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Messi se despede da Argentina e encerra uma trajetória de mais de 20 anos pela seleção

Camisa 10 faz contra Benin, no Monumental, sua última partida pela seleção argentina depois de uma carreira marcada por críticas, derrotas dolorosas e uma sequência final que incluiu duas Copas América, o Mundial de 2022 e outra final de Copa em 2026

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
6 de outubro de 2026
no Internacional
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Lionel Messi entra em campo nesta terça-feira (6), no Monumental de Núñez, para disputar sua última partida pela seleção argentina. O amistoso contra Benin foi organizado como uma despedida depois que o atacante anunciou, em agosto, o encerramento de sua carreira internacional. Aos 39 anos, ele encerra uma trajetória iniciada em 2005 e que atravessou mais de duas décadas, seis Copas do Mundo, títulos continentais, derrotas marcantes e uma relação com o futebol argentino que esteve longe de ser simples durante boa parte desse período.

A despedida acontece pouco mais de dois meses depois da Copa do Mundo de 2026. A Argentina chegou novamente à decisão, mas perdeu por 1 a 0 para a Espanha e ficou com o vice-campeonato. Messi anunciou posteriormente que não continuaria na seleção, encerrando um ciclo que já havia sido tratado como próximo do fim desde o título conquistado no Catar, em 2022. A Associação do Futebol Argentino decidiu então organizar uma última partida em Buenos Aires para que o capitão pudesse se despedir dentro de campo e diante da própria torcida.

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O jogo contra Benin possui pouca relevância competitiva, mas tem enorme peso simbólico. Messi deixa a seleção como recordista de partidas e gols pela Argentina, além de ter participado das duas campanhas que mudaram definitivamente a maneira como sua história no país passou a ser tratada. Depois de anos sendo cobrado por não reproduzir com a camisa argentina o domínio que apresentava no Barcelona, ele encerra sua trajetória como capitão de uma geração campeã da Copa América e da Copa do Mundo.

É uma diferença importante em relação ao cenário que parecia possível dez anos atrás. Em 2016, depois de mais uma derrota em uma final, Messi chegou a anunciar que não defenderia mais a seleção. Voltou poucos meses depois, continuou disputando Eliminatórias, Copas América e Mundiais e acabou construindo justamente na fase final da carreira o período de maior sucesso coletivo com a Argentina.

Bem amigos…o golpe vai ser duro amanhã. O tempo passa! 😔 https://t.co/fByiJTpyM8

— Doentes por Futebol ⚽ (@DoentesPFutebol) October 5, 2026

Uma relação com a Argentina que demorou muitos anos para encontrar equilíbrio

A história de Messi com a seleção começou de maneira incomum. Ele deixou a Argentina ainda criança para viver na Espanha e completar sua formação no Barcelona, o que fez com que parte de sua relação com o futebol argentino fosse construída à distância. Antes mesmo de chegar à equipe principal, já existia interesse espanhol em sua convocação, mas o jogador sempre manifestou o desejo de representar o país onde nasceu.

Sua estreia pela seleção principal aconteceu em agosto de 2005, contra a Hungria. Messi tinha 18 anos e entrou durante o segundo tempo, mas permaneceu em campo por pouco tempo: foi expulso poucos minutos depois de entrar, em uma decisão de arbitragem que marcou de forma inesperada sua primeira aparição. Um ano depois, já estava no elenco argentino da Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha.

Nas temporadas seguintes, sua importância cresceu rapidamente. O problema era que esse crescimento acontecia em paralelo ao domínio quase absoluto que exercia no Barcelona. Messi acumulava gols, títulos e prêmios individuais na Europa enquanto a seleção argentina atravessava sucessivas frustrações. A comparação entre aquilo que fazia pelo clube e o que conseguia entregar pela seleção tornou-se um tema permanente no país.

A cobrança era especialmente dura porque a Argentina procurava um novo grande título havia muitos anos. Messi chegou à final da Copa América em 2007 e perdeu para o Brasil. Em 2014, conduziu a seleção à decisão da Copa do Mundo, mas a Alemanha venceu por 1 a 0 na prorrogação, no Maracanã. Nos dois anos seguintes, vieram duas derrotas consecutivas para o Chile nas finais da Copa América, ambas nos pênaltis.

