
Franco Baresi, um dos maiores jogadores da história do Milan e do futebol italiano, morreu nesta sexta-feira, 31 de julho, aos 66 anos. A notícia foi confirmada pelo clube, que tratou o antigo capitão como uma figura incorporada definitivamente à identidade rubro-negra.
A causa da morte não foi informada imediatamente pelo Milan. Em agosto de 2025, Baresi havia passado por uma cirurgia minimamente invasiva para a retirada de um nódulo pulmonar. Depois do procedimento, um especialista em oncologia recomendou um tratamento de consolidação com imunoterapia.
Baresi havia completado 66 anos em maio. Seu último grande compromisso público aconteceu na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, em fevereiro, quando participou da condução da chama olímpica.
Milan lamenta morte de seu capitão eterno
O Milan publicou uma homenagem intitulada “Franco Baresi para sempre”. O clube afirmou que anunciar a perda de alguém que representava sua alma era uma tarefa especialmente difícil e convocou seus torcedores a preservar a memória do antigo capitão.
Em outra manifestação, o Milan declarou que toda a história do clube estava de luto e destacou a integridade de Baresi, comparando a permanência de seu legado à eternização da camisa 6.
A relação entre Baresi e o Milan começou nas categorias de base, em 1974. Ele estreou profissionalmente na temporada 1977/78 e permaneceu no clube até encerrar a carreira, em 1997.
Foram 20 temporadas, 719 partidas oficiais e seis títulos do Campeonato Italiano. O defensor também conquistou três vezes a Copa dos Campeões da Europa, atual Liga dos Campeões, duas Copas Intercontinentais e quatro Supercopas da Itália.
Baresi permaneceu no Milan durante as crises
A ligação com o Milan não foi construída apenas durante os períodos de conquistas.
Baresi permaneceu no clube durante duas passagens pela segunda divisão italiana no começo dos anos 1980. Mesmo em um momento de instabilidade esportiva e administrativa, decidiu não sair e ajudou a equipe a retornar à elite.
O zagueiro assumiu a braçadeira ainda jovem e foi capitão do Milan por 15 temporadas. Posteriormente, liderou a equipe durante sua transformação em uma das maiores forças da história do futebol europeu.
Com a chegada de Silvio Berlusconi à presidência e de Arrigo Sacchi ao comando técnico, o Milan formou uma equipe que modificou conceitos defensivos. Baresi tornou-se a principal referência de uma linha que também contou com Mauro Tassotti, Alessandro Costacurta e Paolo Maldini.
O grupo utilizava marcação por zona, pressão coletiva, linha defensiva adiantada e movimentos coordenados para deixar os adversários em posição de impedimento. Baresi organizava o setor e também participava do início das jogadas, combinando capacidade defensiva com qualidade no passe.
Símbolo dos grandes times de Sacchi e Capello
Sob o comando de Arrigo Sacchi, o Milan conquistou duas Copas dos Campeões consecutivas, em 1989 e 1990.
O time reunia os holandeses Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard, mas tinha em Baresi sua principal referência defensiva e emocional. O capitão era responsável pela organização de um sistema que se tornou modelo para equipes de diferentes países.
A terceira conquista europeia aconteceu em 1994, já com Fabio Capello. O Milan venceu o Barcelona por 4 a 0 na final, embora Baresi não tenha disputado a decisão por suspensão.
Naquele período, o clube também estabeleceu uma sequência de 58 partidas sem perder na Série A, marca que ajudou a equipe de Capello a ficar conhecida como “Os Invencíveis”.
Baresi encerrou a carreira em 1997. Como homenagem, o Milan aposentou a camisa 6, tornando o defensor o primeiro jogador da história do clube a receber essa distinção.
Campeão mundial com a Itália
Franco Baresi também construiu uma trajetória importante pela seleção italiana.
O defensor disputou 81 partidas e marcou um gol com a camisa da Itália. Participou de três edições da Copa do Mundo e de duas Eurocopas.
Em 1982, integrou o elenco campeão mundial na Espanha. Baresi não entrou em campo durante a campanha, mas participou do grupo que superou Brasil, Argentina, Polônia e Alemanha Ocidental na caminhada até o título.
O zagueiro se tornou protagonista da seleção nos ciclos seguintes. Na Copa de 1990, disputada na Itália, ajudou a equipe a terminar na terceira colocação.
Quatro anos depois, foi capitão da Itália na campanha até a final da Copa do Mundo dos Estados Unidos. Sua participação ficou marcada por uma recuperação considerada extraordinária.
Baresi sofreu uma lesão no joelho durante a fase de grupos, passou por uma cirurgia e retornou apenas 25 dias depois. Mesmo com pouco tempo de recuperação, disputou os 120 minutos da decisão contra o Brasil.
A partida terminou empatada por 0 a 0, e o título foi decidido nos pênaltis. Baresi cobrou a primeira penalidade italiana e finalizou por cima. O Brasil venceu a disputa e conquistou o tetracampeonato.
Apesar do erro, a atuação do capitão durante o tempo regulamentar e a prorrogação permaneceu como um dos momentos mais lembrados de sua carreira.
Paolo Maldini homenageia antigo capitão
Paolo Maldini, que posteriormente herdou a braçadeira e se tornou outro grande símbolo do Milan, publicou uma homenagem ao antigo companheiro.
Maldini afirmou que foi protegido por Baresi quando ainda era jovem, orientado durante o crescimento profissional e inspirado ao longo da vida adulta. Também o classificou como o melhor jogador com quem teve a oportunidade de atuar.
Clubes como Inter de Milão, Juventus, Roma, Napoli e Real Madrid também lamentaram a morte. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, destacou a lealdade, a seriedade e a dedicação demonstradas pelo antigo defensor.
A Federação Italiana de Futebol anunciou que Baresi será homenageado nos próximos compromissos da seleção. O presidente Giovanni Malagò ressaltou que o defensor utilizou apenas duas camisas durante a carreira: a do Milan e a da Itália.
A entidade também determinou um minuto de silêncio antes de todas as partidas amistosas realizadas na Itália nesta sexta-feira e durante o fim de semana.
Baresi continuou ligado ao Milan depois da aposentadoria
O antigo capitão permaneceu trabalhando para o Milan depois de deixar os gramados.
Baresi exerceu funções nas categorias de base, no departamento de observação e em diferentes áreas institucionais. Em outubro de 2020, foi nomeado vice-presidente honorário do clube.
Em 2024, tornou-se o primeiro integrante oficial do Hall da Fama criado pelo Milan. A escolha aconteceu no ano em que completou cinco décadas de ligação com a instituição, considerando sua chegada às categorias de base em 1974.
Sua presença era utilizada pelo clube para representar a história, os valores e a identidade do Milan em eventos internacionais.
Funeral será realizado em Milão
O funeral de Franco Baresi está marcado para terça-feira, 4 de agosto, às 11h pelo horário local, na Basílica de Santo Ambrósio, em Milão.
O clube também prepara um velório público para permitir que torcedores prestem suas últimas homenagens. Os horários ainda serão divulgados.
Baresi deixa um legado construído pela permanência em um único clube, pela inteligência defensiva e pela liderança exercida durante duas décadas.
Mais do que um jogador que conquistou seis Campeonatos Italianos e três vezes a Europa, tornou-se a representação de uma época em que o Milan passou de uma equipe em crise para uma potência mundial.
A camisa 6 já não era utilizada desde sua aposentadoria. A partir de agora, ficará também como a lembrança permanente de um dos maiores capitães da história do futebol.