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Alex Sandro: a segunda Copa do Mundo na reta final da carreira

Leandro Lainetti por Leandro Lainetti
24 de maio de 2026
no Internacional
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Alex Sandro em amistoso da Seleção Brasileira. Foto: John Walton

Talvez para a maioria do público brasileiro a primeira lembrança de Alex Sandro como jogador seja vestindo a camisa do Santos.

Não pense que a memória te traiu. Foi ali, no Peixe, que o lateral-esquerdo se destacou em 2010 e 2011, conquistando o bi-campeonato paulista, a Copa do Brasil e a Libertadores. 

Mas quatro anos antes, aos 15, ele chegou às categorias de base do Athletico para dar início a um currículo marcado por grandes times e títulos. A oportunidade surgiu após um amistoso entre o clube paranaense e o Catanduva, que o lateral defendia à época depois de receber respostas negativas de gigantes paulistas: o próprio Santos e o São Paulo.   

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Essa parte da trajetória se assemelha a de muitos jogadores da atual geração e de outras épocas da Seleção Brasileira. Na Peneira da equipe da Vila Belmiro ele até foi bem, mas foi cortado na última etapa. No São Paulo teve um dia ruim e não conseguiu mostrar a real capacidade que tinha. Sem perspectiva, foi às lágrimas. 

”Quando fui reprovado no teste do São Paulo, sentei na arquibancada do Morumbi e olhei para o campo, já com as lágrimas escorrendo. Pensando: ‘e agora? Será que eu nunca vou conseguir, que eu nunca vou ser jogador de futebol?’ Depois, estive com a Seleção Brasileira no mesmo estádio onde chorei um dia. É uma reviravolta na vida”, comentou o lateral em entrevista à CBF durante a Copa América de 2019.

Alex Sandro com a camisa do seu primeiro clube, o Athletico. Ao fundo, a camisa da Juventus, time em que mais atuou profissionalmente. Foto: Club Athletico Paranaense

Depois do não, as portas abertas da VIla Belmiro

A caminhada no Athletico foi rápida. Em dois anos saiu do sub-15 para o profissional, quando tinha 17 anos. Dois anos depois veio o empréstimo para o Santos, que lá atrás havia fechado as portas para Alex Sandro. 

Ao lado de Neymar e Ganso, a carreira virou. Os títulos e a titularidade absoluta no Peixe, que encantava o Brasil mais uma vez, chamaram atenção para o futebol do lateral-esquerdo, tanto que naquele mesmo ano já recebeu a primeira convocação para a Seleção Brasileira, na época comandada por Mano Menezes. 

A passagem no Peixe também foi curta, situação que passaria a mudar nas próximas equipes que o jogador viria a defender.

Alex Sandro em sua passagem pelo Santos. Foto: divulgação

Porto: um caminho comum aos brasileiros

Não é raro ver atletas brasileiros entrando na Europa por Portugal. Três grandes clubes que ajudam na experiência, evitam a barreira da língua e ao mesmo tempo são ótimas vitrines para os gigantes europeus. 

Assim, em julho de 2011, Alex foi (junto com Danilo) para o Porto, que gastou quase 10 milhões de euros para comprar o jogador. A primeira temporada, atrapalhada por uma lesão, não exatamente como ele imaginava. Ainda assim, terminou com o título nacional.

Na seguinte, já como titular absoluto dos Dragões, virou bicampeão português e também venceu a Supertaça de Portugal. Mais duas temporadas depois, hora de encarar um novo destino. Os quatro anos em alto nível pelo Porto despertaram atenção de alguns times e a Itália era a próxima parada. 

O Porto foi o primeiro clube europeu da carreira de Alex Sandro. Foto: Valerio Pennicino

Juventus: nove temporada, recordes e títulos, muitos títulos. 

A Velha Senhora desembolsou 26 milhões de euros para levá-lo a Turim em 2015. Uma passagem que não pode ser definida de outras formas que um sucesso absoluto e um período de aprendizados. Quase sempre como titular, entrou em campo pelo clube 327 vezes.

