
Carlo Ancelotti decidiu não fazer mistério para o primeiro compromisso da Seleção Brasileira depois da Copa do Mundo de 2026. Nesta quinta-feira, o treinador confirmou antecipadamente a equipe que enfrentará a Austrália na sexta, às 7h de Brasília, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. O Brasil terá um ataque formado por Vinicius Júnior, Endrick, Estêvão e Raphinha, enquanto Matheuzinho e Vitor Reis farão suas primeiras partidas pela seleção principal.
O Brasil começará com Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis e Douglas Santos; Danilo Santos e Bruno Guimarães; Raphinha, Estêvão, Endrick e Vinicius Júnior. É uma formação bastante ofensiva e que mistura jogadores já estabelecidos na Seleção com nomes que começam agora a ser avaliados para o ciclo até a Copa de 2030.
A partida será a primeira de três durante a chamada Super Data Fifa. Brasil e Austrália voltarão a se enfrentar na terça-feira, dia 29, desta vez em Brisbane. Depois, a delegação brasileira seguirá para a Índia, onde enfrentará a seleção local em 3 de outubro, em Calcutá.
Quarteto ofensivo é o principal teste de Ancelotti
A escolha de Vinicius Júnior, Estêvão, Raphinha e Endrick juntos é o ponto que mais chama atenção na primeira formação brasileira do novo ciclo. Endrick será a referência mais adiantada, enquanto Vini e Estêvão podem ocupar os lados do campo. Raphinha, que no Barcelona passou a atuar com frequência em posições mais interiores, oferece a Ancelotti a possibilidade de aproximar o meio-campo dos três atacantes sem necessariamente manter uma estrutura fixa durante toda a partida.
O desenho inicial tende a se aproximar de um 4-2-3-1, embora a característica dos jogadores permita ao Brasil atacar com quatro homens bastante próximos. Bruno Guimarães e Danilo Santos formarão a dupla responsável pela saída de bola e pelo equilíbrio defensivo. Com quatro jogadores de vocação ofensiva à frente, a maneira como os dois conseguirão controlar os espaços deixados nas transições será um dos pontos importantes a observar contra os australianos.
A presença de Endrick e Estêvão também mostra que Ancelotti não pretende utilizar apenas o tempo de jogo nos clubes como critério para este início de ciclo. Os dois jovens ainda buscam maior continuidade no futebol europeu, mas são tratados como jogadores com potencial para ocupar espaço importante na Seleção nos próximos anos. A CBF já havia indicado, ao anunciar a convocação, que o trabalho neste período teria forte atenção à renovação e à integração com as categorias de base.
Matheuzinho e Vitor Reis estreiam entre os titulares
A renovação aparece também na defesa. Matheuzinho, do Corinthians, recebeu sua primeira convocação para a seleção principal e já começará jogando na lateral direita. Do outro lado estará Douglas Santos, enquanto Marquinhos permanece como a principal referência de experiência no sistema defensivo.
Ao lado do zagueiro do Paris Saint-Germain estará Vitor Reis, do Manchester City, outro jogador que fará sua estreia pela equipe principal. A escolha de Marquinhos para formar dupla com o jovem ajuda a preservar alguma estabilidade em uma defesa bastante modificada. O capitão do último Mundial é o jogador mais experiente do atual grupo, com mais de uma década de Seleção.
Hugo Souza será o goleiro. O jogador do Corinthians recebe uma oportunidade num momento em que Ancelotti começa a ampliar as opções para uma posição que teve uma hierarquia bastante definida durante boa parte dos ciclos anteriores.
As escolhas fazem parte de uma convocação bastante diferente da equipe que disputou a Copa do Mundo. A própria CBF apresentou a Data Fifa como o início do caminho brasileiro para 2030, com observação de novos nomes e maior integração entre a equipe principal e as seleções de base.
Primeiros jogos depois da Copa não terão um time definitivo
Apesar de anunciar a escalação com antecedência, Ancelotti já deixou claro que o grupo será bastante utilizado durante os três amistosos. Isso significa que a equipe escolhida para Townsville não deve ser entendida como uma formação definitiva para o novo ciclo. Há jogadores sendo testados, outros que chegaram à convocação após mudanças na lista original e uma quantidade grande de atletas jovens.
O contexto também dificulta a construção imediata de um modelo muito elaborado. A Seleção atravessou praticamente o planeta para disputar os amistosos na Austrália, e os jogadores chegaram ao país depois de compromissos por seus clubes em diferentes continentes. O primeiro período de preparação precisou conciliar treinamento com recuperação física e adaptação ao fuso horário.
Por isso, o jogo oferece a Ancelotti uma oportunidade principalmente para observar combinações. A convivência de Vini, Endrick, Estêvão e Raphinha, o funcionamento da dupla Bruno Guimarães e Danilo Santos e a resposta dos dois estreantes da defesa são questões mais importantes neste momento do que estabelecer uma formação que será mantida ao longo dos próximos quatro anos.
