Corinthians e São Paulo começam neste sábado, 26 de setembro, a decidir o Campeonato Brasileiro Feminino de 2026. O primeiro Majestoso da final será disputado às 16h30, na Neo Química Arena, em São Paulo. A partida de volta está marcada para o sábado seguinte, 3 de outubro, também às 16h30, no MorumBIS, onde será conhecida a campeã nacional da temporada.
A decisão reúne as duas equipes de melhor campanha da primeira fase e coloca frente a frente características que ajudam a explicar por que Corinthians e São Paulo chegaram até aqui. As Brabas terminaram aquela etapa com o ataque mais produtivo da competição, enquanto as Soberanas tiveram a defesa menos vazada e fecharam a fase classificatória na liderança. O São Paulo somou 41 pontos em 17 partidas, contra 38 do Corinthians. O time alvinegro marcou 42 gols, melhor número da primeira fase, enquanto o Tricolor sofreu apenas 11, mesma marca do Palmeiras.
O confronto também reedita a final do Brasileirão Feminino de 2024. Naquela oportunidade, o Corinthians venceu os dois jogos, fez 3 a 1 no MorumBIS e 2 a 0 na Neo Química Arena, ficando com o título por 5 a 1 no placar agregado. Dois anos depois, o São Paulo chega à nova decisão em condição diferente: terminou a primeira fase à frente do rival e terá o direito de disputar o segundo jogo em casa.
Corinthians chega à décima final consecutiva
A presença do Corinthians na decisão já se tornou uma constante no futebol feminino brasileiro. O clube disputará sua décima final consecutiva do Campeonato Brasileiro e busca o oitavo título nacional. As Brabas são as atuais campeãs e chegam mais uma vez à última fase depois de atravessarem o mata-mata sem perder.
Nas quartas de final, o adversário foi o Cruzeiro. O Corinthians venceu a partida de ida por 1 a 0 e confirmou a classificação com uma vitória por 3 a 1 no Canindé, de virada, com gols de Jhonson, Tamires e Thaís Ferreira. O confronto também mostrou uma característica que vem acompanhando o time ao longo da temporada: mesmo quando encontra dificuldades, há diferentes jogadoras capazes de decidir.
Na semifinal, contra o Bahia, a eficiência apareceu novamente. O Corinthians ganhou as duas partidas por 1 a 0, primeiro na Arena Fonte Nova e depois na Neo Química Arena. Jhonson marcou os dois gols do confronto e teve papel central na classificação. No jogo de volta, as Brabas ainda precisaram administrar parte considerável da partida com uma jogadora a menos depois da expulsão de Thaís Regina.
A atacante chega à final como uma das principais referências ofensivas do time. Jhonson tem sete gols na competição e também foi convocada por Arthur Elias para os próximos compromissos da Seleção Brasileira, assim como Thaís Ferreira, Duda Sampaio e Jaque. O desempenho recente ajuda a explicar por que seu nome ganhou ainda mais importância na reta decisiva.
O Corinthians, no entanto, terá problemas para montar a defesa neste primeiro jogo. Thaís Regina está suspensa depois da expulsão contra o Bahia e não poderá atuar. Agustina Barroso aparece como principal candidata à vaga. Erika, que ficou fora do segundo jogo da semifinal por um desconforto no joelho esquerdo, é dúvida, assim como Ana Vitória, que se recupera de uma lesão muscular e também perdeu os últimos compromissos.
A provável formação de Emily Lima tem Nicole Ramos ; Erika ou Agustina Barroso, Duda Mineira e Thaís Ferreira; Gi Fernandes, Duda Sampaio, Vic Albuquerque, Belén Aquino e Tamires; Gabi Zanotti e Jhonson no setor ofensivo. A estrutura permite que o Corinthians varie bastante durante a partida, com alas avançando e jogadoras como Vic Albuquerque e Gabi Zanotti ocupando espaços próximos da área.
São Paulo chega embalado e com a melhor campanha
Se o Corinthians carrega a experiência de decisões consecutivas, o São Paulo chega à final sustentado pela regularidade mostrada durante toda a competição. As Soberanas terminaram a primeira fase na liderança, com 13 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas. Foram 31 gols marcados e somente 11 sofridos, números que deram ao time a melhor campanha do campeonato antes do mata-mata.
O momento recente também é muito positivo. O São Paulo chega à final depois de uma sequência de dez vitórias e um empate em seus últimos 11 compromissos pelo Brasileiro. Nas quartas de final, eliminou o Grêmio. Na semifinal, enfrentou o Flamengo e construiu uma vantagem importante já no Rio de Janeiro, vencendo por 3 a 1. Na volta, no Brinco de Ouro da Princesa, Kesia marcou nos minutos finais e garantiu a vitória por 1 a 0, fechando o confronto em 4 a 1 no agregado.
