Rogério Caboclo está de volta à política do futebol brasileiro. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta segunda-feira (10) que será candidato à presidência do São Paulo na eleição marcada para o fim de 2026. Conselheiro vitalício do clube, o dirigente tenta construir uma chapa de oposição à atual gestão de Harry Massis Júnior.
A movimentação vinha sendo preparada havia meses, mas ganhou força na última semana, depois do vazamento de imagens de um jantar de Caboclo com integrantes do Conselho Deliberativo. Entre os presentes estava Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho, que posteriormente confirmou publicamente seu apoio à candidatura.
Caboclo precisa montar chapa para disputar eleição
A eleição do São Paulo está prevista para a primeira quinzena de dezembro e definirá a diretoria para o triênio de 2027 a 2029. Caboclo agora trabalha para reunir o apoio necessário entre os conselheiros vitalícios e formalizar sua chapa.
Pelas regras estatutárias citadas pela Folha de S.Paulo, são necessárias inicialmente 55 assinaturas de conselheiros vitalícios para registrar uma chapa própria. O cenário pode ser alterado dependendo do número de grupos que conseguirem atingir o mínimo exigido.
O atual presidente Harry Massis Júnior ainda pode disputar a eleição, apesar de ter afirmado anteriormente que faria uma administração de transição. Outros grupos políticos também articulam alternativas. Marcelo Portugal Gouvêa, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, é um dos nomes defendidos por uma ala da oposição que rejeita Caboclo.
🚨🚨🚨 URGENTE: Rogério Caboclo será candidato à presidência do São Paulo.
Ex-dirigente da CBF costurou acordo com setores da oposição para disputar o pleito de dezembro.
Anúncio oficial virá ainda hoje. pic.twitter.com/dhdg97nunH
— Valentin Furlan (@valentinfurlan_) August 10, 2026
Qual é a ligação de Rogério Caboclo com o São Paulo?
Apesar de ter ficado nacionalmente conhecido pela passagem pela CBF, Caboclo possui uma relação antiga com o São Paulo.
Ele é filho de Carlos Caboclo, dirigente histórico do Tricolor que teve forte atuação política no clube. Rogério foi diretor adjunto de marketing do São Paulo no início da década de 1990 e, posteriormente, diretor financeiro durante a gestão de Paulo Amaral, entre 2000 e 2002. Atualmente, é conselheiro vitalício.
Sua carreira como dirigente, porém, foi construída principalmente fora do Morumbis. Caboclo trabalhou durante anos na Federação Paulista de Futebol antes de chegar à estrutura da CBF, onde ocupou diferentes funções até alcançar a presidência.
O que aconteceu com Rogério Caboclo na CBF?
A passagem pela CBF será inevitavelmente um dos principais temas da campanha.
Caboclo foi eleito em 2018 e assumiu a presidência da entidade em abril de 2019. Seu mandato deveria terminar em 2023, mas ele foi afastado em junho de 2021 depois que uma funcionária apresentou à Comissão de Ética denúncias de assédio sexual e moral. O dirigente sempre negou as acusações.
A denúncia ganhou grande repercussão após a divulgação de gravações feitas pela funcionária. Entre os áudios revelados pelo Fantástico estava uma conversa na qual Caboclo fazia perguntas de caráter íntimo à subordinada. Também constavam da denúncia relatos de outros comportamentos considerados abusivos.
Em setembro de 2021, a Assembleia Geral da CBF referendou por unanimidade uma punição da Comissão de Ética e suspendeu Caboclo por 21 meses. Além do caso envolvendo a funcionária, o processo interno concluiu que o dirigente havia utilizado recursos da entidade de maneira inadequada para aquisição de bebidas alcoólicas.
Pouco depois, a Comissão de Ética aplicou outra punição de 20 meses, relacionada a uma denúncia de assédio moral apresentada por um então diretor da CBF. Em fevereiro de 2022, após a aprovação das punições internas, Caboclo acumulava 41 meses de proibição de participar de atividades relacionadas ao futebol, encerrando definitivamente sua possibilidade de completar o mandato presidencial.
Processos na Justiça terminaram sem condenação
É importante separar as punições internas da CBF dos processos na Justiça.
As acusações contra Caboclo não resultaram em condenação judicial. Em 2022, os procedimentos relacionados às denúncias de assédio sexual foram arquivados ou trancados. Em um dos casos, o Ministério Público entendeu que não havia materialidade suficiente; em outro, a defesa conseguiu o trancamento da ação por meio de habeas corpus.
No episódio que inicialmente provocou seu afastamento da CBF, Caboclo realizou um acordo com o Ministério Público. O acordo não representou admissão de culpa. Já o ex-diretor que havia denunciado assédio moral posteriormente retirou a acusação e declarou ter apresentado a reclamação de maneira precipitada após uma discussão com o então presidente.
Atualmente, ele não ocupa qualquer cargo na CBF. A candidatura ao São Paulo representa seu retorno direto a uma disputa por um cargo de comando no futebol após os episódios que encerraram sua passagem pela confederação.
Nome provoca divisão na política do São Paulo
A candidatura já provoca resistência.
Parte dos grupos que fazem oposição à atual administração não aceita apoiar Caboclo. Integrantes do movimento Salve o Tricolor Paulista, por exemplo, defendem Marcelo Portugal Gouvêa e afirmaram que o histórico envolvendo o ex-presidente da CBF pode prejudicar a imagem institucional do São Paulo.
Por outro lado, Caboclo conseguiu reunir figuras influentes do Conselho. Olten Ayres tornou público seu apoio e classificou a articulação como uma posição política legítima construída a partir do diálogo entre integrantes do colegiado.
A candidatura transforma a eleição de dezembro em uma disputa ainda mais intensa. Depois de cinco anos longe do comando de uma grande instituição esportiva, Rogério Caboclo tenta reconstruir sua trajetória justamente no clube ao qual está ligado politicamente há décadas.




