
Training at Austria,29.07.2024,Dilly , AUT, Training, Fußball /Foto: Simon Reisinger Datum 2024-07-29
O Como 1907 anunciou novas regras para reduzir o número de impactos na cabeça dos jogadores de suas categorias de base. A principal medida determina a proibição completa dos cabeceios para os atletas do sub-10, tanto nos treinamentos quanto nas partidas.
O protocolo também alcança o sub-11, categoria na qual o cabeceio continuará proibido como regra geral. O gesto técnico será introduzido gradualmente nas faixas etárias seguintes, com bolas mais leves, poucas repetições e limites definidos para cada sessão de treinamento.
A política vale apenas para a academia do Como e não representa uma mudança geral nas regras do futebol italiano. O clube pretende acompanhar a aplicação das medidas durante a temporada e produzir materiais de orientação para treinadores e familiares.
Como funcionará a proibição no sub-10
Os jogadores do sub-10 não poderão cabecear a bola em nenhuma atividade organizada pelo Como. A restrição inclui exercícios técnicos, treinamentos coletivos e partidas.
Para diminuir as situações em que a bola é levantada, o clube também modificará algumas cobranças:
| Situação | Regra no sub-10 |
|---|---|
| Cabeceios nos treinamentos | Proibidos |
| Cabeceios nas partidas | Proibidos |
| Laterais | Bola recolocada com um passe rasteiro usando os pés |
| Escanteios | Executados como uma reposição rasteira |
| Bolas excessivamente cheias | Não serão utilizadas |
A intenção é manter a bola no chão e aumentar o tempo dedicado ao domínio, ao passe e à tomada de decisões. Na cobrança de escanteio, por exemplo, a equipe não poderá simplesmente levantar a bola na área para uma disputa pelo alto.
Restrições também alcançam o sub-11
A regra do sub-11 é semelhante. Os cabeceios permanecerão proibidos em treinamentos e jogos durante a maior parte da temporada.
O Como poderá começar a apresentar a técnica somente no período final do calendário. Mesmo assim, os exercícios deverão ser feitos com uma bola leve de borracha, e não com a bola tradicional utilizada nas partidas.
Os escanteios também serão cobrados pelo chão, diminuindo a frequência de cruzamentos e disputas aéreas.
Portanto, embora a manchete destaque os menores de dez anos, a limitação mais rígida também contempla os jogadores do sub-11. A diferença é que estes poderão ter um primeiro contato controlado com o cabeceio no fim da temporada.
Como será a introdução do cabeceio
A partir do sub-12, o gesto técnico começará a ser ensinado de maneira gradual.
| Categoria | Regras para o cabeceio |
|---|---|
| Sub-10 | Proibido em treinos e partidas |
| Sub-11 | Proibido como regra geral; introdução possível no fim da temporada com bola leve |
| Sub-12 | Uma sessão por mês, com no máximo cinco cabeceios por jogador |
| Sub-13 | Uma sessão por semana, com no máximo cinco cabeceios por jogador; proibido nas partidas |
| Todas as categorias | Redução de exercícios repetitivos e utilização controlada das bolas |
No sub-12, os treinadores poderão trabalhar a técnica no máximo uma vez por mês. Cada jogador terá um limite de cinco cabeceios na atividade, utilizando uma bola leve. As partidas continuarão seguindo as regras da Federação Italiana de Futebol.
No sub-13, o trabalho poderá ocorrer uma vez por semana, também com o limite de cinco cabeceios por sessão. Apesar da introdução nos treinamentos, o gesto permanecerá proibido durante os jogos organizados pelo clube.
Os laterais serão cobrados normalmente com as mãos, mas os atletas deverão direcionar a bola abaixo da altura da cabeça para evitar disputas aéreas.
Varane participou da criação do protocolo
A iniciativa recebeu o apoio de Raphaël Varane, ex-zagueiro de Real Madrid, Manchester United e seleção francesa. Aposentado dos gramados, ele integra o Conselho de Educação do Como.
Varane declarou que os impactos na cabeça precisam ser tratados com seriedade e defendeu regras claras para “proteger nossas crianças”. Segundo o ex-jogador, a técnica pode ser ensinada posteriormente, de forma controlada, quando os atletas apresentarem maior desenvolvimento físico.
O francês argumenta que o novo caminho não elimina definitivamente o cabeceio da formação. A proposta é adiar sua introdução e evitar repetições consideradas desnecessárias durante uma fase de desenvolvimento do cérebro.
Clube também busca estimular o jogo pelo chão
A decisão não foi apresentada apenas como uma medida de proteção. O Como acredita que as mudanças podem contribuir para o desenvolvimento técnico das crianças.
Sem os lançamentos longos, os jogadores terão de buscar mais soluções com a bola no chão. O clube pretende priorizar:
- domínio e condução;
- passes curtos;
- observação do campo;
- resolução de problemas;
- tomada de decisões;
- construção baseada na posse de bola.
Osian Roberts, responsável pelo desenvolvimento de jogadores no Como, explicou que as categorias mais jovens precisam de mais contato com a bola e mais oportunidades para compreender as situações do jogo.
