Memphis desembarca para assinar enquanto Corinthians precisa vender jogadores

Holandês chega a São Paulo para exames e reuniões sobre contrato até 2028; clube precisa levantar recursos para pagar três transfer bans que somam cerca de R$ 21,5 milhões

Memphis Depay desembarcou em São Paulo na madrugada desta terça-feira (4) para tentar concluir sua renovação com o Corinthians. O atacante holandês chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta das 3h, após viajar em um avião fretado desde Roterdã.

O jogador estava acompanhado de seus advogados, do preparador físico Diego Pereira e da chef Paula Cardoso. Memphis não falou com a imprensa e deixou o aeroporto por uma saída alternativa. A presença da equipe jurídica mostra que o retorno ao Brasil não envolve apenas a reapresentação ao elenco: o principal objetivo é resolver os últimos pontos de um possível contrato válido até julho de 2028.

A negociação, porém, ainda não está concluída. O Corinthians pretende submeter o atacante a exames médicos e realizar uma reunião presencial antes da assinatura. Ao mesmo tempo, a diretoria enfrenta uma situação financeira grave, com três transfer bans, direitos de imagem atrasados e a necessidade de vender jogadores durante a atual janela.

Os bloqueios somam aproximadamente R$ 21,5 milhões. Sem dinheiro disponível para quitar as pendências imediatamente, o clube considera as vendas de atletas como a principal alternativa para conseguir os recursos.

Memphis chega para tentar encerrar negociação

O retorno do holandês estava inicialmente previsto para o fim de julho, mas foi adiado durante a troca de minutas entre seus representantes e o Corinthians.

Memphis queria receber e analisar a proposta formal antes de embarcar. A diretoria, por outro lado, pretendia realizar primeiro os exames médicos e físicos. O clube cedeu, enviou o documento e permitiu que os advogados do atacante avaliassem as condições antes da viagem ao Brasil.

Agora, as partes esperam utilizar a reunião presencial para resolver as divergências. A negociação envolve mais do que salário e duração do vínculo. Também estão sendo discutidos o pagamento da dívida do Corinthians com o atleta, bonificações por títulos, multas por possíveis atrasos e condições comerciais relacionadas ao uso da imagem de Memphis.

O ge informa que existem divergências sobre um pagamento adicional de 10% ao estafe do holandês, os juros aplicados em caso de atraso, os critérios das premiações e uma eventual utilização da Neo Química Arena para eventos promovidos pelo jogador, com divisão da receita.

A Itatiaia, em conteúdo publicado pela CNN Brasil, apresentou uma versão diferente sobre o percentual. Segundo a apuração, os representantes teriam incluído um aumento de 10% sobre o salário previamente discutido e proposto retirar do contrato o abatimento relacionado à dívida do clube. Os diferentes relatos mostram que as condições ainda não estão completamente fechadas.

Corinthians ainda hesita antes da assinatura

Apesar da chegada de Memphis, integrantes da direção ainda tratam o acordo com cautela.

O presidente Osmar Stabile enfrenta pressões de grupos diferentes. Aliados políticos e conselheiros contrários à renovação consideram que o custo do atacante permanece elevado diante da situação financeira do clube. A torcida e a Gaviões da Fiel, por outro lado, defendem a continuidade do camisa 10.

Segundo o UOL, pessoas ligadas ao Corinthians avaliavam nesta terça-feira as chances de acordo em 50%. A expectativa era de que a reunião no CT Joaquim Grava definisse se o holandês realizaria os exames e assinaria o novo contrato.

O departamento de futebol, comandado pelo executivo Marcelo Paz, é favorável à permanência. Fernando Diniz também manifestou publicamente confiança em um desfecho positivo e considera Memphis uma peça importante para a sequência da temporada.

A assinatura, portanto, não deve ser apresentada como concluída. Memphis desembarcou para finalizar a negociação, mas ainda precisa alcançar um entendimento definitivo com a diretoria e ser aprovado nas avaliações médicas.

