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GUIA

Luiz Henrique: cria de Xerém, ídolo do Botafogo e leveza na Seleção Brasileira

Leandro Lainetti por Leandro Lainetti
4 de junho de 2026
no Internacional
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Luiz Henrique embarcando para a Copa do Mundo 2026. Foto: Rafael Ribeiro / CBF

O sorriso largo, geralmente estampado no rosto, esconde as dificuldades encaradas na infância. O ponta insinuante, que hoje parte para cima de qualquer zagueiro sem cerimônia, precisou enfrentar alguns desafios e as subidas e descidas do Vale do Carangola, comunidade em que foi criado na cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. 

Foi ali, aos seis anos, que ele teve o primeiro contato de verdade com o futebol. A família juntou selos de uma dessas promoções de jornal e pegou uma bola como prêmio. Coube ao irmão do atacante, Diego, o papel de primeiro olheiro para reconhecer o talento do menino.

“Meu irmão [Luiz Henrique] ficou apaixonado pela bola. Ele era pequeno, tinha 6 anos. Aí eu o levava no campinho e via que era um jogador canhoto e que chutava forte”, relatou Diego em entrevista ao UOL.

Até chegar ao Fluminense, com 11 anos de idade, ele participou da Escola Max, uma dessas escolinhas de futebol que existem em qualquer canto do Brasil. Jhonny Max, dono que dá nome ao local, foi quem percebeu as qualidades do Luiz Henrique. Depois, acabou virando seu primeiro treinador, mentor e empresário. 

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“Fiz algumas brincadeiras de movimentação, trabalhando coordenação e nisso tinha uma bola largada lá e o Zuluzinho (apelido de Luiz Henrique na infância) bateu para o gol. A bola foi no ângulo! Aí eu olhei e falei: ‘pô, de canhota, o garoto é diferente’. Aí depois de eu ter feito as atividades, a mãe dele chegou e eu convidei para participar da escolinha nessa quadra aqui. E aí eles começaram a vir”, contou ele ao UOL.

Quando surgiu a oportunidade em Xerém, ele agarrou de primeira. Fez o teste e foi aprovado. Mas a vida não estava resolvida, nem mesmo a decisão de ser jogador estava tomada. 

Apesar de amar o futebol, a cansativa rotina de viagens de ônibus entre Petrópolis e Xerém (onde fica o CT do Tricolor carioca) e uma outra paixão, quase o fizeram desistir. Luiz Henrique também era praticante de judô no colégio e chegou a ganhar até medalhas.

A exigência que o futebol tem o fez se afastar dos amigos e do outro esporte. Mas, no fim, acabou escolhendo por driblar zagueiros do que derrubar adversários. 

Fluminense: mais uma joia de Xerém que vingou no profissional

Ao contrário dos pontas brasileiros tradicionais, que costumavam atuar colados na linha lateral, Luiz Henrique desenvolveu um repertório mais completo. Aprendeu a atacar espaços internos, participar da construção das jogadas e pressionar sem a bola.

A evolução chamou atenção dos treinadores das categorias inferiores e rapidamente o colocou entre os principais nomes da geração tricolor. Em 2020, recebeu as primeiras oportunidades no elenco profissional com o técnico Odair Hellmann.

“O Luiz Henrique foi observado na Copa São Paulo e a gente fez questão na volta do período de pandemia de já colocar ele conosco, desde os treinamentos virtuais. É um jogador que a gente vem observando, usando ele dentro dos treinamentos em diversas funções para que ele possa crescer, evoluir. Colocando ele muitas vezes até para jogar em momentos defensivos. É um menino que vem crescendo nos treinamentos e vem recebendo oportunidades. Espero que aproveite cada vez mais”, disse o auxiliar Maurício Dulac, após vitória do Flu sobre o Inter no Brasileirão de 2020.

Mesmo na pandemia, o ponta conseguiu encontrar seu espaço no elenco profissional e foi crescendo de produção nas temporadas seguintes. 

Em 2021 e em parte de 2022, foi titular em muitas partidas. Pelo Flu, foram 120 jogos e 14 gols, mostrando outra característica de Luiz Henrique: é um jogador de muito impacto no jogo, mas que nem sempre é traduzido nas estatísticas. Tanto que um clube espanhol veio buscá-lo.

Luiz Henrique é cria do Fluminense. Foto: Marcelo Gonçalves e Mailson Santana / Fluminense FC

Real Betis: a adaptação ao futebol espanhol

Em 2022, o Real Betis desembolsou cerca de 13 milhões de euros para contratar o atacante. Era a maior venda da história do Fluminense naquele momento.

A chegada à Espanha representava um novo desafio na carreira. O futebol europeu exigia decisões mais rápidas, maior intensidade e força física e uma leitura tática mais sofisticada. A adaptação foi gradual. Nos primeiros meses, Luiz Henrique alternou bons momentos com dificuldades naturais de um jogador jovem vivendo a primeira experiência fora do Brasil.

