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Crise política no Vasco afasta vice-presidente e altera conselho de governança

Renato Brito perdeu funções administrativas e deixou o comando do projeto de reforma de São Januário; Felipe Carregal e Silvio Almeida também foram retirados do órgão de integridade do clube

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
27 de julho de 2026
no Nacional
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A crise política nos bastidores do Vasco ganhou um novo capítulo. O presidente Pedrinho rompeu com o segundo vice-presidente geral, Renato Brito, que foi afastado de suas funções administrativas e perdeu espaço nas principais decisões da atual gestão.

Renato, porém, continua formalmente como vice-presidente geral do clube associativo, já que ocupa um cargo eletivo. A medida tomada pela presidência retira suas atribuições internas, mas não elimina o mandato conquistado nas eleições.

Além do afastamento administrativo do vice, o Vasco promoveu mudanças no Conselho de Governança, Integridade e Compliance, o CGIC. Felipe Carregal e Silvio Almeida foram exonerados do órgão, enquanto Manoel Cordeiro deixou a presidência. Marcelo Macedo assumiu o comando do conselho de forma interina.

Renato Brito perde influência na gestão

Renato Brito já não participa do grupo político que concentra as principais decisões administrativas do Vasco. De acordo com o ge, Pedrinho e integrantes da cúpula deixaram de confiar no dirigente depois do vazamento de conversas de um grupo chamado “G5 – CRVG”.

O grupo reunia Renato e quatro dirigentes que também foram afastados de cargos no último mês:

Dirigente Cargo ocupado
Silvio Roberto Vieira Almeida Vice-presidente de Finanças
Raphael Travassos de Souza Avellar, o Pulga Vice-presidente de História e Responsabilidade Social
José Luiz Trinta Vice-presidente de Integração
Luis Guedes Vice-presidente de Engenharia e Obras

As conversas vazadas ocorreram no período em que Pedrinho havia sido afastado judicialmente do Conselho de Administração da Vasco SAF. Em uma das mensagens, Renato comentou o relatório que seria encaminhado à Justiça por Samantha Longo, então interventora da empresa responsável pelo futebol.

Pessoas próximas à administração interpretaram as mensagens como uma articulação contrária a Pedrinho. Renato negou essa versão e afirmou que o grupo existia desde agosto de 2025 para discutir assuntos relacionados à gestão do clube associativo.

Vice diz que conversas estavam fora de contexto

Renato Brito declarou que os prints divulgados não mostravam o contexto completo das discussões. Segundo ele, as discordâncias sobre a administração já haviam sido comunicadas diretamente e de forma reservada a Pedrinho.

O dirigente também afirmou que não foi ouvido antes de ser afastado das funções e que seu telefone estava disponível para esclarecer o conteúdo das mensagens. Apesar da defesa, o rompimento com o grupo que comanda o clube foi mantido.

O episódio encerra, pelo menos neste momento, a participação direta de Renato nas decisões administrativas. Ele permanece com o título de vice-presidente geral, mas sem a influência que possuía anteriormente.

Reforma de São Januário muda de comando

Uma das principais consequências do afastamento é a saída de Renato Brito da liderança do projeto de reforma de São Januário.

A condução do trabalho passou para um conselho formado por dirigentes e representantes de diferentes áreas do clube. Entre os integrantes citados estão Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral; Thiago Nascimento, assessor da presidência; e Gustavo Rabelo, vice-presidente de Tecnologia e Inovação.

O grupo ficará responsável pela interlocução institucional e pelos próximos passos do projeto. Belaciano já havia conduzido votações importantes para a autorização da reforma e para a negociação do potencial construtivo do estádio.

A troca ocorre em um momento delicado. O Vasco ainda não definiu quando as obras começarão e depende da comercialização do potencial construtivo de São Januário para financiar parte da reconstrução.

Orçamento da reforma sobe para R$ 800 milhões

A estimativa inicial para a reforma era de aproximadamente R$ 500 milhões, mas o clube agora trabalha com um orçamento próximo de R$ 800 milhões. O valor ainda não é definitivo.

O aumento é atribuído principalmente à correção dos custos da construção civil desde a elaboração do projeto original. A diretoria também pretende buscar receitas com a venda dos direitos de nome do estádio e outras operações comerciais.

A saída de Renato adiciona uma mudança política a um projeto que já enfrenta dificuldades financeiras e administrativas. O novo conselho terá a missão de reorganizar as negociações e evitar que a crise interna provoque mais atrasos.

