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Corinthians vive crise dentro e fora de campo, com risco de rebaixamento e novo atraso milionário

Sem vencer há nove jogos e apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, clube volta a descumprir acordo financeiro com a CNRD. Cuiabá pede ampliação do transfer ban, enquanto o Corinthians acumula mais de 150 dias impedido de registrar jogadores.

Victor Quintas por Victor Quintas
20 de outubro de 2026
no Nacional
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O Corinthians chegou à reta final do Campeonato Brasileiro de 2026 enfrentando problemas que vão muito além dos resultados em campo. O empate por 1 a 1 com o Vitória, na noite de segunda-feira (19), interrompeu uma sequência de oito derrotas consecutivas, mas ampliou para nove partidas o período sem vitórias. Com apenas 33 pontos, a equipe ocupa a 16ª colocação, um ponto acima do Internacional, primeiro clube na zona de rebaixamento. Fora das quatro linhas, a situação também se agravou: uma nova parcela de aproximadamente R$ 8 milhões de um acordo financeiro não foi paga, levando o Cuiabá a solicitar mais seis meses de proibição de registro de jogadores.

O novo atraso foi divulgado nesta terça-feira (20) e representa mais um capítulo das dificuldades financeiras enfrentadas pela administração do presidente Osmar Stabile. O Corinthians já possui três punições de transfer ban em vigor, duas aplicadas pela Fifa e uma pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), vinculada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Desde maio, o clube está impedido de registrar reforços em razão de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, período que ultrapassou os 150 dias e estabeleceu um novo recorde negativo na história corintiana.

A combinação entre resultados ruins, restrições para reforçar o elenco e compromissos financeiros não cumpridos coloca o Corinthians diante de um dos momentos mais delicados de sua temporada. Com sete rodadas restantes no Brasileirão, a equipe precisa recuperar pontos rapidamente para evitar que a ameaça de rebaixamento se transforme em uma situação ainda mais difícil de administrar.

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Nove jogos sem vencer e uma reação que não aconteceu

O confronto com o Vitória, disputado na Neo Química Arena, era uma oportunidade importante para o Corinthians interromper sua queda na classificação. Além de jogar diante de mais de 41 mil torcedores, a equipe enfrentava um adversário que ainda não havia vencido como visitante nesta edição do Campeonato Brasileiro. O resultado, entretanto, foi insuficiente para aliviar a pressão sobre o elenco, mesmo com uma atuação mais ofensiva do que nas partidas anteriores.

O Vitória abriu o placar no fim do primeiro tempo, quando Renê aproveitou o rebote de uma defesa de Hugo Souza. Na segunda etapa, Yuri Alberto empatou em cobrança de pênalti, marcada após revisão do VAR, encerrando um jejum pessoal de quase três meses sem marcar. O Corinthians conseguiu pressionar o adversário e criar oportunidades, mas voltou a demonstrar dificuldades para transformar o domínio territorial em gols.

O empate significou apenas um ponto conquistado dos últimos 27 possíveis. A última vitória corintiana no Brasileirão aconteceu em 9 de agosto, quando a equipe derrotou o Red Bull Bragantino por 2 a 0, fora de casa. Desde então, foram oito derrotas e um empate, sequência que aproximou o clube da zona de rebaixamento e custou o cargo do técnico Fernando Diniz, demitido após a derrota para o Internacional, no início de outubro.

O desempenho como mandante também preocupa. A Neo Química Arena, historicamente um dos principais pontos de apoio do Corinthians, deixou de representar uma vantagem consistente nesta temporada. Até a 31ª rodada, o clube havia conquistado apenas 19 pontos em casa, uma das piores campanhas entre os mandantes da competição. O empate diante do Vitória, que somava somente seis pontos como visitante antes da partida, aumentou a frustração por mais uma oportunidade desperdiçada.

A gravidade da situação já é reconhecida pelo próprio elenco. Depois da partida, o goleiro Hugo Souza admitiu que existe preocupação com a possibilidade de rebaixamento e afirmou que os jogadores precisam encarar a realidade da tabela. Embora tenha identificado melhorias na atuação, o atleta reconheceu que o resultado ficou abaixo do necessário para uma equipe que luta pela permanência na primeira divisão.

 

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Seedorf chega para tentar recuperar um time pressionado

A chegada de Clarence Seedorf representa a principal tentativa da diretoria de mudar o cenário esportivo. Contratado após a saída de Fernando Diniz, o holandês assumiu o desafio de recuperar a equipe nas últimas rodadas do Brasileirão, apesar de estar afastado do trabalho como treinador havia aproximadamente sete anos. Seu contrato com o Corinthians foi firmado até o fim de 2027.