Mas o técnico Manuel Pellegrini sempre demonstrou confiança no potencial do brasileiro. Após a vitória do clube espanhol contra a Roma pela Liga Europa, o chileno elogiou o jogador.

“É um atleta muito jovem que está se adaptando ao futebol espanhol. Suas atuações estão melhorando pouco a pouco. Vai ser um grande jogador no futuro”. 

A espécie de premonição viria a se confirmar no próximo capítulo da carreira de Luiz Henrique. Após uma temporada e meia pelo Bétis, atuando 67 vezes, marcando 4 gols e dando 11 assistências, já era hora de voltar ao Brasil.

Ao lado de seus companheiros, Luix Henrique levou o Betis à Europa League. Foto: Eric Verhoeven

Botafogo: insistência de Textor e um lugar na história

Quando o Botafogo decidiu investir pesado em Luiz Henrique em 2024, muita gente se surpreendeu. Não era comum ver um jogador ainda valorizado no mercado europeu retornar ao futebol brasileiro em idade competitiva.

Mas o projeto esportivo da SAF liderada por John Textor pesou na decisão. O clube enxergava no atacante a peça ideal para liderar uma equipe que sonhava em disputar títulos, e o mandatário alvinegro foi quem convenceu o jogador, indo até a casa dele, em Sevilha. 

“O John Textor foi lá em casa, é um cara que mostrou o seu maior trabalho para me trazer para o Botafogo, estamos muito felizes por ele ter feito, ele fez de tudo, virou nossa cabeça (risos). Estamos muito felizes. Sentei com a minha mulher e não tivemos nenhuma dúvida de escolher o Botafogo”, disse o atacante na coletiva de apresentação. 

A aposta deu resultado rapidamente. Foi no clube da Estrela Solitária que Luiz Henrique viveu a temporada mais impactante da carreira. Em 2024,foi o protagonista absoluto do time que conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, a temporada mais vitoriosa da história do clube.

Na final da competição continental, em que o Botafogo teve um jogador a menos durante toda a partida, foi ele o responsável direto por dois dos três gols marcados pelo time, anotando o primeiro e sofrendo o pênalti que gerou o segundo.  

Uma passagem tão marcante quanto meteórica. Em janeiro de 2025, o camisa 7 se despediu do Alvinegro e rumou para o futebol russo. 

Luiz Henrique foi um dos destaques do Botafogo campeão da Libertadores em 2024. Foto: Buda Mendes

Zenit: uma nova etapa na carreira

Após o auge vivido no Botafogo, Luiz Henrique voltou ao futebol europeu ao acertar com o Zenit.

A transferência gerou debates por duas razões: primeiro por jogar em um clube que está proibido de jogar as competições européias em consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia, ficando fora dos grandes palcos do futebol mundial, e segundo por acreditarem que ele tinha potencial para estar em uma das cinco principais ligas da Europa. 

Ainda assim, o projeto financeiro e esportivo apresentado pelos russos pesou na decisão. Nesse período de Rússia, foram 46 jogos, sete gols e cinco assistências, mostrando, mais uma vez, que é um jogador de impacto no jogo, mas que nem sempre é refletido nas principais estatísticas. 

Essa decisão poderia ter atrapalhado sua participação na Seleção Brasileira, já que a visibilidade no futebol russo é bem menor que em outros países. Mas isso não aconteceu graças ao próprio jogador.

Luiz Henrique é uma das estrelas do Zenit St Petersburgo. Foto: Mike Kireev

Seleção Brasileira: sem sentir o peso da camisa

Durante anos, Luiz Henrique foi visto como um jogador talentoso, mas que ainda precisava transformar potencial em protagonismo. A temporada de 2024 mudou essa percepção. Tanto que, naquele ano, Dorival Júnior convocou o Pantera Negra pela primeira vez para a Seleção e o atacante rapidamente ganhou espaço, sempre entrando bem nos jogos. 

Sua capacidade de acelerar transições, atacar espaços e desequilibrar individualmente passou a ser vista como uma característica rara dentro do futebol brasileiro atual. Com Ancelotti, só não esteve na primeira convocação, depois foi nome certa em todas as listas, inclusive na mais importante: a da Copa do Mundo de 2026. 

Agora, chega ao seu primeiro Mundial com a expectativa de ser titular e ajudar o Brasil a conquistar o Hexa. Embora tenha demonstrado em toda a carreira o tipo de impacto que causa nos jogos, se conseguir ser tão decisivo como foi em 2024, melhor para a Amarelinha.

O Brasil venceu o Chile de virada nas Eliminatórias com Luiz Henrique marcando o gol decisivo, o seu primeiro pela Seleção. Foto: Marcelo Hernandez
Tags: BrasilCarlo AncelottiConvocação Copa do MundoCopa do Mundo 2026destaqueluiz henriqueSeleção Brasileira

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