Felipe Carregal e Silvio Almeida deixam conselho

As alterações também alcançaram o Conselho de Governança, Integridade e Compliance.

Felipe Carregal, ex-vice-presidente jurídico, e Silvio Almeida, ex-vice-presidente de Finanças, foram exonerados do CGIC. Os dois já haviam sido retirados da diretoria administrativa aproximadamente um mês antes.

A retirada dos dois nomes reforça o afastamento de integrantes que passaram a ser considerados dissidentes pela administração de Pedrinho.

O CGIC também teve uma mudança em sua presidência. Manoel Cordeiro solicitou o desligamento por motivos pessoais, de acordo com o Lance, e deixou o cargo. Marcelo Macedo, vice-presidente de Relacionamento com a SAF, foi nomeado presidente interino.

Silvio Almeida critica forma como soube da decisão

Silvio Almeida afirmou que tomou conhecimento da exoneração por meio da ata de uma reunião da qual não participou.

O ex-dirigente também demonstrou preocupação com a divulgação da decisão à imprensa. Segundo ele, o vazamento de deliberações internas pode prejudicar a independência e a confidencialidade necessárias ao funcionamento de um conselho de governança e compliance.

Felipe Carregal não havia se manifestado publicamente até a publicação das primeiras reportagens. Marcelo Macedo também preferiu não comentar a mudança e sua nomeação para a presidência interina do órgão.

Exonerações começaram durante intervenção na SAF

Felipe Carregal e Silvio Almeida estavam entre os quatro integrantes retirados da diretoria administrativa em 23 de junho. Também foram exonerados Claudio Pereira Gomes, então diretor da Secretaria, e Raphael Travassos, vice-presidente de História e Responsabilidade Social.

As demissões foram anunciadas no mesmo período em que a Justiça determinou o afastamento de Pedrinho e de outros representantes do clube do Conselho de Administração da Vasco SAF.

A decisão judicial havia transferido temporariamente a administração da empresa para interventores. A medida estava relacionada a questionamentos sobre governança, prestação de informações e funcionamento dos órgãos internos da SAF.

Em 10 de julho, uma nova decisão suspendeu a intervenção e autorizou o retorno de Pedrinho e dos demais integrantes do conselho. O tribunal determinou, porém, a presença de um profissional independente para acompanhar a governança e apresentar relatórios periódicos à Justiça.

Clube associativo e SAF enfrentam crises paralelas

As mudanças atuais ocorrem na administração do Club de Regatas Vasco da Gama, o clube associativo. Elas não representam, diretamente, novas substituições no Conselho de Administração da Vasco SAF.

As duas estruturas, entretanto, estão politicamente conectadas. O clube associativo participa da administração da SAF e conduz as negociações para encontrar um novo controlador para o futebol.

Por isso, o conflito interno aumenta a preocupação sobre a estabilidade da gestão em um momento de decisões importantes. Além da reforma de São Januário, o Vasco trabalha para concluir a venda do controle da nova SAF ao grupo ligado ao empresário Marcos Lamacchia.

A proposta usada como base no processo prevê aporte mínimo de R$ 650 milhões, investimentos em futebol e infraestrutura e a responsabilidade pelo pagamento das dívidas ao longo de pelo menos dez anos. O processo de venda judicial deverá permitir a apresentação de propostas concorrentes.

Pedrinho concentra novamente as decisões

O afastamento de Renato Brito e as mudanças no conselho mostram uma tentativa de Pedrinho de recuperar o controle político da administração após o período de intervenção na SAF.

Dirigentes que perderam a confiança da presidência foram retirados de cargos executivos e órgãos internos. Ao mesmo tempo, pessoas mais próximas ao atual grupo político passaram a assumir projetos estratégicos.

A reorganização, porém, não encerra a crise. Renato permanece em um cargo eletivo, os ex-dirigentes contestam a condução das decisões e o clube ainda precisa lidar com os efeitos da disputa judicial envolvendo a SAF.

O novo desenho administrativo deverá ser colocado à prova em três frentes consideradas fundamentais: a venda da SAF, a reforma de São Januário e a recuperação financeira do Vasco.

A crise não atingiu diretamente o mandato de Renato Brito, mas reduziu sua atuação a um papel formal. Ao retirar suas funções e reformular o Conselho de Governança, Pedrinho deixou claro que o antigo aliado não faz mais parte do núcleo de poder da atual administração.

Tags: destaquePedrinhopolítica do VascoRenato BritoSão JanuárioVascoVasco SAF

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