Seedorf acompanhou a partida contra o Vitória das arquibancadas porque ainda aguardava a regularização de sua documentação para trabalhar oficialmente à beira do campo. Mesmo assim, participou da preparação e das decisões relacionadas à escalação, executadas durante o jogo pelo auxiliar Léo Porto. O novo treinador promoveu alterações na formação, apostando em uma equipe mais ofensiva, com Vitinho, Jesse Lingard e Yuri Alberto no ataque.

A mudança produziu alguns sinais de evolução na movimentação e na construção das jogadas, mas não resolveu o principal problema do Corinthians: a falta de resultados. O time teve mais posse de bola e pressionou o Vitória durante boa parte do confronto, sem conseguir a vitória que poderia afastá-lo momentaneamente da zona de rebaixamento. A recuperação da confiança também será fundamental, especialmente depois de uma sequência prolongada de derrotas que afetou o desempenho coletivo.

O próximo desafio será contra o Vasco, no sábado (24), às 18h30, em São Januário. A partida terá importância direta na disputa contra o rebaixamento, já que os dois clubes estão próximos da parte inferior da classificação. A expectativa é que Seedorf esteja regularizado para comandar o Corinthians do banco de reservas, em seu primeiro compromisso oficial nessa condição.

Corinthians atrasa segunda parcela consecutiva da CNRD

Enquanto a comissão técnica procura recuperar o desempenho da equipe, a diretoria enfrenta mais uma dificuldade para cumprir suas obrigações financeiras. A sexta parcela do plano coletivo de pagamento firmado pelo Corinthians na CNRD, estimada em R$ 8 milhões, venceu na segunda-feira (19) sem que o clube realizasse a quitação. Até a divulgação da informação, a administração corintiana ainda não havia estabelecido uma nova data para efetuar o pagamento.

O atraso não é um episódio isolado. Em julho, o Corinthians deixou de pagar a quinta parcela do mesmo acordo, também de aproximadamente R$ 8 milhões. Na ocasião, a CNRD aplicou uma punição de seis meses sem a possibilidade de registrar jogadores. O débito permaneceu pendente e, agora, o clube acumula duas prestações consecutivas não pagas dentro do prazo previsto.

O plano coletivo foi homologado em abril de 2025, depois de cobranças realizadas por clubes, jogadores e empresários. O acordo contempla aproximadamente R$ 76 milhões em obrigações financeiras, organizadas em pagamentos trimestrais ao longo de seis anos. O objetivo era estabelecer um cronograma capaz de atender aos credores e permitir que o Corinthians reorganizasse suas finanças sem acumular novas disputas decorrentes dessas cobranças.

As dificuldades para cumprir o cronograma já haviam provocado conflitos anteriores. Em 2025, o Corinthians também atrasou prestações do acordo e recebeu uma punição de transfer ban. Naquele momento, a diretoria interpretou que o prazo de cinco dias para apresentar comprovantes de pagamento permitiria quitar os valores depois do vencimento. A CNRD, entretanto, esclareceu que o período servia apenas para a apresentação da documentação e manteve a sanção mesmo após a regularização.

Em julho deste ano, a administração voltou a solicitar flexibilidade, alegando dificuldades financeiras e propondo um novo calendário de pagamentos. O clube afirmou, naquela ocasião, ter destinado mais de R$ 170 milhões à quitação de dívidas ao longo de 2026, além de mencionar perdas de receitas relacionadas à paralisação do calendário durante a Copa do Mundo. O pedido não impediu a aplicação da punição, e a falta de pagamento da nova prestação reforçou o impasse entre o Corinthians e seus credores.

Cuiabá pede mais seis meses de transfer ban

O Cuiabá, principal credor do Corinthians no plano coletivo, reagiu ao novo atraso solicitando à CNRD a extensão da proibição de registro de jogadores por mais seis meses, com contagem a partir de outubro de 2026. O clube mato-grossense também pediu que a eventual sanção não pudesse ser suspensa simplesmente pela regularização posterior dos pagamentos.

Como alternativa, o Cuiabá solicitou que a punição atualmente em vigor fosse prorrogada, no mínimo, até o encerramento da janela de transferências do início da temporada de 2027. O argumento apresentado é que os atrasos se tornaram recorrentes, apesar dos compromissos assumidos formalmente pelo Corinthians no processo de negociação com seus credores.

Até a publicação das informações nesta terça-feira, a CNRD ainda não havia anunciado uma decisão sobre o novo pedido. Portanto, os seis meses adicionais representam uma solicitação do Cuiabá, e não uma punição já confirmada.

