
André Henning analisa os desafios do jornalismo esportivo no universo digital
Narrador da TNT Sports e referência na comunicação esportiva nacional, André Henning participou do novo episódio do podcast Andreoli Modo On, apresentado por Felipe Andreoli, com apoio da Superbet e transmissão pelo Kwai. Com uma trajetória que já se estende por quase três décadas, Henning fez um diagnóstico sincero sobre os dilemas e caminhos da profissão em tempos de revolução digital.
Crise e transformação no jornalismo esportivo
Durante a conversa, Henning destacou que o jornalismo esportivo enfrenta uma crise profunda, provocada por mudanças no comportamento do público e pelo crescimento dos influenciadores digitais. Ele observa que as pessoas preferem se conectar com quem fala sua língua, vibra como torcedor e expressa emoções, em vez de ouvir análises técnicas e neutras. Para Henning, o papel do jornalismo continua relevante, mas exige adaptação – sem perder a ética e sem cair na monotonia.
“O público quer ouvir aquele torcedor que fala com paixão sobre o lateral direito. Não quer mais o comentarista que começa dizendo ‘veja bem’”, refletiu o narrador.
Entre informação e entretenimento: o equilíbrio difícil
Henning também chamou atenção para o desafio de conciliar conteúdo informativo com o entretenimento que domina as redes sociais. Segundo ele, o jornalismo precisa se moldar aos novos tempos, mantendo sua essência: “Não dá pra ser chato ou arrogante, mas também não pode virar torcida organizada. Esse equilíbrio está cada vez mais difícil de manter”, afirmou.
Respeito profissional e ética: valores em risco
Ao lembrar de sua estreia no programa CQC, Henning falou sobre a importância da ética entre colegas de imprensa: “Mesmo com uma abordagem diferente, nunca atrapalhei um repórter ao vivo. Hoje vejo que essa noção de respeito está se perdendo, especialmente com a bagunça que a internet causou”.
A juventude e o distanciamento dos ídolos
Por fim, o jornalista expressou preocupação com a forma como parte do público jovem interage com profissionais da área. Muitos, segundo ele, perdem oportunidades de aproximação ao se manifestar com agressividade nas redes sociais. “Já aconteceu de eu responder críticas e a pessoa dizer que era fã. Isso revela como o ambiente digital pode afastar ao invés de criar pontes”, lamentou.