O cabeceio será ensinado posteriormente, com limites claros e atenção à execução correta.
Treinos antes e depois dos jogos também serão controlados
As restrições não se limitam às categorias menores. Os treinadores de todas as equipes da academia deverão diminuir exercícios repetitivos envolvendo cabeceios.
O Como também orientou sua comissão técnica a evitar cargas desnecessárias de impactos na cabeça nos períodos imediatamente anteriores e posteriores às partidas.
Outro cuidado será com a calibragem das bolas. Materiais excessivamente cheios, que podem aumentar a força do impacto, deverão ser evitados.
O clube produzirá ainda um documento com perguntas e respostas destinado aos familiares dos atletas. A implementação será revisada ao longo da temporada por treinadores, dirigentes e responsáveis pelas crianças.
Medida acompanha mudanças realizadas na Inglaterra
O Como não é o primeiro representante do futebol europeu a limitar o cabeceio entre crianças.
A Federação Inglesa iniciou em 2024 uma implantação gradual da proibição do cabeceio intencional nas partidas do futebol de base. A mudança começou nas categorias entre sub-7 e sub-9, alcançou o sub-10 na temporada 2025/26 e passou a incluir o sub-11 em 2026/27.
Na Inglaterra, o cabeceio intencional é punido com tiro livre indireto. Os laterais tradicionais também podem ser substituídos por cobranças com os pés, permitindo que a bola seja passada ou conduzida a partir da linha lateral.
A Federação Inglesa afirma que as adaptações procuram reduzir possíveis fatores de risco e, ao mesmo tempo, aumentar o tempo efetivo de jogo e as oportunidades técnicas com a bola no chão. Aproximadamente 107 mil crianças participaram dos testes realizados antes da implantação definitiva.
Estudos aumentaram preocupação com impactos repetitivos
A discussão ganhou força após pesquisas identificarem uma incidência maior de doenças neurodegenerativas entre antigos jogadores profissionais.
Um estudo publicado em 2019 no New England Journal of Medicine acompanhou 7.676 ex-jogadores profissionais escoceses e comparou os dados com mais de 23 mil pessoas da população geral. A mortalidade causada por doenças neurodegenerativas foi registrada em 1,7% dos ex-atletas e em 0,5% do grupo de controle.
Outra análise da mesma população mostrou riscos maiores entre defensores e jogadores com carreiras superiores a 15 anos. Os goleiros, que normalmente cabeceiam menos, não apresentaram aumento estatisticamente significativo naquele levantamento. Os resultados reforçaram a necessidade de investigar fatores associados aos impactos repetitivos na cabeça.
Esses estudos, porém, são observacionais. Eles mostram uma associação entre a carreira profissional no futebol e doenças neurodegenerativas, mas não comprovam que o cabeceio seja isoladamente a causa dos problemas.
Os jogadores também podem sofrer concussões, choques com adversários, quedas e outros impactos durante décadas de atividade.
Efeitos em crianças ainda estão sendo estudados
A evidência científica sobre os efeitos do cabeceio no futebol infantil permanece limitada.
Um estudo publicado em 2026 pelo JAMA Network Open acompanhou 129 adolescentes durante uma temporada. Os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre jogadores de futebol e atletas de esportes sem contato em avaliações de cognição, comportamento, equilíbrio, imagens cerebrais e marcadores sanguíneos.
Os próprios autores destacaram, entretanto, que uma única temporada é um período curto e que estudos maiores, acompanhando atletas durante vários anos, ainda são necessários.
A medida do Como segue, portanto, um princípio de precaução. O clube decidiu reduzir impactos evitáveis enquanto a ciência continua investigando os efeitos de longo prazo das repetições.
Cabeceio não será eliminado da formação
O protocolo não pretende formar atletas incapazes de disputar bolas aéreas quando chegarem ao futebol adulto.
O Como considera o cabeceio uma técnica importante, especialmente para defensores e atacantes. A diferença está no momento e na forma de ensiná-la.
O clube começará com bolas leves, poucas repetições e sessões espaçadas. Conforme os jogadores avançarem pelas categorias, o treinamento será ampliado progressivamente.
A estratégia busca equilibrar dois objetivos: diminuir possíveis riscos durante a infância e garantir que os jovens aprendam a execução correta antes de chegarem às categorias competitivas mais avançadas.
Decisão pode aumentar debate no futebol italiano
A iniciativa do Como é uma das políticas mais restritivas adotadas por uma academia ligada à primeira divisão italiana. As regras não obrigam outros clubes a realizar mudanças semelhantes, mas podem aumentar a discussão dentro da Federação Italiana.
A aplicação prática também será observada. O clube precisará adaptar treinamentos, jogos, escanteios e reposições laterais sem prejudicar o aprendizado das crianças.
Os resultados serão avaliados ao longo da temporada, com participação dos treinadores e das famílias. Caso a experiência seja considerada positiva, o modelo poderá servir de referência para outras academias.
A proibição não significa o fim do cabeceio no futebol. Para o Como, significa apenas que as crianças não precisam ser expostas precocemente a um movimento que poderá ser aprendido mais tarde, de forma gradual e controlada.





