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GUIA

Endrick: craque precoce, estrela e clamor popular na Seleção

Leandro Lainetti por Leandro Lainetti
15 de junho de 2026
no Internacional
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Endrick em treino da Seleção Brasileira durante à Copa do Mundo. Foto: Rafael Ribeiro & Nelson Terme / CBF

Um destino que foi traçado pelo emprego, no caso, pela recusa dele. Difícil imaginar que a trajetória de um jogador possa ter sido definida por um “não” que o pai dele levou. Não é assim que começa a história de Endrick, mas é o ponto-chave da mudança de rumos. 

Até ali, o atacante nascido em Taguatinga, no Distrito Federal, tentou a carreira de jogador como qualquer criança brasileira nessa fase da vida. Jogava em escolinhas sonhando com oportunidades na base de algum clube com relevância no cenário nacional. 

Jogando desde cedo com crianças acima da idade dele, Endrick sempre se destacou. E foi assim que ele quase parou no lado tricolor do muro que separa os CTs de São Paulo e Palmeiras. 

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O atacante fazia parte de uma escolinha parceira do clube do Morumbi, tanto que ia duas vezes por ano ao CT de Cotia para avaliações. Quando completou 10 anos, o São Paulo o chamou para entrar nas categorias de base do time.

O pai quis aceitar o convite, mas pediu um emprego no clube ou o custeio de uma moradia. O Tricolor negou e ofereceu uma ajuda de custo no valor de 150 reais. Sem negócio, o menino seguiu no Distrito Federal.

Mas ao participar de um torneio em que fez 17 gols em 7 jogos, Endrick chamou atenção do Alviverde. O pai gravou os lances do filho pelo torneio e a proposta chegou.

Endrick, aos 13 anos, já no sub-15. Foto: Foto: Fabio Menotti / SE Palmeiras

Palmeiras: fenômeno na base, decisivo no profissional

A negociação não foi diferente. A família de Endrick pediu um local para morar e foi atendida. A mãe e o menino, aos 11 anos, se mudaram primeiro. O pai, auxiliar de limpeza no Mané Garrincha, esperou mais 4 meses para se mudar.

A mãe passou fome. Teve dificuldades para encontrar emprego. Douglas chegou a São Paulo e também batalhou, juntos, chegaram a vender bolo e café perto de estações do metrô. Um tempo depois, foi trabalhar justamente como funcionário de limpeza no CT palmeirense. 

Endrikc em seu primeiro ano no profssional, comeora gol contra o Athletico, no Paraná. Foto: Cesar Greco / SE Palmeiras

Enquanto os pais conseguiam se ajeitar, Endrick virava um fenômeno na base Alviverde. Em cinco anos pelas categorias de base, 165 gols em 169 jogos. Foi campeão em todas as categorias do sub-11 ao profissional, feito inédito na história do clube.

Na Copinha de 2022, com 15 anos, oito gols em sete partidas, melhor jogador do torneio e título para o Verdão. Tudo isso sendo 5 anos mais novo do que a idade máxima permitida na disputa do principal torneio de base do Brasil.

Em 21 de julho de 2022, dia em que completou 16 anos, assinou o primeiro contrato profissional. A estreia da joia foi em 6 de outubro, com 16 anos, tornando-se o jogador mais jovem a fazer uma partida pelo profissional do Palmeiras.

Praticamente 20 dias depois, marcou os dois primeiros gols no profissional, contra o Athletico, quebrando um recorde de 106 anos. O futebol apresentado na base e no começo do profissional já era visto e fazia o jovem ser desejado.

Tanto que em dezembro daquele ano o Real Madrid chegou com um caminhão de dinheiro para levar o atacante embora: quase 400 milhões de reais, venda mais cara da história do futebol brasileiro. 

A ida para Madrid teria de esperar mais um ano e meio, até que ele completasse 18 anos. 2023 pode ser considerado um ano de oscilações, natural para qualquer jovem quando chega aos profissionais. Entretanto, aquele ano terminaria em alta. 

Antes disso, na reta final da temporada, Endrick chegou a perder espaço. A relação com Abel Ferreira era profissional, mas não ia além disso. Após atuar poucos minutos em um jogo da Libertadores, o atacante falou sobre a situação. 

“Eu fico um pouco triste por não estar jogando, mas tenho que segurar um pouco isso. Tive uma conversa com o Abel e ele me tranquilizou. Não fico na azia, como ele fala, de jogar ou não. Ele fala que o importante é trabalhar”, contou Endrick, em entrevista à ESPN após a partida. 

Em boa parte daquele ano, quando questionado sobre Endrick não se firmar no time, o técnico dizia ter preocupação em não expôr o jogador, ainda muito jovem, a uma grande pressão. De certa forma, ele tinha razão, a expectativa em cima da jóia era imensa, mas no fim da temporada ele provaria ser capaz de correspondê-la. 

Pela Libertadores 2024, Endrick comemora gol contra o Deportivo Del Valle. Foto: Cesar Greco / SE Palmeiras

O Botafogo tinha 17 pontos de vantagem faltando nove rodadas para acabar o Brasileirão daquele ano. Nas cinco anteriores, apenas 1 vitória e quatro derrotas, sequência que Endrick já estava novamente como titular, mas sem ajudar a equipe.

Veio o confronto direto com o Alvinegro, fora de casa. Perdendo por 3×0, o time paulista virou o jogo, sob a batuta do atacante, que marcou duas vezes na vitória por 4×3. Contando este jogo, foram 8 partidas e 6 gols na reta final, incluindo o gol do título, no empate contra o Cruzeiro no Mineirão. Endrick mostrou no profissional a mesma estrela e poder de decisão que havia aparecido tantas vezes durante sua passagem pela base. 