Uma eventual ampliação do bloqueio poderia comprometer o planejamento do Corinthians para a temporada seguinte. O clube já está impedido de registrar novos jogadores e precisaria resolver diferentes pendências para recuperar sua capacidade de reforçar o elenco. Mesmo que consiga realizar negociações ou assinar contratos, as sanções em vigor podem impedir a inscrição dos atletas enquanto não forem cumpridas as condições estabelecidas pelas entidades responsáveis.

O caso também expõe as consequências do atraso para os credores. Em julho, o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, afirmou que a falta de recebimento dos valores previstos no acordo dificultava o cumprimento das obrigações financeiras de sua própria equipe, incluindo pagamentos de direitos de imagem. O problema, portanto, não fica restrito às contas do Corinthians e pode afetar o planejamento de outros clubes.

Mais de 150 dias impedido de registrar jogadores

A dimensão das dificuldades financeiras fica ainda mais evidente quando são consideradas as diferentes punições acumuladas pelo Corinthians. Na segunda-feira (19), o clube completou 151 dias consecutivos sob transfer ban decorrente de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos. O bloqueio foi aplicado em 21 de maio, por uma pendência de aproximadamente US$ 1,5 milhão, equivalente a cerca de R$ 7,5 milhões, relacionada à contratação do volante venezuelano José Martínez.

O período superou a marca anterior de 150 dias, registrada entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, quando o clube ficou impedido de registrar atletas por uma dívida com o Santos Laguna, do México, referente à contratação do zagueiro Félix Torres. Aquela obrigação era estimada em US$ 6,2 milhões, aproximadamente R$ 33,4 milhões na cotação considerada à época.

Além do caso envolvendo o Philadelphia Union, o Corinthians também sofre uma punição da Fifa pelo atraso no pagamento de uma parcela da contratação do volante Charles, negociado junto ao Midtjylland, da Dinamarca. A obrigação é de 1 milhão de euros, equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.

A terceira restrição foi aplicada pela CNRD, em julho, devido ao descumprimento do acordo coletivo de credores. Embora as três punições produzam o mesmo impedimento de registro, elas possuem origens e procedimentos diferentes. A regularização de uma dívida não elimina automaticamente as demais sanções, o que torna mais complexa a situação administrativa do clube.

A impossibilidade de registrar reforços representa uma limitação importante para o departamento de futebol. O Corinthians precisa administrar problemas de desempenho, lesões e ajustes de elenco sem contar com a liberdade necessária para buscar soluções no mercado. Ao mesmo tempo, a continuidade dos atrasos ameaça comprometer o planejamento de 2027, independentemente da posição final no Campeonato Brasileiro.

O problema financeiro também coloca o planejamento esportivo em risco

A crise atual reúne dificuldades que precisam ser analisadas separadamente, embora seus efeitos possam se encontrar. As oito derrotas consecutivas e a campanha próxima da zona de rebaixamento resultam de problemas esportivos que não podem ser atribuídos exclusivamente às dívidas. Por outro lado, as restrições financeiras reduzem as alternativas da diretoria e dificultam a construção de um planejamento estável, especialmente em momentos que exigem mudanças no elenco.

A contratação de Clarence Seedorf demonstra que o Corinthians ainda procura soluções para a temporada, mas o novo treinador recebeu uma equipe pressionada e com pouco tempo para reagir. Restam apenas sete partidas para o encerramento do Brasileirão, e cada resultado terá peso considerável na disputa contra o rebaixamento. A proximidade com Internacional e Grêmio, equipes que também enfrentam dificuldades na competição, torna a disputa especialmente imprevisível.

No campo administrativo, a situação exige respostas que não dependem apenas do trabalho da comissão técnica. A diretoria precisa cumprir os acordos firmados, negociar com credores e encontrar alternativas para recuperar a capacidade de registrar jogadores. A permanência na Série A seria fundamental para evitar uma redução ainda maior das receitas, mas, por si só, não resolveria os problemas de endividamento que acompanham o clube.

O Corinthians entra na reta final de 2026 diante de duas necessidades imediatas: conquistar pontos suficientes para permanecer na primeira divisão e apresentar uma solução concreta para os compromissos financeiros que continuam vencendo. A vitória não aparece há mais de dois meses, enquanto as restrições de registro já ultrapassaram cinco meses consecutivos.

O confronto com o Vasco será a próxima oportunidade de iniciar uma reação esportiva. Fora de campo, a expectativa permanece em torno da resposta da CNRD ao pedido do Cuiabá. São problemas diferentes, mas que atingem o mesmo clube em um momento no qual a margem para novos erros, tanto dentro quanto fora das quatro linhas, está cada vez menor.

Tags: Brasileirão 2026campeonato brasileiroClarence SeedorfCNRDcorinthiansCuiabádestaqueDívidas dos clubesFutebol BrasileiroGestão do futebolRebaixamentoSerie Atransfer ban

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