
Assim que nasceu, a ligação de Bremer com o futebol foi imediata. O nome escolhido pelos pais não veio de um parente, de um avô ou de alguma tradição familiar. Veio de Andreas Brehme, lateral da Alemanha Ocidental e autor do gol do título da Copa do Mundo de 1990 contra a Argentina.
O pai do jogador, Duzinha, que também era zagueiro quando jogava, admirava o alemão e decidiu homenageá-lo quando o filho nasceu, em Itapitanga, pequena cidade do interior da Bahia.
Décadas depois, o garoto que herdou aquele nome também seria um zagueiro de primeira linha, atuando no futebol conhecido justamente pela excelência defensiva. Mas até chegar ao topo da carreira, ele teve que correr atrás.
Atlético Mineiro: a saída da Bahia e os primeiros passos no profissional
O pai de Bremer também foi jogador, atuava como zagueiro em Campeonatos Intermunicipais no interior da Bahia, e ele cresceu cercado pelo futebol.
Curiosamente, durante boa parte da infância não jogava na posição atual. Em diversas categorias jogou como volante e até mais avançado, algo que ajudaria a explicar a qualidade técnica que demonstraria anos depois.
A primeira grande oportunidade surgiu quando chegou às categorias de base do Atlético Mineiro. Em uma história bem curiosa. Bremer pertencia ao Desportivo Brasil e estava emprestado ao sub-20 do São Paulo.
Em 2017, seu último ano na categoria, era reserva de Éder Militão no Tricolor, que decidiu não exercer a compra por 400 mil reais. Sem espaço no clube de origem, o empresário conseguiu negociá-lo com o Galo.
Bremer chegou e foi campeão da Copa do Brasil sub-20. Dias depois, estreou no profissional em uma partida contra a Chapecoense. Foram 15 jogos pelo elenco principal naquele ano. No seguinte, 18 partidas, 16 como titular e boas participações.
Na parada para a Copa da Rússia, veio a chance de cruzar o oceano e atuar no futebol italiano, famoso pelas fortes defesas e grandes zagueiros de renome no cenário mundial. O destino perfeito para quem precisava se desenvolver na função.

Torino: a transformação que mudou sua carreira
O clube de Turim desembolsou quase seis milhões de euros pelo zagueiro, uma quantia relativamente baixa para os padrões da época. A ida para a Itália mudou completamente a trajetória de Bremer.
Os primeiros meses foram difíceis. A adaptação ao idioma, ao país e principalmente ao futebol italiano exigiu paciência. A maior dificuldade foi se acostumar ao rigor tático e aprender sobre leitura de jogo.
Atuou pouco, muito pouco. Foram sete jogos, apenas 3 como titular e quando vinha do banco entrava praticamente no final das partidas. Na temporada seguinte o status de reserva mudaria radicalmente, o que também aconteceria nas duas seguintes.
“A minha primeira temporada na Itália (2018/19) foi toda dedicada ao aprendizado, evolução e adaptação. O treinador na época, (Walter) Mazzarri, me passou justamente que seria um período para me ambientar. Pude crescer muito como atleta e entendi a maneira do futebol italiano atuar, de intensidade e muita inteligência no posicionamento. Tudo isso foi fundamental para que eu pudesse ter um ano maravilhoso”, falou após o final da temporada 2020.
Bremer passou a ser titular absoluto desde o primeiro jogo da temporada 2019-20 e se consolidou como um dos pilares do time. Desse período em diante totalizou 103 jogos e 13 gols, chamando atenção de gigantes da Itália.
A evolução foi tão grande que na temporada 2021-22 recebeu o prêmio de Melhor Defensor do Campeonato Italiano, jogando por um time de meio de tabela. Nesse contexto, não era um reconhecimento qualquer.
A Série A sempre foi considerada uma das ligas mais exigentes do mundo para zagueiros. E agora um brasileiro estava sendo apontado como o melhor defensor do país que produziu nomes como Baresi, Maldini, Cannavaro e Chiellini. O prêmio, claro, colocou o zagueiro mais ainda no centro dos holofotes.

Juventus: a consolidação entre os melhores da Europa
Em julho de 2022, a Juventus venceu a disputa de mercado e anunciou a contratação de Bremer. Ele chegou a ter conversas adiantadas com a Inter de Milão e interesse de clubes de outras ligas europeias, como Tottenham, United e City.
Mas como a Juve desembolsou 41 milhões de euros, quase sete vezes mais do que o Torino pagou ao Galo, ele continuou em Turim.
O brasileiro chegava para substituir Matthijs de Ligt, negociado com o Bayern de Munique. Não era apenas uma contratação para compor elenco. A expectativa era que assumisse imediatamente o papel de líder defensivo da equipe. E foi isso que fez.
Desde o princípio, tornou-se titular absoluto. Foram 43 jogos e cinco gols no primeiro ano com a Velha Senhora. As atuações foram tão boas, que conquistou um espaço na Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo do Catar, no fim de 2022. A primeira convocação foi apenas uma mês antes.
Na temporada seguinte, 2023-2024, veio o primeiro título. Em maio de 2024, a Juventus conquistou a Copa da Itália, e o zagueiro conheceu a emoção de levantar um troféu como profissional.
“Esse título coroa um trabalho de muito suor, foram anos e anos de dedicação, esforço e resiliência até conseguir vir aqui para a Itália. Quero agradecer a todas as pessoas que me ajudaram desde o começo da minha trajetória a superar as dificuldades e ser um vencedo”, disse o zagueiro após a partida.
E quando parecia viver o melhor momento da carreira, porém, surgiu o maior desafio da trajetória.
Em outubro de 2024, em um jogo pela Champions League, sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho. A contusão interrompeu uma sequência de alto nível e levantou dúvidas sobre sua capacidade de retornar ao mesmo rendimento.
Ele voltou a jogar oito meses depois, no inédito Mundial de Clubes da FIFA, quando atuou em duas partidas na fraca campanha dos italianos. A temporada 2025-2026 foi de reafirmação, e de busca por um lugar na sua segunda Copa do Mundo. Que veio no último momento.

Seleção Brasileira: o herdeiro de uma geração histórica
A primeira convocação de Bremer com Carlo Ancelotti veio apenas em março de 2026. Assim como o companheiro de zaga no amistoso contra a França, Léo Pereira, era o momento de se provar ao treinador italiano.
E ele conseguiu. Mesmo com a derrota e sem atuar diante da Croácia, o zagueiro agradou e foi incluído no grupo dos 26 jogadores que vão representar o Brasil na Copa do Mundo de 2026. Aos 29 anos e já com a experiência de um Mundial no currículo, ele chega como reserva imediato de Marquinhos no lado direito da defesa.
Do garoto batizado em homenagem a um campeão mundial alemão ao melhor defensor da Itália. Do interior da Bahia à Juventus. Da promessa pouco badalada à Seleção Brasileira. Uma trajetória construída sem atalhos e que o transformou em um dos pilares da nova geração brasileira.