2024, o ano da transferência para o Real Madrid, mal havia começado quando o treinador português, mais uma vez, colocou em dúvidas o aproveitamento do jovem. Mesmo elogiando a capacidade de fazer gols do atacante e pedindo um substituto, o técnico colocava em xeque o foco do atacante.

Se a cabeça estava em Madri ou São Paulo, difícil dizer. Fato que, até pegar o avião para a capital espanhola, Endrick não teve um ano como esperado. Foram 22 jogos e apenas 4 gols. 

Real Madrid: alta competição, baixa minutagem

Quando assinou com os merengues em 2022, Endrick não poderia imaginar que dois anos depois chegaria ao clube para brigar por posição com Mbappé, um dos principais atacantes do futebol mundial e que se apresentou ao Real Madrid também no meio de 2024. 

Com Vini e Rodrygo já consolidados, a vida do atacante não seria fácil. E realmente não foi. Embora tenha feito 37 jogos, foram apenas 8 partidas como titular e 845 minutos jogados. A realidade naquela primeira temporada em solo espanhol foi dura. Apesar disso, marcou 7 gols, um deles na Champions, fazendo dele o atleta mais jovem da história do clube a marcar na competição.

Ancelotti, que atualmente é o técnico da Seleção Brasileira, foi questionado inúmeras vezes sobre o pouco aproveitamento e falta de sequência do ex-jogador alviverde. 

“Depende de muitas coisas. Além da competição não falta nada. É um problema de competição. Jogadores que são de extrema qualidade. Acho que a história deste clube diz que muitos titulares estão no banco há muito tempo. Vinicius, há alguns anos, Rodrygo, Valverde, Camavinga. Se você quer estar no Real Madrid é comum ficar um pouco no banco”, falou em uma das oportunidades o treinador.

Na temporada seguinte, o italiano deixou o comando técnico do clube, sendo substituído por Xabi Alonso. O espanhol provou que o que está ruim pode piorar. Entre setembro e dezembro (Endrick perdeu o começo da temporada por uma lesão que o afastou desde o fim da anterior), apenas três partidas e 99 minutos, com uma titularidade pela Copa do Rei, diante de um time da 3° divisão.  Em outras 15 partidas não saiu do banco. A opção, então, foi buscar um empréstimo. 

Endrick emocionado em sua apresentação no Real Madrid; Foto: reprodução / ESPN

Lyon: um recomeço na hora certa

Ao chegar na França, pode onde passaram muitos jogadores do atual grupo da Seleção, Endrick teve a sequência que tanto precisava. Em 21 jogos por todas as competições, foram 8 gols e 7 assistências, 15 participações totais em gols. 

Ótimos números para quem teve que se adaptar a uma nova liga, time e até posicionamento, muitas vezes jogando mais aberto pela direita. A curta passagem no Lyon ajudou Endrick a reencontrar tempo de jogo e bom futebol, o suficiente para garantir a vaga na Copa do Mundo e uma nova chance no Real Madrid, que já confirmou o atleta no elenco para o começo da temporada, agora novamente sob o comando de José Mourinho. 

“Fui para Lyon para voltar a jogar o quanto antes, depois dos meses fora por causa da lesão. Escolhi o Lyon porque parecia ser o melhor para voltar a jogar bem, com um grupo bom, e jogar torneios importantes. Terminamos a temporada com uma vaga na Champions League. A convocação foi uma consequência disso, e me deixou muito feliz, porque foi uma recompensa”, falou o atacante ao ge.

No Lyon, Endrick demonstrou o quanto é um jogador decisivo. Foto: Olympique Lyonnais

Seleção Brasileira: entre a expectativa e a realidade

Poucos jogadores chegaram à Seleção Brasileira carregando tantas expectativas. Com histórico de ter atacantes de renome no futebol mundial, nos últimos anos o Brasil tem tido dificuldades de encontrar alguém para assumir o posto.

Endrick surgiu e parecia ter resolvido o problema. A primeira convocação foi em 2023. O primeiro gol, em 2024. Em amistoso contra a Inglaterra em Wembley, ele marcou o gol da vitória. No duelo seguinte, contra a forte Espanha, mais um gol no empate por 3×3. 

Depois disso, porém, o cenário mudou. Na Copa América foi reserva a maior parte do tempo. Com poucos minutos de jogo no Real Madrid, acabou não sendo convocado durante todo 2025. 

Recuperando o futebol no Lyon e sem unanimidades na posição, a pressão pela sua convocação surtiu efeito e o jovem foi chamado novamente por Carlo Ancelotti para os amistosos contra França e Croácia. Jogou apenas o segundo, quando deu uma assistência nos 14 minutos que ficou em campo. 

Mais do que o suficiente para garantir vaga entre os 26. Nos dois amistosos finais, gol da vitória contra o Egito, passando em branco contra o Panamá. Na estreia da Copa, viu Igor Thiago assumir a titularidade e Raphinha atuar no setor no segundo tempo do empate com Marrocos. 

As críticas ao treinador italiano foram por razões distintas, mas a não utilização de Endrick foi uma das principais. Entre analistas e torcedores, a sensação é que o atacante do Real Madrid está sendo subutilizado, especialmente pelo poder decisivo que demonstrou em outras partidas. 

Como no Palmeiras e no clube espanhol, parece que a titularidade demora mais a vir do que deveria. Essa tem sido a sina de Endrick na carreira até aqui. Mas quando teve sequência, sempre cresceu, jogou bem e decidiu. A ver se Carlo Ancelotti vai dar a chance que ele precisa, e que o torcedor quer.

Endrick na Seleção Brasileira; Foto Rafael Ribeiro / CBF
Tags: Carlo AncelottiConvocação SeleçãoCopa do Mundo 2026destaqueEndrickSeleção Brasileira

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