Foi depois da segunda delas, em 2016, que Messi anunciou sua primeira aposentadoria da seleção. Ele havia perdido uma cobrança na disputa de pênaltis e deixou o campo profundamente abalado. Naquele momento, a sensação era de que o melhor jogador de sua geração poderia terminar a carreira internacional sem conquistar um grande título pela Argentina.

A reação no país foi completamente diferente das críticas que haviam marcado os anos anteriores. Torcedores foram às ruas, companheiros pediram sua volta e a própria seleção passou a tratar sua continuidade como prioridade. Messi reconsiderou a decisão e retornou poucos meses depois, ajudando a Argentina a garantir classificação para a Copa do Mundo de 2018.

O Mundial da Rússia também terminou em frustração, com eliminação para a França nas oitavas de final, mas o ciclo seguinte produziria uma mudança profunda. Sob o comando de Lionel Scaloni, a seleção passou a ser organizada ao redor de um grupo mais equilibrado, com menor dependência de ações individuais e um ambiente diferente daquele encontrado por Messi em boa parte de sua carreira internacional.

O primeiro resultado importante veio na Copa América de 2021. A Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 no Maracanã e conquistou seu primeiro grande título com Messi na seleção principal. Para o jogador, aquela vitória encerrou uma sequência de finais perdidas e alterou definitivamente a discussão sobre sua relação com a camisa argentina.

No ano seguinte, a equipe também venceu a Finalíssima contra a Itália, mas o grande objetivo continuava sendo a Copa do Mundo.

O Mundial de 2022 mudou definitivamente sua história pela seleção

A Copa do Mundo do Catar começou da pior maneira possível para a Argentina. A seleção perdeu por 2 a 1 para a Arábia Saudita na estreia e entrou rapidamente em situação delicada no grupo. Messi marcou contra o México na segunda rodada, a equipe se recuperou e passou a crescer ao longo do torneio até chegar novamente a uma decisão.

A final contra a França se tornou uma das partidas mais marcantes da história das Copas. A Argentina abriu 2 a 0, sofreu o empate, voltou a ficar na frente na prorrogação e terminou o jogo em 3 a 3. Nos pênaltis, venceu por 4 a 2 e conquistou seu terceiro título mundial.

Messi marcou duas vezes na final e terminou a competição com sete gols. Aos 35 anos, levantou o troféu como capitão e completou o título que faltava em sua trajetória pela seleção. A imagem dele com a Copa do Mundo no Estádio Lusail passou imediatamente a ocupar um lugar central na história do futebol argentino.

O título também mudou a maneira como sua carreira internacional passou a ser avaliada. Durante muitos anos, a comparação com Diego Maradona esteve associada principalmente à ausência de uma Copa do Mundo conquistada por Messi. Depois de 2022, essa discussão perdeu um dos principais argumentos que a sustentavam.

A seleção ainda teve outro ciclo importante pela frente. Em 2024, Messi conquistou sua segunda Copa América, confirmando uma fase completamente diferente daquela vivida durante grande parte da carreira. A Argentina, que durante anos parecia encontrar maneiras diferentes de perder decisões, tornou-se uma equipe acostumada a chegar às fases finais e vencer.

Messi continuou mesmo depois desses títulos e decidiu disputar mais uma Copa do Mundo em 2026. Aos 39 anos, chegou ao torneio como um jogador diferente fisicamente daquele que havia dominado o futebol europeu, mas ainda central para a organização e para a liderança da seleção. A Argentina avançou novamente até a final, mas desta vez terminou com o vice-campeonato diante da Espanha.

A derrota encerrou a carreira de Messi em Copas do Mundo com um resultado doloroso, mas completamente diferente das frustrações que marcaram seus primeiros anos. Ele já não precisava daquela final para modificar sua relação com a Argentina. O título de 2022, as duas Copas América e a continuidade por mais de duas décadas haviam consolidado uma trajetória que resistia muito além de um único resultado.