Novo salário ficaria próximo de R$ 2 milhões

As bases discutidas inicialmente previam um contrato por mais duas temporadas e uma redução em relação ao custo do acordo anterior.

Memphis teria aceitado receber aproximadamente R$ 2 milhões mensais. O Corinthians também deixaria de pagar algumas despesas adicionais incluídas no vínculo anterior, como motorista, segurança e chef particular.

A chegada de uma chef particular ao lado do jogador não significa necessariamente que o custo continuará sendo assumido pelo clube. A proposta divulgada pela imprensa estabelece justamente que essas despesas deixariam de fazer parte das obrigações corintianas.

O impasse mais recente envolve os acréscimos colocados durante a revisão jurídica do documento. O clube deseja preservar o valor acertado verbalmente, enquanto o estafe busca garantias contra novos atrasos e condições comerciais adicionais.

Dívida com Memphis chega a R$ 42 milhões

A renovação está diretamente ligada a uma dívida estimada em R$ 42 milhões que o Corinthians possui com o atacante.

O valor reúne parcelas contratuais, luvas e bonificações. As partes haviam discutido fixar a dívida nesse montante, retirando multas, juros e correções que poderiam aumentar consideravelmente o total. Em troca, o clube receberia um período de carência e realizaria os pagamentos entre 2027 e 2028.

Os representantes de Memphis desejam garantias para o cumprimento do acordo. Entre os pontos discutidos estão multas e juros caso o Corinthians volte a atrasar os pagamentos.

A pendência com o holandês não faz parte dos R$ 21,5 milhões relacionados aos transfer bans. São obrigações diferentes: uma está sendo renegociada diretamente com o jogador, enquanto as outras impedem o registro de novos reforços.

Esse cenário aumenta a complexidade da decisão. Ao renovar, o Corinthians preserva um jogador importante, mas assume um novo contrato de alto valor enquanto ainda precisa organizar o pagamento de uma dívida multimilionária com o próprio atleta.

Transfer ban não impede renovação de Memphis

O Corinthians entende que poderá registrar o novo contrato de Memphis mesmo estando proibido de inscrever reforços.

O contrato anterior terminou em 31 de julho. Ainda assim, a CBF informou ao ge que a extensão do vínculo não está sujeita ao bloqueio, pois se trata da renovação de um atleta que já pertencia ao clube, e não da contratação de um novo jogador.

A posição da CBF oferece segurança à diretoria, mas não resolve os demais efeitos da punição. O Corinthians continuará impedido de registrar atletas vindos de outras equipes enquanto não quitar ou renegociar as três pendências.

Uma negociação avançada com o atacante Wesley chegou a ser interrompida por causa do bloqueio. Sem a possibilidade de registrá-lo, o Corinthians perdeu o jogador para o Cruzeiro.

Memphis, portanto, ocupa uma situação jurídica diferente. Sua permanência pode ser formalizada, mas o elenco não poderá receber reforços externos enquanto as sanções continuarem ativas.

Leia mais:

Corinthians começa nova janela de transferências com três transfer bans

Memphis aceita reduzir salário, mas pede contrato de três anos ao Corinthians

Três dívidas bloqueiam novos reforços

O primeiro transfer ban atualmente em vigor foi aplicado em 21 de maio. Os outros dois foram efetivados em julho.

As pendências são:

O total fica próximo de R$ 21,5 milhões, mas pode mudar conforme a cotação das moedas, a aplicação de juros e outras atualizações.

O Corinthians chegou a acumular quatro bloqueios. Um deles foi retirado depois do pagamento de uma multa disciplinar de US$ 225 mil, aproximadamente R$ 1,15 milhão, aplicada pela FIFA pelo descumprimento de obrigações em negociações anteriores.

Para derrubar as demais proibições, o clube precisa pagar os credores ou alcançar acordos aceitos pelas entidades responsáveis.

Venda de jogadores é principal solução considerada

A diretoria financeira não possui previsão para quitar os três bloqueios.

