A vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Estudiantes, nesta quinta-feira (18), no Maracanã, pelas quartas de final da Libertadores, poderia ser motivo de comemoração pelo fato do Rubro-Negro levar vantagem para o jogo de volta na Argentina. No entanto, a comemoração pelo triunfo foi ofuscada pelas reclamações de jogadores, dirigentes e torcedores após polêmicas protagonizadas pelo árbitro colombiano Andrés Rojas, que se tornou o protagonista negativo da noite para os flamenguistas e gerou uma forte reação do clube carioca.
Em nota oficial divulgada após a partida, o Flamengo classificou a arbitragem como um “desfile de equívocos” com “condução tendenciosa”, prometendo tomar providências junto à Conmebol. A revolta foi uníssona, ecoando das arquibancadas à diretoria e comissão técnica.
O diretor de futebol José Boto classificou a atuação como “vergonha” e “escândalo”, enquanto o técnico Filipe Luís, quebrando seu costume de não falar sobre o tema, foi ainda mais duro. “Infelizmente hoje o árbitro quis ser protagonista do jogo. Essa arrogância e essa prepotência do senhor Andrés faz com que várias famílias saiam daqui prejudicadas”, disparou o treinador, que pediu para que o colombiano “não apitasse mais na Libertadores”.

As reclamações se concentram em três lances capitais: um pênalti não marcado em Luiz Araújo, a expulsão injusta de Gonzalo Plata no mesmo lance, e a validação do gol do Estudiantes, em que os rubro-negros reclamam de um toque no braço do atacante. A polêmica maior, a expulsão de Plata, teve um desdobramento crucial: a própria Conmebol, ao divulgar a análise do VAR, confirmou que a decisão de campo foi incorreta, mas ressaltou que o árbitro de vídeo não pôde intervir por não se tratar de um cartão vermelho direto.
Com base nisso e em um precedente de 2018 envolvendo o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, que teve seu cartão vermelho anulado após comprovado erro de arbitragem, o Flamengo conseguiu a anulação do cartão vermelho de Plata junto a Conmebol, horas depois da nota oficial que fez repudiando a arbitragem de Andrés Rojas.
“O Clube de Regatas do Flamengo informa que a CONMEBOL, por meio de ofício enviado no início da tarde desta sexta-feira (19), retirou a punição aplicada ao atacante Gonzalo Plata em decorrência do segundo cartão amarelo, e consequente expulsão, recebido na partida contra o Estudiantes, realizada na última quinta-feira (18), pela CONMEBOL Libertadores. Com a medida, o atleta encontra-se apto para atuar normalmente no jogo de volta, marcado para a próxima quinta-feira (25), na Argentina”, disse o Flamengo, em nota divulgada na tarde desta sexta-feira.
Quem é Andrés Rojas?
Mas quem é o árbitro no centro de toda a polêmica? Andres José Rojas Noguera, de 41 anos, é um árbitro colombiano que integra o quadro da FIFA desde 2017. Com mais de 320 jogos na carreira, ele é um juiz experiente, com 40 partidas de Libertadores no currículo. No entanto, esta não é a primeira vez que seu nome está envolvido em uma controvérsia de grande repercussão.

Em 2021, Rojas foi o árbitro de campo no polêmico confronto entre Boca Juniors e Atlético-MG, também pela Libertadores. Na ocasião, ele anulou um gol da equipe argentina após ser chamado pelo VAR para revisar um lance de suposta falta. A decisão gerou enorme confusão e, dias depois, a Conmebol emitiu um comunicado afastando Rojas e o árbitro de vídeo por tempo indeterminado, alegando que ambos cometeram “erros graves no exercício de suas funções”.
Apesar do histórico, ele seguiu apitando normalmente nos anos seguintes, inclusive jogos de Eliminatórias da Copa do Mundo e da Copa América. Seus números mostram um árbitro que não economiza nos cartões: em 329 partidas, aplicou 1821 amarelos e 52 vermelhos, uma média de mais de 5,5 cartões amarelos por jogo.
Confira a nota oficial do Flamengo na íntegra:
O Clube de Regatas do Flamengo vem a público comunicar que tomará providências junto à CONMEBOL sobre a atuação da arbitragem na partida contra o Estudiantes de La Plata, disputada nesta quinta-feira, pela CONMEBOL Libertadores. O que se viu em campo, protagonizado pelo árbitro colombiano Andres Rojas, foi um desfile de equívocos e decisões que extrapolaram o limite do erro humano, deixando evidente uma condução tendenciosa, com tratamento diferenciado para as duas equipes, comprometendo diretamente o resultado esportivo e a credibilidade da competição.
As imagens da partida são claras e incontestáveis ao revelar a imensidade dos erros cometidos. Faltas invertidas e cartões amarelos aplicados de maneira desproporcional contra o Flamengo revelam o desequilíbrio das decisões do árbitro em favor do time visitante. Houve um pênalti cometido em toque de mão intencional do defensor na disputa de bola com Luiz Araújo, e a posterior expulsão do Gonzalo Plata, punido com o segundo cartão amarelo em lance no qual é ele quem sofre a falta. A validação de um gol irregular do Estudiantes, marcado após toque no braço aberto do atacante, que expandiu sua área para além do movimento natural assumindo o risco, torna tudo ainda mais grave. Situações como estas não podem ser tratadas como simples falhas, mas sim como um ataque direto à integridade do torneio.
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Como se não bastasse a numerosa quantidade de erros capitais, destacados na imprensa nacional e internacional, também chamou a atenção a omissão do árbitro de vídeo, Nicolás Gallo (COL), e a não utilização do recurso do VAR em momentos que o protocolo exigia sua participação. Todos estes elementos escancaram uma atuação desastrosa da equipe de arbitragem, formada ainda pelos auxiliares Alexander Guzmán Bonilla (COL) e John Alexander León Sánchez (COL), além do quarto árbitro Jhon Alexander Ospina Londoño (COL), algo que influenciou diretamente no resultado desta partida e também comprometeu a escalação do Flamengo para o jogo decisivo na Argentina. O Flamengo irá recorrer junto à CONMEBOL da absurda expulsão do jogador Gonzalo Plata, na absoluta certeza de que a Confederação Sul-Americana de Futebol irá rever a decisão, com urgência, e reverter a punição aplicada ao atleta. O mesmo deve ser feito já para a próxima partida, sob pena de se perpetuar uma injustiça que prejudicaria ainda mais a competição e mancharia sua imagem diante do cenário internacional.
O clube reafirma sua confiança na seriedade do presidente da CONMEBOL, Alejandro Domínguez, reconhecido por seu empenho no desenvolvimento e nas boas práticas do futebol no continente. O Flamengo espera que providências sejam tomadas imediatamente para reparar, ainda que parcialmente, o enorme dano causado pela arbitragem nesta partida e preservar a legitimidade da CONMEBOL Libertadores.