A defesa é um dos principais pilares da campanha. Carlinha se consolidou no gol, enquanto Tayla é uma das referências da última linha e também recebeu convocação para a Seleção Brasileira. O time de Thiago Viana consegue defender com bloco compacto, mas não depende exclusivamente de uma postura reativa. Ao longo da primeira fase, o São Paulo mostrou capacidade para ter a bola, controlar partidas e ocupar o campo adversário sem perder a organização quando precisa recompor.
Para o jogo deste sábado, o treinador não tem desfalques confirmados e pode repetir a equipe que iniciou a vitória sobre o Flamengo. A formação provável tem Carlinha; Bruna Calderan, Tayla e Carol Gil; Duda Serrana, Karla Alves, Robinha e Bia Menezes; Isa Guimarães, Aline Milene e Vi Amaral, com Giovanna Crivelari também disputando espaço no ataque.
O fato de o São Paulo ter praticamente todo o elenco disponível também pode ser importante numa final disputada em dois jogos. Diferentemente do Corinthians, que precisará reorganizar parte do sistema defensivo, Thiago Viana tem condições de manter uma estrutura que funcionou bem na semifinal e durante boa parte da campanha.
Primeiro encontro terminou com vitória do Corinthians
Apesar de o São Paulo ter encerrado a primeira fase na liderança, o Corinthians venceu o confronto direto entre os dois times. Em 11 de maio, no Parque São Jorge, as Brabas fizeram 2 a 1 pela décima rodada da competição. É a única partida entre as equipes até agora neste Brasileirão.
O resultado reforça o equilíbrio que acompanha a decisão. A classificação geral aponta uma pequena vantagem são-paulina em regularidade, enquanto o confronto direto ficou com o Corinthians. O mata-mata também apresentou caminhos diferentes: as Brabas avançaram com resultados mais apertados e forte eficiência defensiva; o São Paulo foi mais contundente contra o Flamengo e chega com uma sequência maior de invencibilidade.
Outro ponto importante é o mando da segunda partida. Em 2024, foi o Corinthians quem decidiu em casa depois de vencer a ida no MorumBIS. Desta vez, o cenário foi invertido porque o São Paulo acumulou mais pontos ao longo da competição. Isso dá ainda mais importância ao jogo deste sábado para as Brabas, que tentam construir alguma vantagem antes de visitar o rival.
Um título com significados diferentes para os dois clubes
Para o Corinthians, a final representa a possibilidade de ampliar um domínio nacional que já atravessou diferentes elencos e comissões técnicas. O clube conquistou seis títulos entre 2018 e 2024 e voltou a ser campeão em 2025, chegando agora à decisão em busca da oitava taça. Além dos títulos, a sequência de dez finais consecutivas mostra uma estabilidade difícil de encontrar em competições nacionais de alto nível. CBF
O São Paulo tenta construir outra história. O clube foi campeão brasileiro em 1997 e voltou a disputar uma decisão nacional da elite em 2024, justamente contra o Corinthians. A derrota daquela temporada ainda é uma referência recente, mas o time de 2026 chega à final depois de apresentar uma campanha mais sólida e com a vantagem esportiva de decidir no MorumBIS.
Também existe uma diferença importante em relação ao peso financeiro da competição. A CBF aumentou a premiação nesta temporada: a campeã receberá R$ 2 milhões, enquanto a vice ficará com R$ 1 milhão. Cada participante da Série A1 também recebeu cota fixa de R$ 720 mil, além de valores adicionais ligados às transmissões nacionais.
Neo Química Arena abre uma decisão que termina no MorumBIS
O primeiro jogo será disputado em um palco que já faz parte da história recente do futebol feminino brasileiro. Foi na Neo Química Arena que Corinthians e São Paulo fizeram a segunda partida da final de 2024, diante de 44.136 pagantes, então recorde sul-americano de público para uma partida entre clubes femininos. Naquele dia, o Corinthians venceu por 2 a 0 e levantou a taça.
Agora, a ordem dos mandos muda. As Brabas recebem o rival primeiro, enquanto as Soberanas terão o MorumBIS para o encontro decisivo de 3 de outubro. A partida de ida, portanto, não definirá sozinha o título, mas pode alterar significativamente a maneira como os dois treinadores abordarão os últimos 90 minutos.
O Corinthians deve tentar aproveitar o mando e sua capacidade ofensiva para criar uma vantagem, enquanto o São Paulo tem como um de seus principais recursos justamente a consistência defensiva que marcou sua campanha. É a equipe que mais marcou na primeira fase contra uma das defesas mais eficientes do torneio, numa final entre os dois times que ocuparam as primeiras posições durante boa parte do campeonato.
O primeiro capítulo será disputado neste sábado. Corinthians x São Paulo começa às 16h30, na Neo Química Arena, com transmissão de TV Globo, sportv, ge tv, TV Brasil, N Sports e UOL. A volta acontece em 3 de outubro, às 16h30, no MorumBIS.




