
Jürgen Klopp foi apresentado nesta sexta-feira, 24 de julho, como novo treinador da seleção alemã. O técnico de 59 anos assinou contrato de quatro temporadas e comandará o país na Eurocopa de 2028 e na Copa do Mundo de 2030.
Durante sua primeira entrevista coletiva, Klopp apresentou seus planos para reconstruir a equipe, mas também fez um aviso direto à imprensa alemã. O treinador afirmou que deixará o cargo caso sua família seja perseguida ou tenha a privacidade invadida durante o trabalho.
“Se vocês não deixarem minha família em paz, eu vou embora”, afirmou Klopp, acrescentando que não exigiria qualquer indenização da Federação Alemã caso decidisse abandonar a seleção por esse motivo.
Klopp assume no dia 15 de agosto
Klopp começará oficialmente o trabalho em 15 de agosto. Ele substitui Julian Nagelsmann, que deixou o cargo após a eliminação alemã diante do Paraguai na primeira fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026.
A Federação Alemã informou que o novo treinador foi aprovado por unanimidade pelos órgãos responsáveis pela decisão. O presidente da entidade, Bernd Neuendorf, classificou Klopp como a primeira opção desde o início da busca e afirmou que as conversas reforçaram a convicção de que ele era “o homem certo no momento certo”.
Klopp reconheceu o tamanho do desafio. A Alemanha não conquista uma partida de mata-mata em Copas do Mundo desde o título de 2014 e acumulou campanhas decepcionantes nas três edições seguintes. Em 2018 e 2022, caiu ainda na fase de grupos. Em 2026, avançou, mas foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis.
Aviso à imprensa marca apresentação
O novo treinador dedicou parte importante da apresentação à relação com a imprensa. Klopp lembrou o tratamento recebido por outros comandantes da seleção e deixou claro que aceita críticas ao desempenho profissional, mas não permitirá que parentes sejam envolvidos.
A condição apresentada pelo técnico não está ligada apenas a reportagens sobre futebol. O alemão mencionou abordagens invasivas, perseguição a familiares e ataques pessoais como situações capazes de provocar sua saída imediata.
Klopp também afirmou que poderá abandonar o cargo caso perceba que seu trabalho deixou de ter apoio ou que não está apresentando resultados. Segundo ele, o contrato não será utilizado como garantia para permanecer recebendo salários caso entenda que não consegue mais ajudar a seleção.
O treinador procurou diferenciar cobrança esportiva de ataques pessoais. Ele disse estar preparado para receber críticas, mas espera uma relação honesta com jornalistas, torcedores e dirigentes durante o ciclo.
Missão é recuperar a ligação com o país
Klopp afirmou que pretende reconstruir não apenas o desempenho da seleção, mas também a relação da equipe com os torcedores. Para ele, poucos elementos possuem tanta capacidade de unir os alemães quanto a seleção nacional.
O novo comandante reconheceu que a Alemanha não possui atualmente a mesma quantidade de estrelas individuais de algumas adversárias, mas acredita que a equipe pode compensar essa diferença com intensidade, organização, pressão e comprometimento coletivo.
Segundo Klopp, os jogadores precisarão demonstrar vontade real de representar o país. O treinador revelou que já elaborou uma lista com aproximadamente 57 atletas de linha que serão observados para as primeiras convocações. Afirmou ainda que as portas estarão abertas e classificou sua chegada como um recomeço para todos.
A proposta passa pela construção de uma identidade reconhecível. A seleção deverá apresentar mais intensidade sem a bola, pressão após a perda da posse e transições rápidas, características presentes nos trabalhos de Klopp por Borussia Dortmund e Liverpool.
Treinador volta à função após dois anos
Klopp deixou o Liverpool ao término da temporada 2023/24, alegando desgaste físico e mental depois de quase nove anos no clube. Em janeiro de 2025, iniciou o trabalho como diretor global de futebol da Red Bull, supervisionando o projeto esportivo das equipes ligadas ao grupo.
A Alemanha representa seu retorno à função de treinador. O técnico já havia rejeitado outras possibilidades desde a saída da Inglaterra, mas tratava o comando da seleção de seu país como uma oportunidade especial.
Durante a Copa do Mundo de 2026, Klopp trabalhou como comentarista na televisão alemã. Ele chegou a ser criticado por uma brincadeira sobre a situação de Nagelsmann e posteriormente pediu desculpas ao então treinador.
Após a eliminação para o Paraguai, Nagelsmann solicitou a rescisão do contrato. A federação anunciou imediatamente que procuraria Klopp, que confirmou sua disponibilidade para iniciar as negociações.
DFB faz acordo com a Red Bull
Klopp ainda possuía vínculo com a Red Bull. Para conseguir sua liberação, a Federação Alemã firmou um acordo com a empresa.
Em vez de pagar uma indenização convencional, a DFB realizará uma doação de € 1 milhão para a Wings for Life, fundação ligada à Red Bull que financia pesquisas sobre lesões na medula espinhal. A entidade também se comprometeu a realizar três partidas da seleção em Leipzig até 2030.
Oliver Mintzlaff, executivo da Red Bull, afirmou que a liberação não foi uma decisão simples, mas que o grupo decidiu apoiar o desejo de Klopp de assumir a seleção alemã.
Comissão técnica reúne antigos parceiros
Klopp contará com uma comissão formada por profissionais conhecidos. Peter Krawietz e Pepijn Lijnders, seus auxiliares durante a passagem pelo Liverpool, voltarão a trabalhar com o treinador. O ex-jogador Sven Bender também integrará a equipe.
Krawietz acompanha Klopp desde o Mainz e também participou dos trabalhos no Borussia Dortmund. Lijnders integrou a comissão que conquistou a Liga dos Campeões de 2019 e o Campeonato Inglês de 2019/20 pelo Liverpool.
Sven Bender disputou sete partidas pela seleção alemã e trabalhou anteriormente nas categorias inferiores da federação. Sua presença deverá facilitar a ligação entre a equipe principal e os jovens jogadores do país.
Per Mertesacker também passará a exercer uma função importante na estrutura. O campeão mundial de 2014 assumirá o cargo de diretor-geral esportivo da DFB em janeiro de 2027, com responsabilidade sobre as seleções e a formação de talentos.
Estreia será contra os Países Baixos
A primeira partida de Klopp está prevista para 24 de setembro, contra os Países Baixos, em Amsterdã, pela Liga das Nações. Três dias depois, a Alemanha receberá a Grécia em Augsburg.
A sequência ainda terá um confronto com a Sérvia, em Munique, e uma nova partida diante da Grécia, desta vez fora de casa. Esses compromissos representarão o início da preparação para a Eurocopa de 2028.
Klopp classificou o cargo como o ponto mais alto de sua carreira e indicou que a seleção alemã deverá ser seu último grande trabalho como treinador. Seu contrato atravessará dois torneios importantes e terminará depois da Copa do Mundo de 2030.
A apresentação deixou duas mensagens principais. Dentro de campo, Klopp pretende recuperar a intensidade, a competitividade e a ligação da seleção com o país. Fora dele, estabeleceu uma condição inegociável: o trabalho poderá ser cobrado, mas sua família deverá permanecer protegida.





