
A situação financeira do Vasco ganhou um novo grau de preocupação. Caso o empréstimo de R$ 150 milhões negociado com a Almirante Participações não seja liberado, credores podem questionar a continuidade da recuperação judicial e até apresentar pedidos de falência contra o clube.
O cenário ainda é tratado como prematuro, e um eventual pedido não significaria que o Vasco entraria automaticamente em falência. O clube teria direito de se defender e qualquer medida dependeria de análise da Justiça. O alerta foi feito por advogados que representam credores envolvidos no processo de recuperação judicial.
O principal problema é o caixa. Segundo documentos apresentados pelo próprio Vasco, a SAF possui recursos para cumprir suas obrigações apenas até 31 de agosto. A partir de setembro, a entrada de dinheiro novo passa a ser considerada essencial para manter pagamentos de salários, credores, impostos, agentes e outros compromissos.
O clube estima uma necessidade de aproximadamente R$ 83 milhões até o fim de agosto, valor que pode chegar aos R$ 150 milhões até outubro. O CEO da SAF, Fred Luz, já havia alertado que a ausência do financiamento poderia provocar atrasos e até consequências esportivas, como novos problemas de registro de atletas.
Justiça ainda não liberou o dinheiro
O empréstimo seria concedido pela Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, que também negocia a aquisição de 90% da SAF vascaína. A operação é estruturada como um financiamento DIP, modalidade destinada a empresas em recuperação judicial e que garante prioridade de pagamento ao financiador.
A Justiça, porém, ainda não autorizou o novo endividamento. A juíza Simone Gastesi Chevrand determinou a realização de uma auditoria independente e pediu esclarecimentos adicionais sobre as projeções financeiras apresentadas pelo Vasco. O clube tentou derrubar a exigência, mas a trava foi mantida.
A magistrada também demonstrou preocupação com a relação entre o empréstimo e a possível venda da SAF. Considerando um financiamento anterior de R$ 80 milhões da Crefisa, outros R$ 40 milhões já emprestados pela Almirante e a nova operação de R$ 150 milhões, o grupo ligado à família Lamacchia poderia acumular aproximadamente R$ 270 milhões em créditos contra o Vasco.
Também houve questionamentos porque parte relevante das projeções apresentadas pelo clube envolve gastos com reforços. Documentos apresentados à Justiça indicavam cerca de R$ 86 milhões previstos para contratações entre agosto e setembro, mesmo diante da situação de caixa descrita como crítica.
Credores também querem o empréstimo
Curiosamente, parte dos próprios credores defende a liberação do dinheiro.
Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores trabalhistas, afirmou que o financiamento foi aprovado em assembleia justamente porque já existia preocupação com a capacidade financeira do clube. Para ele, a ausência do dinheiro pode ser mais prejudicial do que o aumento do endividamento.
O raciocínio é simples: se o Vasco deixar de cumprir salários ou parcelas da recuperação judicial, aumenta o risco de questionamentos contra o próprio plano. Nesse cenário, alguns credores poderiam pedir a falência, embora qualquer solicitação ainda passasse por um processo judicial antes de produzir consequências concretas.
A Vasco SAF informou ao UOL que não pretende comentar o assunto enquanto o processo estiver em andamento.





