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GUIA

Douglas Santos: o campeão olímpico que foi esquecido e ressurgiu nove anos depois

Leandro Lainetti por Leandro Lainetti
10 de junho de 2026
no Internacional
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Douglas Santos e sua Medalha de Oruro Olímpica. Foto: Reprodução

Quando o Brasil conquistou a medalha de ouro olímpica pela primeira vez, em 2016, Douglas Santos era o lateral-esquerdo titular daquela equipe. Jogou todas as partidas do torneio. Participou ativamente da campanha que terminou com Neymar cobrando o pênalti decisivo contra a Alemanha no Maracanã. 

Dez anos depois, porém, ele chega à Copa do Mundo praticamente esquecido pelo torcedor brasileiro, mas não sem razão. Foram nove anos sem uma convocação sequer para a Seleção. E dez anos atuando na Europa, sendo três deles no Hamburgo, da Alemanha, e sete no Zenit, da Rússia. 

Desde o início da guerra contra a Ucrânia, os clubes daquele país estão proibidos de jogar qualquer competição europeia, deixando muitos jogadores brasileiros “escondidos” do público. 

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Apesar disso, ele não pensa em encerrar esse capítulo agora. Aos 32 anos, é um dos destaques do time, capitão que mais vezes vestiu a braçadeira e acabou de ser hexacampeão nacional. 

“É muito especial chegar a esse momento. Eu jamais pensei que um dia iria alcançar uma marca tão expressiva como essa em um clube gigante, como é o Zenit. Me sinto honrado e muito mais motivado com o que pode vir no futuro. Deixo o meu nome gravado na história e isso é muito bom”, disse o lateral em entrevista recente.

As laterais brasileiras viveram um dos grandes debates da atualidade. Depois de décadas seguidas com os principais jogadores da posição atuando pela Seleção, hoje não há nenhuma unanimidade. A maioria, aliás, nem é vista como opção segura. Mas foi nesse contexto que a regularidade e consistência de Douglas garantiram sua ida à Copa do Mundo.

Para chegar lá, a caminhada foi longa e virou até filme.

Náutico: a estreia aos 17 anos e a atenção dos gigantes

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Douglas Santos chegou muito cedo às categorias de base do Náutico e estreou nos profissionais em 2012.

Ainda adolescente, já era visto como uma das principais promessas nordestinas da posição. Atuando no Brasileirão, começou a chamar atenção nacionalmente, aliando velocidade, força na marcação e presença no campo de ataque. 

Tanto que em 2013, em um amistoso da Seleção Brasileira fora da Data FIFA (arrecadação de fundos para a família do jovem boliviano Kevin Espada, morto após ser atingido por um sinalizador no jogo entre Corinthians e San José), foi convocado por Felipão. 

O nome surpreendeu e gerou confusão. Com o também lateral-esquerdo André Santos na lista, muitos acreditaram que houve um erro na divulgação do time e o Douglas Santos correto seria o homônimo que defendia o São Paulo e jogava pelo lado direito. 

Felipão desmentiu o boato e tratou de cravar que era mesmo o jogador do Timbu que estava na lista. Ele descobriu durante o treino e não conteve a emoção na coletiva logo em sequência. 

“Falar a verdade a ficha ainda nem caiu. Soube ainda agora, não faz nem cinco minutos, é um sonho, todo jogador sonha em chegar à Seleção principal”, foi o que conseguiu falar antes das lágrimas começarem a cair. 

O momento em campo e a vitrine de vestir a camisa do Brasil fizeram o futebol europeu olhar com mais atenção para o jovem lateral, na época com 19 anos. Mas a passagem foi bem frustrante e, em 2014, ele já estaria vestindo a camisa de outro gigante do futebol brasileiro

Douglas Santos ´[e cria do Náutico, de Pernambuco. Foto: Tiago Caldas/Clube Náutico Capibaribe

Atlético Mineiro: boa passagem, novas portas abertas

Em 2014, Douglas Santos desembarcou no Atlético Mineiro. Após sair do Náutico, ele foi contratado pelo Granada, da Espanha, mas só vestiu a camisa do time na apresentação. Emprestado à Udinese, da Itália, foi inicialmente aproveitado apenas na equipe sub-20. Quando convocado para o profissional, atuou apenas três vezes. Mesmo assim, a Udinese o contratou em definitivo e emprestou ao Galo. 

Chegando no segundo semestre de 2014, virou titular e foi importante na conquista da Copa do Brasil daquele ano. Em 2015 seguiu a mesma toada, sem ter a posição ameaçada. O bom momento continuou em 2016, quando ele foi convocado para os Jogos Olímpicos do Rio. A conquista do inédito ouro fez abrir a possibilidade de uma nova ida à Europa. 

Dessa vez, para ficar. Após as Olimpíadas, fez apenas mais um jogo com a camisa do Atlético, que o vendeu para o Hamburgo.

