar o adversário — declarou Mauricio.

O jogador também disse ter recebido a denúncia com estranheza, principalmente por considerar que outras jogadas semelhantes não foram levadas ao tribunal.

Mauricio evitou aprofundar suas críticas antes do julgamento. O meia afirmou que precisava ter cuidado com suas declarações para não correr o risco de receber uma nova punição.

Palmeiras havia reagido com nota dura

A denúncia provocou uma reação pública do Palmeiras.

Em nota, o clube declarou ter recebido a decisão da Procuradoria com “absoluta perplexidade”. A direção considerou que o processo desrespeitava a interpretação da arbitragem e questionou por que a análise realizada durante o jogo poderia ser substituída posteriormente.

O Palmeiras também acusou o STJD de falta de isonomia. O comunicado comparou o lance de Mauricio a jogadas envolvendo Raniele, do Corinthians, e Erick Pulgar, do Flamengo, que não resultaram em denúncias na mesma rodada do Campeonato Brasileiro.

O clube mencionou ainda punições anteriores aplicadas a Abel Ferreira, Allan e Paulinho. Para a diretoria, a sequência reforçava uma percepção de falta de equilíbrio nos julgamentos envolvendo o Palmeiras.

A procuradora Marília Fontenele respondeu durante a sessão às críticas públicas relacionadas ao caso. A defesa alviverde afirmou que não pretendia aumentar a animosidade e que buscava apenas um julgamento considerado justo.

Vitória também teve jogadores julgados

A partida no Barradão produziu outras denúncias.

Cacá foi expulso por uma entrada violenta em Jhon Arias. Luan Cândido recebeu o cartão vermelho pouco depois, ao fazer um gesto de “roubo” direcionado à arbitragem. Os dois foram incluídos no mesmo julgamento.

Cacá recebeu uma partida de suspensão, também convertida em advertência. Luan Cândido foi punido com um jogo de gancho. O presidente do Vitória, Fábio Mota, denunciado por declarações realizadas após a partida, terminou absolvido.

O Vitória havia anunciado que participaria da sessão para defender seus interesses. O clube esperava a punição de Mauricio, mas também pretendia obter decisões favoráveis para seus jogadores, seu presidente e a própria instituição.

Jogada aconteceu antes das expulsões do Vitória

O lance envolvendo Mauricio e Cacá ocorreu durante o primeiro tempo, antes de o Vitória sofrer as duas expulsões.

O árbitro mostrou o cartão amarelo ao palmeirense depois que seu braço atingiu o rosto do defensor. O Vitória considerou que a jogada deveria ter resultado em expulsão direta, interpretação posteriormente apoiada pelo relator do julgamento.

Mais tarde, Cacá recebeu o vermelho por uma entrada sobre Jhon Arias. Luan Cândido também foi expulso por sua reação à decisão da arbitragem.

Com dois jogadores a mais, o Palmeiras construiu a vitória por 4 a 0. Mauricio marcou um dos gols da goleada, resultado que manteve a equipe na liderança do Campeonato Brasileiro.

O conjunto de decisões provocou manifestações dos dois clubes. O Vitória concentrou as reclamações na permanência de Mauricio em campo. O Palmeiras, por sua vez, defendeu que a arbitragem havia avaliado corretamente a disputa e criticou a abertura posterior do processo.

Advertência evita problema em sequência importante

A decisão representa um alívio esportivo para Abel Ferreira.

Mauricio vive um de seus melhores momentos na temporada. Desde a retomada das competições depois da Copa do Mundo, o meia marcou quatro gols. Ele e Ramón Sosa participaram de oito dos 11 gols do Palmeiras no período.

Abel classificou o desempenho da dupla como “espetacular”. Mauricio aproveitou as ausências e o controle de carga de Vitor Roque e Flaco López para ganhar espaço no setor ofensivo.

Na temporada, o camisa 18 soma oito gols e duas assistências em 34 partidas pelo Palmeiras. Ele também marcou pelo Paraguai durante a Copa do Mundo e participou da disputa por pênaltis na classificação sobre a Alemanha.

Uma suspensão obrigaria o treinador a modificar uma formação que vem apresentando bom rendimento. Com a advertência, Mauricio pode continuar sendo utilizado normalmente.

Meia poderá enfrentar o Fortaleza

O Palmeiras enfrenta o Fortaleza nesta quarta-feira, às 21h30, na Arena Pantanal, pelo segundo jogo das oitavas de final da Copa do Brasil.

A equipe paulista venceu a ida por 3 a 0 e pode perder por até dois gols de diferença para avançar diretamente às quartas. Mauricio marcou um dos gols no primeiro confronto e aparece entre as opções para a partida de volta.

Abel Ferreira poderá realizar mudanças por causa da vantagem construída. Flaco López pode receber uma oportunidade como titular para recuperar ritmo, enquanto Vitor Roque ainda é tratado com maior cautela.

Mauricio, porém, viajará sem qualquer impedimento disciplinar. Depois da Copa do Brasil, o Palmeiras enfrentará o Internacional no domingo pelo Campeonato Brasileiro.

O meia chegou ao julgamento sob risco de receber até seis partidas de suspensão. Saiu com uma advertência e permanece disponível justamente durante uma sequência de jogos decisivos para o clube.

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