Ao longo de seis Mundiais, Messi se tornou também um dos jogadores mais presentes da história da competição. Participou das edições de 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026, alcançando duas finais antes da conquista no Catar e voltando à decisão quatro anos depois. Essa longevidade é particularmente rara para um jogador ofensivo que iniciou a carreira internacional ainda adolescente.

Uma despedida que encerra uma das maiores carreiras internacionais do futebol

Messi chega ao último jogo como o maior artilheiro da história da seleção argentina e também como o jogador que mais vezes vestiu sua camisa. Antes da despedida contra Benin, acumulava 125 gols em 207 partidas, números que mostram tanto sua capacidade de produção quanto a duração de sua presença na equipe nacional.

Os gols, entretanto, explicam apenas parte de sua importância. Durante diferentes momentos da carreira, Messi precisou assumir funções distintas. Foi ponta, meia, segundo atacante e principal organizador ofensivo, além de ter se tornado capitão e referência de um elenco que atravessou várias renovações.

Poucos jogadores permaneceram por tanto tempo no centro de uma seleção de primeiro nível. Entre sua estreia e sua despedida, companheiros, treinadores e gerações inteiras mudaram. Messi atuou ao lado de jogadores como Juan Román Riquelme, Javier Mascherano, Carlos Tévez, Sergio Agüero, Ángel Di María, Lautaro Martínez e Julián Álvarez, atravessando momentos muito diferentes do futebol argentino.

A carreira também acompanhou uma mudança na forma como os próprios torcedores passaram a enxergá-lo. Durante anos, existia a ideia de que Messi era mais identificado com Barcelona do que com seu país, ou de que faltava a ele a mesma conexão emocional associada a Maradona. Parte dessas críticas ignorava a personalidade diferente dos dois jogadores e colocava sobre Messi uma expectativa difícil de reproduzir.

Os resultados ajudaram a modificar essa relação, mas não foram os únicos responsáveis. O retorno depois da aposentadoria de 2016, a permanência em momentos difíceis e a decisão de continuar tentando mesmo depois de sucessivas derrotas também pesaram. Quando finalmente chegaram os títulos, a imagem de Messi na Argentina já estava sendo reconstruída havia alguns anos.

A despedida no Monumental representa justamente o ponto final dessa transformação. Ele não deixa a seleção tentando explicar por que não conseguiu vencer, como parecia possível em 2016. Deixa como capitão campeão mundial, bicampeão da Copa América, recordista de jogos e gols e um dos principais responsáveis pelo período mais vitorioso da Argentina desde a geração de Maradona.

O amistoso contra Benin foi organizado para que esse encerramento acontecesse de uma maneira diferente da derrota na final da Copa de 2026. Em vez de uma saída silenciosa depois de um resultado frustrante, Messi terá uma partida dedicada à sua trajetória, diante da torcida argentina e no estádio que se tornou um dos principais palcos da seleção nos últimos anos.

O futebol argentino continuará procurando respostas sobre a vida depois de Messi. A seleção possui uma geração competitiva, jogadores consolidados nas principais ligas e um treinador que participou de todo o ciclo recente, mas substituir mais de duas décadas de protagonismo não será uma mudança simples. A questão não será encontrar outro jogador para reproduzir exatamente aquilo que Messi fazia, mas reorganizar uma equipe que por muito tempo teve seu futebol e sua liderança associados ao camisa 10.

Para Messi, a despedida encerra uma relação que passou por praticamente todos os estágios possíveis. Houve expectativa, desconfiança, críticas, derrotas em finais, uma aposentadoria interrompida, retorno, títulos e finalmente uma Copa do Mundo. A própria dificuldade dessa trajetória ajuda a explicar por que o vínculo construído nos últimos anos se tornou tão forte.

Depois de mais de 20 anos, 207 partidas antes da despedida, 125 gols e seis Copas do Mundo, o jogador que durante tanto tempo foi cobrado por aquilo que ainda não havia conquistado termina sua passagem pela seleção argentina com uma lista de realizações que o coloca entre os maiores nomes da história do futebol internacional.

Tags: ArgentinaCopa do MundodestaqueFutebol InternacionalLionel MessiLionel ScaloniMonumental de Núñezseleção argentina

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