Renato Portaluppi está perto de voltar ao lugar que conhece melhor do que qualquer outro treinador. O Grêmio chegou a um acordo verbal com Renato Gaúcho para que ele reassuma o comando da equipe após a demissão de Luís Castro. A negociação avançou neste domingo e depende agora dos últimos trâmites burocráticos e da assinatura do contrato. Portanto, até o momento da publicação, o retorno ainda não foi anunciado oficialmente pelo clube.
Se tudo for concluído como previsto, Renato chega a Porto Alegre nesta segunda-feira para iniciar sua sexta passagem como treinador do Grêmio, segundo a contagem apresentada pelo UOL na apuração da negociação. Mais uma vez, o clube recorre ao maior ídolo de sua história em um momento de pressão. Desta vez, porém, o problema é urgente: o Tricolor está perigosamente próximo da zona de rebaixamento.
O Grêmio ocupa a 15ª colocação do Brasileirão, com 28 pontos, exatamente a mesma pontuação do Vasco, primeiro time dentro do Z4. A derrota por 2 a 1 para os cariocas na Arena aproximou ainda mais as equipes e encerrou o trabalho de Luís Castro.
A possível contratação de Renato, portanto, não acontece simplesmente por nostalgia. Ele voltaria com uma missão bastante clara: impedir que o Grêmio entre de vez na luta contra o quarto rebaixamento de sua história.
Luís Castro deixa o Grêmio pressionado pelo Brasileirão
A direção decidiu pela saída de Luís Castro depois de uma sequência que tornou a situação no Campeonato Brasileiro cada vez mais delicada.
O português deixa o clube após 50 partidas, com 19 vitórias, 15 empates e 16 derrotas, aproveitamento de aproximadamente 47%. O desempenho geral, porém, esconde um problema que se tornou especialmente pesado no Brasileirão: o Grêmio ainda não venceu como visitante nesta edição.
Em 13 jogos longe de casa pelo campeonato, o Tricolor somou apenas quatro pontos, com aproveitamento de 10,2%. Todos os outros 24 pontos foram conquistados como mandante. O desempenho fora é pior, inclusive, do que o registrado em 2021, temporada do último rebaixamento gremista.
O contraste da temporada é curioso. Enquanto sofre no Brasileirão, o Grêmio chegou à semifinal da Copa do Brasil depois de eliminar o Internacional e ainda tenta manter vivo um ano que, nas competições eliminatórias, apresentou uma versão muito mais competitiva da equipe.
Mas a tabela da Série A não permite mais esperar por uma reação espontânea. Foi nesse contexto que a diretoria decidiu trocar o comando.
Roger Machado e Zubeldía foram avaliados, mas Renato ganhou força
Renato não era o único nome analisado.
Depois da saída de Luís Castro, a direção gremista trabalhou também com Roger Machado e Luis Zubeldía como possíveis substitutos. A identificação de Portaluppi com o clube, no entanto, pesou na escolha, e as conversas avançaram rapidamente até o acordo verbal alcançado no domingo.
A decisão coloca novamente uma pergunta conhecida entre os gremistas: existe algum treinador ao qual o clube recorra com tanta confiança em momentos de necessidade?
Renato não é apenas um técnico que teve sucesso no Grêmio. Sua relação com a instituição atravessa décadas, primeiro como jogador decisivo na conquista mundial de 1983 e depois como treinador da equipe mais vencedora do clube neste século.
Foi com ele no banco que o Grêmio encerrou um jejum de grandes títulos ao conquistar a Copa do Brasil de 2016, levantou sua terceira Libertadores em 2017 e ganhou a Recopa Sul-Americana de 2018, além de títulos estaduais.
Mas esta possível nova passagem começa em um contexto completamente diferente daquele time campeão.
Renato já encontrou o Grêmio ameaçado pelo Z4 antes
Há, porém, um precedente particularmente interessante.
Quando Renato assumiu o Grêmio em 2010, encontrou uma equipe envolvida diretamente na luta contra o rebaixamento. Na 17ª rodada daquele Brasileirão, o Tricolor estava dentro do Z4. Sob seu comando, iniciou uma recuperação que levou o time da parte inferior da classificação até a disputa pelas primeiras posições.
Na 36ª rodada, depois de vencer o Athletico-PR por 3 a 1, o Grêmio chegou ao G4. A equipe havia saído da zona de rebaixamento para entrar na briga pela Libertadores em menos de um turno.
Em 2013, Renato voltou e levou o clube ao vice-campeonato brasileiro. Já no período iniciado em 2016, viveu sua passagem mais vitoriosa, com Copa do Brasil, Libertadores, Recopa e uma sequência de títulos estaduais.
Em 2022, também retornou em uma situação delicada, desta vez com o Grêmio disputando a Série B e pressionado para conseguir o acesso. A missão terminou com o retorno à primeira divisão. O ciclo se estendeu até o fim de 2024, quando Renato deixou o clube depois de 141 partidas naquela passagem.
Ou seja, recorrer a Renato em um momento de emergência não seria exatamente uma novidade.
Desta vez, o desafio começa com o Grêmio sem vencer fora de casa
O principal problema imediato está longe da Arena.
O Grêmio chegou à 27ª rodada sem conseguir uma única vitória como visitante no Brasileirão. Essa fragilidade ajuda a explicar por que um time capaz de conquistar 24 pontos em casa ainda está praticamente empatado com a zona de rebaixamento.
Renato precisará encontrar rapidamente uma forma de fazer a equipe competir fora de Porto Alegre, além de recuperar emocionalmente um elenco que sofreu derrotas consecutivas para adversários envolvidos na parte inferior da tabela. Primeiro veio o 1 a 0 para o Vitória. Depois, o Vasco venceu por 2 a 1 dentro da Arena e alcançou os mesmos 28 pontos do Grêmio.
Não existe muito espaço para um período longo de adaptação.
O próximo compromisso gremista é contra o Botafogo, e a direção havia colocado Felipão, atual coordenador técnico, como responsável interino enquanto buscava o substituto de Luís Castro. Com o avanço das conversas com Renato, o planejamento poderá ser revisto conforme a assinatura e a definição oficial do novo comando.
O Grêmio volta a procurar sua solução mais conhecida
A discussão em torno da provável contratação vai além de saber se Renato é ou não capaz de evitar o rebaixamento.
O treinador representa um nível de identificação raríssimo no futebol brasileiro. Conhece a pressão da torcida, o ambiente interno, a Arena e a dimensão política do clube como poucos. Também já mostrou capacidade para assumir o Grêmio em momentos difíceis e obter respostas rápidas.
Ao mesmo tempo, uma sexta passagem inevitavelmente levanta outra questão: até que ponto recorrer repetidamente ao mesmo nome resolve os problemas estruturais e esportivos que continuam reaparecendo?
Essa resposta só poderá começar a aparecer dentro de campo. Antes disso, ainda falta o passo fundamental: contrato assinado e anúncio oficial.
Por enquanto, a situação é esta: Renato Gaúcho e Grêmio chegaram a um acordo verbal e estão próximos de mais uma reunião. Desta vez, com o clube novamente olhando para o Z4 e pedindo ao maior ídolo de sua história que encontre outra saída.