O Corinthians também precisa atender compromissos internos. A prioridade declarada é pagar os direitos de imagem referentes a junho, atrasados desde 20 de julho. Nem mesmo para esse acerto havia um prazo definido na manhã desta terça-feira.

Diante da falta de caixa, o clube espera utilizar recursos obtidos no mercado. O planejamento financeiro previa arrecadar € 25 milhões, aproximadamente R$ 146,8 milhões, com vendas de direitos econômicos durante a janela aberta em 20 de julho.

Até o momento, porém, o Corinthians não negociou nenhum jogador e não possui uma transferência de saída em andamento. O volante André, de 20 anos, é considerado um dos principais ativos e poderá ser vendido caso uma proposta adequada seja apresentada.

A janela brasileira permanecerá aberta até 11 de setembro. O clube precisa encontrar compradores, concluir as transferências e receber recursos com rapidez para recuperar sua capacidade de registrar reforços.

Déficit aumenta pressão sobre a diretoria

Os problemas não estão limitados às dívidas que provocaram os bloqueios.

O Corinthians registrou um déficit acumulado de R$ 168 milhões nos primeiros quatro meses de 2026. Os números posteriores ainda não haviam sido divulgados, mas o desempenho do primeiro quadrimestre mostra a dificuldade de equilibrar as despesas correntes.

Nesse contexto, a renovação de Memphis provoca uma divisão interna. Uma ala entende que o holandês possui impacto esportivo, técnico e comercial suficiente para justificar o investimento. Outro grupo considera arriscado assumir novos compromissos elevados enquanto salários indiretos, credores e parcelas de transferências continuam atrasados.

A redução salarial negociada diminui parte do impacto, mas não elimina o problema. Um vencimento próximo de R$ 2 milhões por mês representaria cerca de R$ 48 milhões durante dois anos, sem considerar bonificações, impostos, comissões e a dívida antiga.

O Corinthians precisará demonstrar que consegue manter Memphis sem agravar a situação responsável pelos transfer bans.

Clube espera Memphis na Libertadores

Do ponto de vista esportivo, a intenção é acelerar sua preparação.

Caso seja aprovado nos exames e assine o contrato, o departamento de futebol espera ter Memphis disponível para enfrentar o Rosario Central, em 13 de agosto, na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores.

O jogador passou mais de dois meses longe do Corinthians por causa da preparação e da participação da Holanda na Copa do Mundo, além do período de descanso posterior. Por isso, sua condição física será avaliada antes da liberação para os jogos.

A realização dos exames ganhou peso político dentro do clube. Conselheiros contrários à renovação questionam as condições físicas apresentadas por Memphis ao longo da última temporada. O estafe afirma que o atacante está apto e considera essas dúvidas uma tentativa de dificultar o negócio.

O planejamento de Diniz depende do resultado das avaliações. Mesmo com a assinatura, Memphis poderá precisar de um período de preparação antes de começar uma partida como titular.

Chegada evidencia contraste no Corinthians

A volta de Memphis ocorre em um momento contraditório para o clube.

O Corinthians tenta renovar com seu jogador mais conhecido, negocia uma dívida de R$ 42 milhões com ele e discute um contrato de aproximadamente R$ 2 milhões mensais. Ao mesmo tempo, precisa vender integrantes do elenco para pagar R$ 21,5 milhões e voltar a registrar contratações.

A renovação pode ser registrada porque a CBF a considera uma extensão de vínculo. Isso permite ao clube manter Memphis, mas não oferece qualquer alívio para os três bloqueios.

A diretoria precisa resolver duas questões paralelas: concluir um acordo sustentável com o holandês e obter recursos para regularizar as dívidas internacionais e nacionais.

Memphis já está em São Paulo. A assinatura, entretanto, dependerá das reuniões, dos exames e da solução dos últimos pontos contratuais. Para o restante do elenco, a situação também continua indefinida: sem vendas, o Corinthians permanece sem dinheiro para derrubar os transfer bans e sem espaço para reforçar o time.

Sair da versão mobile