
O caso de injúria racial denunciado por Vinicius Junior durante o duelo entre Real Madrid e Benfica, na última terça-feira, gerou uma onda de manifestações em toda a Europa. Nenhuma, no entanto, talvez tenha sido tão contundente, analítica e impactante quanto a do técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany. Em uma entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (20), ao ser indagado sobre o assunto, o treinador belga não apenas defendeu o brasileiro, mas também fez duras críticas à postura de José Mourinho, comandante do Benfica.
O episódio ocorreu no Estádio da Luz, em Lisboa. Após marcar o gol da vitória do Real Madrid, Vini Jr. comemorou dançando próximo a bandeirinha de escanteio na casa do adversário e o ato gerou revolta em alguns jogadores do Benfica. No meio da confusão, Vini denunciou ao árbitro ter sido alvo de insultos racistas — supostamente chamado de “macaco” — por parte do jogador argentino do Benfica, Gianluca Prestianni. O protocolo antirracismo da UEFA foi imediatamente acionado, e a partida ficou paralisada por cerca de 10 minutos.
A defesa de Kompany à reação de Vini Jr.
Um dos treinadores negros de maior destaque no cenário do futebol mundial atual, Kompany foi questionado sobre o assunto na coletiva desta sexta e iniciou sua fala validando a atitude do brasileiro, rebatendo qualquer insinuação de que a reação pudesse ter sido exagerada ou “fingida”. Para o técnico do Bayern, a emoção de Vini era genuína.
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“Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida. Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a culpa. Naquele momento, ele achou que era a coisa certa a fazer”, afirmou Kompany, que também citou o apoio de Mbappé, companheiro de Vini e que estava próximo ao episódio, como um fator que reforça a denúncia.
A crítica contundente a Mourinho
O ponto mais forte do discurso, porém, foi a análise de Kompany sobre a entrevista dada por José Mourinho após o jogo. O técnico português criticou a comemoração de Vini Jr. e usou o ídolo benfiquista Eusébio para argumentar que o clube não poderia ser racista. Kompany classificou a atitude como um “erro enorme em termos de liderança”.
“Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo. Além disso, ele mencionou o nome de Eusébio. Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Meu pai é negro e nasceu na década de 60. Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini…”, questionou Kompany, em um dos trechos mais potentes de sua fala.
Ex-zagueiro e um dos poucos técnicos negros na elite do futebol europeu, Kompany finalizou de forma ponderada, afirmando que, apesar de acreditar que Mourinho seja “uma boa pessoa”, ele “cometeu um erro” que não deveria ser aceito.