Douglas Santos em jogo da Copa Libertadores com o Atlético Mineiro, em 2016. Foto: Gabriel Rossi

Hamburgo: um gigante em queda

Ao chegar na Alemanha, Douglas encontrou um contexto diferente do clube brasileiro. O Hamburgo, que já foi uma das potências do futebol alemão, vivia uma crise imensa, brigando anos seguidos contra o rebaixamento.

Na primeira temporada atuou em 20 oportunidades, sempre como titular. Quando não era escolhido para o onze inicial, raramente saía do banco. No fim, o Hamburgo se livrou do rebaixamento.

Mas 2017-2018 teve a mesma tônica. Dessa vez, ele foi titular durante toda a Bundesliga. Só não atuou quando esteve suspenso ou lesionado. Apesar do esforço, o lateral não conseguiu evitar o rebaixamento com os companheiros de clube. E ainda reforçou um aspecto negativo que foi marcante durante toda a carreira até ali – um jogador que participa pouco de momentos decisivos, seja com gols ou assistências. 

A campanha na Bundesliga 2 não foi ruim, Douglas contribuiu mais – foram 4 assistências e um gol em 33 jogos –  e foi eleito melhor do time na temporada, mas não o suficiente para a equipe subir à primeira divisão, algo que só aconteceria sete anos depois, com o lateral bem distante da Alemanha e fazendo sucesso em outros campos. 

Douglas Santos precisou jogar a 2-Bundesliga com o Hamburgo. Foto: Getty Images

Zenit: longevidade, títulos e recorde como capitão

Em 2019, o Zenit contratou o lateral-esquerdo por 15 milhões de euros. Em São Petersburgo, além de estar em um clube que passou a dominar o cenário nacional, estava a possibilidade de jogar a Liga dos Campeões, o que ele conseguiu em três oportunidades seguidas, até o afastamento dos times russos da competição. Essa, inclusive, é uma das razões que ainda mantém ele no Velho Continente.

“Eu digo para o meu empresário que o momento (de voltar ao futebol brasileiro) vai chegar. Meu planejamento na Europa ainda não se concretizou. Tenho o sonho de jogar a Champions League novamente”, falou em entrevista ao ge em 2024.

O lateral rapidamente se tornou peça fundamental da equipe. Conquistou títulos nacionais, participou regularmente de competições europeias e passou a ser visto como um dos melhores jogadores da liga russa. 

Quinto brasileiro da história do clube, viu outros 15 compatriotas chegarem para fazer companhia a ele. Nem todos conseguiram a mesma longevidade: Douglas acabou de completar a sétima temporada seguida pela equipe neste ano. 

Com o tempo de casa, ganhou espaço, moral e responsabilidade. Virou o capitão do time – e muito mais do que isso. Hoje, o lateral é o jogador que mais vezes usou a braçadeira na história do Zenit, com 88 jogos sendo o “dono” da equipe. 

Longe do Brasil e dos holofotes, conquistou títulos e prestígio na Rússia. Até aqui, são 244 jogos, 35 assistências e 9 gols pelos Turquesas. Pode não ter sido o suficiente para voltar à Seleção antes, mas serviu para carimbar o retorno na hora que mais importava.

Seis títulos nacionais, referência e capitão no Zenit. Foto: Maksim Konstantinov

Seleção Brasileira: uma década depois, a nova oportunidade

Depois da primeira convocação em 2013 e do ouro olímpico em 2016, o sonho de vestir a Amarelinha nunca mudou, mesmo com a possibilidade de defender a seleção Russa.. Douglas continuou trabalhando e acreditando que uma nova oportunidade viria. Ela demorou, mas chegou. 

“Claro que em alguns momentos a gente pensa que não vai mais ser chamado. Mas eu nunca deixei de trabalhar e acreditar. Continuei fazendo meu trabalho nos clubes, buscando evoluir e manter a regularidade. Então, quando a oportunidade voltou a aparecer, estava preparado para aproveitar”, disse em entrevista à FIFA.

O retorno se deu em outubro do ano passado, para os amistosos contra Coréia do Sul e Japão. No primeiro, foi titular e atuou por 70 minutos. No segundo, não entrou em campo. Voltou a ser chamado para os duelos contra França e Croácia, sendo titular em um e jogando todo o segundo tempo em outro. 

A convocação veio e, talvez, a titularidade. Com o mau momento de Alex Sandro, especialmente na parte física, a regularidade e consistência que acompanharam Douglas durante toda a carreira pode ajudá-lo nesse momento.

Douglas Santos em jogo contra a Croácia. Pode ser o lateral esquerdo titular na Copa do Mundo. Foto: Roger Wimmer
Tags: Árbitros brasileiros na Copa do MundoCarlo AncelottidestaqueDouglas SantosSeleção Brasileira

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