Austrália também começa uma renovação
O Brasil encontrará uma seleção australiana que vive um processo semelhante, embora tenha uma competição importante muito mais próxima. A equipe de Tony Popovic faz seus primeiros jogos desde a Copa do Mundo de 2026 e já direciona o planejamento para a Copa da Ásia de 2027, que será disputada em janeiro na Arábia Saudita.
A Austrália avançou da fase de grupos do Mundial, mas acabou eliminada pelo Egito nos pênaltis na fase de 32 avos. Popovic decidiu aproveitar o período seguinte para renovar parte do grupo: a primeira lista para os jogos contra o Brasil teve dez mudanças em relação ao elenco da Copa. Após cortes por lesão, o treinador trabalha atualmente com 25 jogadores.
Uma das decisões mais relevantes foi deixar fora o experiente goleiro Mathew Ryan. Aos 34 anos e com mais de 100 partidas pela seleção, Ryan já havia perdido a titularidade para Patrick Beach durante a Copa. Popovic afirmou que a ausência não significa o encerramento da passagem do antigo capitão pela seleção, mas indicou que deseja aproveitar os amistosos para observar novas alternativas.
A convocação atual inclui jogadores importantes do último ciclo, como Harry Souttar, Jackson Irvine e Nestory Irankunda, além do retorno de Riley McGree. Ao mesmo tempo, há vários atletas ainda sem partidas pela seleção principal. Entre os chamados pela primeira vez estão Jacob Chapman, Kealey Adamson, Eli Adams, Yaya Dukuly e Marcus Younis; Dylan Leonard e Kasey Bos também podem fazer suas estreias. Mohamed Toure e Alexander Robertson deixaram a convocação por lesão, e Nishan Velupillay foi chamado posteriormente.
Popovic explicou que parte desses jogadores ainda está em processo de desenvolvimento e que a intenção é colocá-los dentro do ambiente da seleção para acelerar essa adaptação. A Austrália pretende chegar à Copa da Ásia com um grupo mais amplo e, ao mesmo tempo, começar a preparar a equipe que disputará o próximo ciclo de Eliminatórias.
Como joga a Austrália de Tony Popovic
A equipe australiana tende a oferecer um tipo de desafio diferente para o ataque escolhido por Ancelotti. Desde que assumiu a seleção, Popovic construiu um time que aceita passar períodos sem a bola, procura manter as linhas compactas e tenta acelerar quando recupera a posse. Durante o ciclo para a Copa de 2026, a formação com três zagueiros e variações próximas do 3-4-2-1 apareceu com frequência.
Essa característica pode tornar o jogo útil justamente para testar a paciência ofensiva do Brasil. A tendência é de a seleção brasileira ter mais posse e precisar encontrar espaços contra uma equipe confortável defendendo em bloco. Quando recuperar a bola, a Austrália dispõe de jogadores capazes de acelerar as transições, especialmente com Irankunda, além de contar com a presença física de Harry Souttar nas bolas aéreas.
Jackson Irvine continua sendo uma referência importante no meio-campo australiano, enquanto Riley McGree retorna depois de ter ficado fora da Copa por lesão. A combinação entre jogadores experientes e uma quantidade considerável de jovens faz com que Popovic também não trate esses amistosos apenas como partidas de exibição. O próprio treinador afirmou que os confrontos com o Brasil representam o primeiro passo da preparação para a Copa da Ásia e para o próximo ciclo de classificação mundialista.
Brasil tem amplo domínio no histórico do confronto
Brasil e Austrália se enfrentaram nove vezes pelas seleções principais. A Seleção Brasileira venceu sete desses jogos, houve um empate e os australianos conseguiram uma vitória. O único triunfo da Austrália aconteceu na Copa das Confederações de 2001, quando venceu por 1 a 0 a disputa pelo terceiro lugar.
O encontro mais recente ocorreu em 2017, também em território australiano. O Brasil venceu por 4 a 0 em Melbourne, numa partida em que abriu o placar antes mesmo do primeiro minuto. Jackson Irvine, Aziz Behich e Milos Degenek, hoje entre os jogadores experientes do grupo de Popovic, já estavam naquela seleção.
Nove anos depois, os dois países chegam ao reencontro em momentos de transição. O Brasil tenta encontrar novas peças sem abandonar completamente a estrutura deixada pela última Copa, enquanto a Austrália acelera uma renovação pensando inicialmente no torneio continental do próximo ano. Para Ancelotti, o primeiro amistoso permitirá observar desde já como alguns dos principais talentos jovens do país se encaixam ao lado de jogadores que devem permanecer como referências da Seleção.
Brasil x Austrália será disputado nesta sexta-feira, às 7h de Brasília, em Townsville. As duas seleções voltam a se enfrentar quatro dias depois, em Brisbane.




