
Omar Artan viverá nesta quarta-feira (12) um momento histórico no futebol internacional. O árbitro somali foi escolhido para comandar a Supercopa da Uefa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, em Salzburgo, na Áustria, e se tornará o primeiro árbitro não europeu a apitar uma partida da competição.
A nomeação acontece apenas dois meses depois de uma das maiores frustrações da carreira de Artan. O árbitro de 34 anos estava entre os oficiais selecionados pela Fifa para a Copa do Mundo de 2026 e seria também o primeiro somali a trabalhar em um Mundial, mas acabou impedido de participar após ter sua entrada nos Estados Unidos negada.
Artan tinha visto válido, mas foi impedido de entrar nos EUA
Segundo a Reuters, Artan chegou aos Estados Unidos com visto válido, mas teve sua entrada recusada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras norte-americana. O governo dos Estados Unidos havia adotado restrições migratórias envolvendo cidadãos de países como a Somália.
O árbitro afirmou posteriormente que não recebeu uma explicação clara no momento da recusa. Autoridades norte-americanas disseram que ele havia sido considerado inadmissível por questões relacionadas à verificação de antecedentes. A Reuters informou ainda que um integrante do governo citou supostos vínculos com pessoas suspeitas de ligação com organizações terroristas. Não foi apresentada publicamente evidência de envolvimento de Artan com qualquer organização terrorista.
A impossibilidade de trabalhar na Copa foi descrita pelo próprio árbitro como um período extremamente difícil, especialmente depois de anos de preparação para chegar ao maior torneio do futebol mundial.
Uefa e CAF escolheram Artan para a Supercopa
A oportunidade na Supercopa surgiu a partir de um acordo de cooperação firmado entre Uefa e Confederação Africana de Futebol (CAF). O memorando prevê colaboração em diferentes áreas, incluindo intercâmbio e desenvolvimento da arbitragem.
A nomeação de Artan foi anunciada em junho, pouco depois de seu retorno dos Estados Unidos. Aleksander Čeferin, presidente da Uefa, destacou a experiência e o desempenho do somali no futebol africano, enquanto Patrice Motsepe, presidente da CAF, classificou a escolha como um reconhecimento à arbitragem do continente.
Artan será auxiliado por Liban Abdoulrazack Ahmed, do Djibuti, e Stephen Eleazar Onyango Yiembe, do Quênia. O esloveno Rade Obrenovič será o quarto árbitro, enquanto o italiano Marco Di Bello comandará o VAR.
Árbitro já vinha fazendo história na África
Omar Artan integra a lista internacional da Fifa desde 2018 e se tornou o primeiro árbitro da Somália a trabalhar na Copa Africana de Nações, em 2024. Em 2025, recebeu o prêmio de melhor árbitro masculino da CAF.
Na temporada 2025/26, também comandou a segunda partida da final da Liga dos Campeões da África, consolidando-se como um dos principais árbitros do continente.
Agora, sua trajetória terá outro capítulo inédito.
PSG, campeão da Champions League, e Aston Villa, vencedor da Liga Europa, disputam a Supercopa da Uefa na quarta-feira, 12 de agosto, às 16h de Brasília, em Salzburgo. Quando der o apito inicial, Artan terá alcançado na Europa uma marca histórica poucos meses depois de ser impedido de realizar o sonho de trabalhar na Copa do Mundo.