
O Santos decidiu utilizar a premiação conquistada com a classificação às oitavas de final da Copa Sul-Americana para pagar parte das dívidas mantidas com o próprio elenco.
A vitória sobre a Universidad Central, da Venezuela, garantiu ao clube US$ 600 mil, aproximadamente R$ 3,08 milhões. A prioridade da diretoria será diminuir os atrasos relacionados aos direitos de imagem dos jogadores.
Atualmente, o Santos deve dois meses dessa remuneração ao elenco. O valor recebido da Conmebol não será suficiente para resolver todos os problemas financeiros, mas ajudará o clube a reduzir as pendências e tentar recuperar a confiança dos atletas.
A diretoria também considera fundamental avançar na Copa do Brasil. O Peixe enfrentará o Remo nas oitavas de final e receberá mais R$ 4 milhões da Confederação Brasileira de Futebol caso alcance as quartas. Esse dinheiro também seria direcionado aos pagamentos atrasados.
Premiação veio com classificação na Sul-Americana
O Santos garantiu a vaga nas oitavas da Sul-Americana ao eliminar a Universidad Central nos playoffs da competição.
No primeiro confronto, disputado na Venezuela, o time brasileiro venceu por 4 a 1. A vantagem permitiu que a equipe administrasse a partida de volta na Vila Belmiro e confirmasse a classificação.
Além da importância esportiva, a permanência no torneio possui impacto direto no orçamento do clube. A vaga representou uma receita adicional de US$ 600 mil, convertida em pouco mais de R$ 3 milhões.
Na próxima fase, o Santos enfrentará o Macará, do Equador. Caso elimine o adversário e alcance as quartas de final, continuará acumulando valores dentro da tabela de premiações da Conmebol.
Uma classificação posterior para a semifinal renderia mais US$ 700 mil, cerca de R$ 3,6 milhões na cotação utilizada pela imprensa brasileira.
Direitos de imagem estão atrasados
A prioridade do Santos é pagar dois meses de direitos de imagem devidos aos jogadores.
No futebol brasileiro, é comum que a remuneração dos atletas seja dividida entre o salário registrado na carteira de trabalho e um contrato separado pelo uso comercial da imagem. Mesmo não sendo formalmente parte do salário, os direitos de imagem representam uma parcela significativa do valor recebido mensalmente por muitos jogadores.
Os atrasos chegaram a três meses durante a temporada. O Santos conseguiu reduzir parte da pendência, mas ainda não colocou os pagamentos completamente em dia.
O clube também enfrentou atraso de um mês nos salários registrados e possui problemas relacionados ao recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dos atletas. A dificuldade está ligada principalmente à falta de fluxo de caixa para atender todos os compromissos assumidos.
Copa do Brasil ganha importância financeira
O confronto contra o Remo passou a ser tratado como decisivo também fora de campo.
Santos e Remo disputarão uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil em duas partidas. O primeiro duelo será realizado na Vila Belmiro, enquanto a decisão acontecerá em Belém.
De acordo com a tabela de premiações divulgada pela CBF, cada clube classificado às quartas receberá R$ 4 milhões. A diretoria santista pretende utilizar essa quantia para continuar reduzindo os débitos com os atletas.
Dessa maneira, a equipe joga por uma vaga na próxima fase e por uma receita maior do que a obtida com a classificação recente na Sul-Americana.
As premiações das competições eliminatórias ganharam importância no planejamento financeiro do Santos. Diferentemente das receitas recorrentes, esses valores entram no caixa de acordo com o desempenho esportivo e podem aliviar necessidades imediatas.
O problema é que a estratégia também aumenta a dependência dos resultados dentro de campo. Uma eliminação significa não apenas a perda da oportunidade de disputar um título, mas também a interrupção de uma fonte importante de recursos.
Santos já recebeu R$ 12 milhões em premiações
Ao longo de 2026, o Santos acumulou aproximadamente R$ 12 milhões em bônus pela participação e pelos avanços na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil.
Foram pouco mais de R$ 7 milhões recebidos na competição continental e cerca de R$ 5 milhões no torneio nacional. Boa parte desse dinheiro já foi direcionada para diminuir problemas financeiros da atual gestão.
Mesmo assim, os recursos não foram suficientes para equilibrar as contas. A folha salarial elevada, os compromissos assumidos em contratações e as dívidas acumuladas por diferentes administrações continuam pressionando o caixa.
A situação também limita o planejamento esportivo. Parte do dinheiro que poderia ser destinada a reforços, melhorias estruturais ou investimentos nas categorias de base precisa ser utilizada para pagar obrigações já vencidas.
Atrasos provocaram cobranças na Justiça
As pendências com os jogadores já produziram consequências jurídicas.
Tiquinho Soares conseguiu a rescisão contratual com o Santos após recorrer à Justiça. Os atrasos nos direitos de imagem apareceram entre os principais argumentos apresentados pelo atacante.
Mayke também entrou com uma ação para romper seu vínculo, que originalmente seria válido até dezembro de 2027. No caso do lateral, a defesa apontou pendências envolvendo salários, direitos de imagem, FGTS e luvas.
As cobranças representam um risco esportivo e financeiro. Além de perder jogadores sem receber compensação por uma transferência, o Santos pode ser condenado a pagar valores atrasados, multas e outras indenizações.
O clube tenta negociar diretamente com os atletas e seus representantes para evitar o crescimento do número de processos.
Dívida do Santos supera R$ 1 bilhão
A crise com o elenco faz parte de um cenário financeiro mais amplo.
A dívida total do Santos ultrapassa R$ 1 bilhão, considerando compromissos bancários, tributários, trabalhistas e esportivos. O clube também sofreu uma proibição de registrar novos jogadores imposta pela FIFA por causa de uma pendência com o Monaco relacionada à contratação de Jean Lucas.
A diretoria precisa dividir os recursos disponíveis entre diferentes credores. Ao mesmo tempo, tenta manter um elenco competitivo para disputar o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Sul-Americana.
O retorno esportivo de Neymar e a montagem de um grupo com jogadores experientes elevaram as expectativas para a temporada, mas também aumentaram as obrigações mensais.
Sem uma entrada constante de dinheiro suficiente para cobrir os gastos, o Santos passou a depender de novas receitas, negociações de atletas, acordos comerciais e premiações.
Desempenho em campo pode aliviar a crise
A classificação na Sul-Americana oferece apenas um alívio temporário. Os pouco mais de R$ 3 milhões ajudarão a diminuir os direitos de imagem atrasados, mas não resolverão os demais compromissos financeiros do clube.
Por isso, as próximas fases das copas ganharam uma importância ainda maior. Avançar contra o Remo garantiria mais R$ 4 milhões, enquanto uma campanha longa na Sul-Americana poderia proporcionar novas receitas em moeda estrangeira.
A diretoria espera utilizar esses recursos para colocar os pagamentos do elenco em dia e diminuir o risco de novas ações judiciais.
Enquanto busca soluções permanentes para uma dívida superior a R$ 1 bilhão, o Santos tenta transformar o desempenho dentro de campo em uma ferramenta para reorganizar o caixa.