O Corinthians anunciou nesta terça-feira (11) que não renovará o contrato de Memphis Depay, encerrando uma negociação que parecia muito próxima de terminar com a permanência do holandês. Em nota oficial assinada pelo presidente Osmar Stabile, o clube atribuiu a decisão “única e exclusivamente” à necessidade de preservar sua saúde financeira. Memphis, cujo contrato terminou em 31 de julho, deixa definitivamente o Parque São Jorge e está livre para negociar com outra equipe.
A reviravolta chama atenção pelo estágio em que as conversas estavam. No sábado (8), o ge informou que os principais entraves contratuais haviam sido resolvidos, os exames médicos de Memphis estavam aprovados e o caminho estava aberto para a assinatura de um vínculo até meados de 2028. Nesta própria terça-feira, às 14h03, a ESPN ainda noticiava uma reunião entre dirigentes e representantes do jogador como o “Dia D” para tentar sacramentar o acordo. Menos de duas horas depois, o UOL informou o fim das negociações, seguido pelo comunicado oficial do Corinthians.
O que fez o Corinthians mudar de ideia?
Oficialmente, a resposta é financeira. O clube afirmou que, diante das obrigações atuais e futuras, assumir um compromisso desse tamanho não seria compatível com o equilíbrio necessário para manter a instituição sustentável. Stabile prometeu conceder uma entrevista coletiva nos próximos dias para explicar a decisão com mais detalhes.
O novo contrato seria significativamente mais barato que o anterior. Segundo informações publicadas pelo Estadão e repercutidas pelo UOL, Memphis havia aceitado reduzir praticamente pela metade uma remuneração mensal próxima de R$ 3,5 milhões, passando para algo em torno de R$ 1,9 milhão. O novo vínculo também retiraria benefícios como moradia e motorista particular, embora previsse uma ajuda de custo.
Mesmo assim, o custo total continuaria elevado. Segundo o UOL, o chamado “pacote Memphis”, incluindo diferentes compromissos previstos no acordo, ultrapassaria R$ 3 milhões por mês, sem contar o pagamento da dívida que o Corinthians já possui com o jogador.

Dívida de R$ 42 milhões permanece
Esse é agora um dos pontos mais delicados da história.
Corinthians e Memphis trabalhavam com uma dívida consolidada próxima de R$ 42 milhões, referente principalmente a luvas e bonificações do contrato anterior. Caso houvesse renovação, o atacante havia aceitado fixar a pendência nesse patamar, sem cobrar todos os juros, multas e correções, e receber o montante em parcelas a partir de 2027.
Sem o acordo, esse benefício para o Corinthians deixa de estar garantido. O UOL já havia informado que Memphis poderia buscar a cobrança integral da dívida, com encargos, em órgãos como Fifa e Corte Arbitral do Esporte. Dependendo da interpretação contratual e dos acréscimos, a cobrança poderia chegar à faixa de R$ 77 milhões a R$ 80 milhões. Esse valor maior é uma possibilidade de cobrança, não uma dívida definitiva já reconhecida nesse montante.
Ou seja: o Corinthians evita assumir um novo contrato milionário, mas ainda terá de encontrar uma solução para uma pendência financeira muito relevante com o próprio Memphis.
Pressão política também cercava a renovação
Embora o Corinthians sustente oficialmente que a decisão foi exclusivamente financeira, as semanas anteriores foram marcadas por forte oposição política à permanência do atacante.
O DPF já havia mostrado em 7 de agosto que a renovação dividia o Parque São Jorge. O departamento de futebol, com Marcelo Paz e Fernando Diniz, defendia a continuidade do holandês, enquanto dirigentes e aliados políticos pressionavam Osmar Stabile para não assinar. Segundo o ge, alguns aliados chegaram a indicar que poderiam retirar apoio político ao presidente caso o novo contrato fosse fechado.
A proximidade da eleição presidencial do Corinthians aumentava o peso dessa disputa. Entre os argumentos contrários estavam o custo do jogador, seus problemas físicos recentes e o risco de assumir mais um compromisso de longa duração em meio à crise financeira do clube.
Portanto, não há base para afirmar oficialmente que a pressão política provocou a saída, já que o próprio Corinthians atribui a decisão às finanças. Mas o ambiente político era parte relevante do contexto no qual Stabile tomou a decisão final.
Memphis fez concessões para ficar
A saída também surpreende porque o jogador havia feito diferentes movimentos para continuar.
Confira a matéria do GE: Corinthians e Memphis resolvem últimos entraves para assinar renovação de contrato
Em julho, o DPF mostrou que Memphis aceitou reduzir salário e bônus, além de discutir ações comerciais capazes de gerar novas receitas. Naquele momento, a principal divergência era a duração: o holandês buscava inicialmente três anos, enquanto o Corinthians oferecia dois. Posteriormente, as partes avançaram para um contrato até 2028.
Memphis também voltou ao Brasil no início de agosto acompanhado de advogados para finalizar a negociação, realizou exames médicos e foi aprovado. O jogador chegou a acompanhar da Neo Química Arena a partida contra o Internacional pela Copa do Brasil.
Tudo isso explica por que o desfecho pode ser considerado uma desistência de última hora: não se tratava mais de um contato inicial ou de uma negociação distante. O acordo havia avançado em salário, duração, exames e boa parte das cláusulas antes de o Corinthians decidir não prosseguir.
Corinthians perde Memphis antes da Libertadores
A decisão também tem impacto esportivo imediato. O Corinthians enfrenta o Rosario Central nesta quinta-feira (13), na Argentina, pela partida de ida das oitavas da Libertadores. Memphis chegou a ser esperado como possível reforço do time para o mata-mata caso a renovação fosse assinada rapidamente, mas sua presença já havia sido descartada antes mesmo do anúncio definitivo. Agora, não existe mais possibilidade de utilização do atacante pelo clube.
O holandês encerra sua passagem pelo Corinthians com 79 partidas, 20 gols e 15 assistências, além de três títulos: Campeonato Paulista e Copa do Brasil de 2025 e Supercopa Rei de 2026. Os números de jogos, gols e títulos foram destacados pelo próprio Corinthians em sua despedida.
A novela termina, portanto, de maneira praticamente oposta ao cenário projetado poucos dias atrás. O Corinthians tinha um contrato encaminhado até 2028 e Memphis havia aceitado reduzir seus custos para permanecer. No fim, Osmar Stabile decidiu que o risco financeiro era grande demais.
Agora começam duas novas histórias: onde Memphis jogará e como o Corinthians pagará o que ainda deve ao holandês.
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