A marca é um recorde absoluto: Alex não somente é o brasileiro com mais partidas pela Juventus como também o estrangeiro que mais vezes vestiu a camisa bianconera. Para além dessa impressionante marca, conquistou 12 títulos.

Cinco títulos da Série A, além de Copas da Itália e Supercopas. O lateral que sempre soube o equilíbrio entre atacar e defender, aprendeu no clube de Turim muito mais do que sabia até então.

Em entrevista ao Podpah, ele contou que conheceu que foi na Itália que conheceu a exigente mentalidade vencedora, a atuar em várias posições numa defesa com linha de três ou quatro jogadores, além de como estrutura e exigências profissionais impactam no dia a dia dos atletas.

Sem dúvidas uma passagem marcante, mas que teve uma peça faltando: a Champions League. A derrota para o Real Madrid, em 2017, por 4×1, foi uma rara oportunidade de conquistar a Europa. Apesar de muitos anos de domínio interno, a Juve nunca mais chegou à final Continental depois desse dia.

Alex Sandro marcou época na Juventus. Foto: Marco Bertorello

Flamengo: retorno ao Brasil para continuar no topo

Quase uma década depois da chegada, era hora da partida. Em agosto de 2024, Alex Sandro rescindiu com a Juventus e voltou ao Brasil. O destino foi um rubro-negro, mas não o que deu as primeiras oportunidades no futebol, e sim o Flamengo. 

A missão não era fácil. Assumir a titularidade deixada pelo ídolo recém-aposentado, Filipe Luis, que naquele momento treinava o sub-20 do clube. Praticamente um mês depois, o ex-lateral viraria técnico do time principal. 

“Filipe Luís é um irmão para mim. Um profissional que eu sempre respeitei, sempre foi meu espelho, eu sempre olhava como o Filipe jogava, porque eu sempre quis aprender ao máximo com meus companheiros.”, disse ao desembarcar no Rio para assinar com o Flamengo.

A parceria deu certo. Com Filipe no comando, Alex conquistou a Copa do Brasil, Supercopa, Carioca, Brasileiro e Libertadores, isso em pouco mais de um ano com a camisa do rubro-negro.

Em 2025, já longe das melhores condições físicas, não faz boa temporada, embora ainda seja titular quando fica à disposição. Essa situação, que não atrapalhou sua convocação para a Copa do Mundo, gerou críticas por parte da imprensa e de torcedores brasileiros.

Na campanha do Flamengo na Libertadores 2025, Alex Sandro fez parte da equipe campeã. Foto: Ruano Carneiro (Getty Images)

Seleção Brasileira: segunda Copa como se fosse a primeira

Em 2022, Alex Sandro chegou ao Catar como um dos convocados mais experientes. Naquela Copa do Mundo, apenas seis jogadores tinham mais jogos e convocações do que ele: Alisson, Casemiro, Danilo, Marquinhos, Neymar e Thiago Silva.

Mas o torneio não foi como o lateral esperava. Ele jogou os dois primeiros jogos, sofreu problema muscular e retornou apenas no fim da partida contra a Croácia, justamente a que eliminou o Brasil nas quartas de final. A trajetória no Catar terminou sem título e com pouquíssima contribuição.

Agora em 2026, aos 35 anos, chega como um dos líderes do grupo e homem de confiança de Ancelotti. Com o italiano, foram três convocações, mas em duas não esteve em campo. Na última, para os amistosos contra França e Croácia, foi cortado por lesão, mais uma vez.

Um dos convocados mais questionados, seja pelo desempenho atual ou por questões físicas, Alex Sandro chegará aos EUA ciente de que essa será a última chance de conquistar o Hexa, e de provar que as críticas são exageradas.

Tags: Alex SandroCarlo AncelottiConvocação da SeleçãoCopa do MundodestaqueSeleção Brasileira

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