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Há 64 anos, Santos goleava o Benfica em Lisboa e conquistava seu primeiro Mundial

Em 11 de outubro de 1962, time de Pelé venceu por 5 a 2 no Estádio da Luz, com três gols do camisa 10, e confirmou uma das maiores conquistas da história do clube

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
11 de outubro de 2026
no Internacional, Nacional
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Em 11 de outubro de 1962, o Santos entrou no Estádio da Luz, em Lisboa, para enfrentar o Benfica na partida que definiria a Copa Intercontinental daquele ano. De um lado estava o campeão da Libertadores, comandado por Pelé e cercado por alguns dos melhores jogadores do futebol brasileiro. Do outro, o bicampeão europeu, liderado por Eusébio e acostumado a enfrentar as maiores equipes do continente. O Santos venceu por 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Coutinho e outro de Pepe, e conquistou pela primeira vez o principal título mundial entre clubes daquela época. Sessenta e quatro anos depois, aquela partida continua sendo uma das referências mais importantes para entender o tamanho do Santos do início dos anos 1960.

O confronto era o encontro entre os campeões da América do Sul e da Europa, formato utilizado pela Copa Intercontinental desde 1960. O Santos havia conquistado sua primeira Libertadores naquele mesmo ano, derrotando o Peñarol na decisão, enquanto o Benfica chegava como bicampeão da Copa dos Campeões da Europa depois de superar o Real Madrid em uma final histórica. Não era, portanto, apenas uma disputa por um troféu internacional, mas um encontro entre duas equipes que estavam entre as melhores do mundo naquele momento. O futebol brasileiro acabara de conquistar sua segunda Copa do Mundo consecutiva no Chile, e vários jogadores santistas faziam parte daquela geração. A decisão também oferecia ao clube a oportunidade de transformar seu domínio nacional e continental em uma conquista de alcance mundial.

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A primeira partida havia sido disputada no Maracanã, em 19 de setembro, e terminou com vitória santista por 3 a 2. Pelé marcou duas vezes e Coutinho completou o placar, enquanto Santana fez os dois gols portugueses. O resultado dava vantagem ao Santos, mas não encerrava a disputa, que ainda precisava ser confirmada em Lisboa. O Benfica tinha força suficiente para acreditar em uma reação, especialmente jogando no Estádio da Luz diante de sua torcida. O que aconteceu em Portugal, porém, foi uma atuação ainda mais convincente do time brasileiro.

Pelé fez três gols em uma das grandes atuações de sua carreira

Pelé tinha apenas 21 anos, mas já chegava àquela decisão com um currículo que poucos jogadores alcançariam em uma carreira inteira. Era bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, havia sido protagonista da Copa de 1958 e, mesmo tendo se machucado no início do Mundial de 1962, continuava sendo reconhecido como o principal jogador de sua geração. Contra o Benfica, mostrou por que sua influência ultrapassava o futebol brasileiro. Marcou três dos cinco gols santistas e participou constantemente das ações ofensivas que desmontaram a defesa portuguesa. Sua atuação em Lisboa acabou se tornando uma das mais lembradas de toda a trajetória pelo Santos.

O primeiro gol saiu ainda no início da partida, permitindo que o Santos jogasse com maior tranquilidade. Pelé voltou a marcar antes do intervalo e ampliou a vantagem de uma equipe que conseguia controlar o jogo mesmo enfrentando o campeão europeu fora de casa. Na segunda etapa, o camisa 10 completou seu hat-trick, enquanto Coutinho e Pepe também balançaram as redes. O Benfica ainda marcou duas vezes, mas já não havia possibilidade real de reação diante da vantagem construída pelos brasileiros. O placar de 5 a 2 confirmou uma superioridade que chamou atenção também pela maneira como o Santos conseguiu jogar ofensivamente dentro da casa do adversário.

Aquela equipe, porém, não pode ser reduzida apenas a Pelé. Gilmar era um dos principais goleiros do mundo, Mauro havia sido capitão da Seleção no título mundial daquele mesmo ano e Zito era uma referência no meio-campo. Na frente, Coutinho formava com Pelé uma dupla de enorme entendimento, enquanto Pepe oferecia velocidade, finalização e qualidade nas bolas paradas. Dorval completava um ataque que se tornaria um dos mais conhecidos da história do futebol brasileiro. A força coletiva permitia que Pelé tivesse liberdade para participar do jogo em diferentes regiões e potencializava uma equipe que atacava com muitos jogadores.

O Benfica também estava longe de ser um adversário comum. O clube português havia derrotado o Barcelona na final europeia de 1961 e o Real Madrid por 5 a 3 na decisão de 1962. Eusébio, então com 20 anos, iniciava uma trajetória que o transformaria em um dos maiores jogadores europeus de todos os tempos. A goleada santista, portanto, não aconteceu contra uma equipe secundária ou em decadência, mas contra o clube que havia vencido as duas últimas edições da principal competição continental da Europa. Esse contexto ajuda a entender por que o 5 a 2 permanece como um dos resultados mais importantes da história do Santos.

O início do período mais internacional da história santista

A conquista de 1962 também marcou a transformação definitiva do Santos em uma referência internacional. O clube já dominava o futebol paulista e havia iniciado uma sequência de títulos nacionais, mas a Libertadores e a Copa Intercontinental colocaram aquela geração diante de adversários de outros continentes. As excursões internacionais passaram a ocupar espaço importante no calendário, e o Santos tornou-se uma atração em diferentes países. Boa parte desse interesse estava naturalmente ligada a Pelé, mas o reconhecimento também vinha da qualidade de uma equipe que acumulava vitórias e apresentava um futebol ofensivo em praticamente qualquer lugar onde jogava.

O título mundial não seria um acontecimento isolado. Em 1963, o Santos conquistou novamente a Libertadores e voltou à Copa Intercontinental, desta vez para enfrentar o Milan. O clube brasileiro conseguiu o bicampeonato mundial depois de uma decisão muito mais equilibrada, que precisou de três partidas para ser resolvida. Com isso, tornou-se campeão da Libertadores e do mundo em dois anos consecutivos. A sequência consolidou o período mais vencedor da história santista e colocou o clube entre as principais forças internacionais do futebol daquela década.

Pelé continuaria sendo a figura central dessa trajetória. Pelo Santos, marcou mais de mil gols na contagem tradicional de sua carreira, conquistou títulos nacionais, estaduais, continentais e mundiais e participou de excursões que ajudaram a tornar o clube conhecido muito além do Brasil. Pela Seleção, ainda seria campeão mundial novamente em 1970, tornando-se o único jogador da história a participar de três equipes campeãs da Copa do Mundo. O jogo contra o Benfica em 1962 pertence justamente ao período em que sua carreira individual e a ascensão internacional do Santos avançavam juntas.

Coutinho também merece destaque dentro daquela geração. Ainda muito jovem, desenvolveu com Pelé uma parceria baseada em movimentação curta, tabelas rápidas e capacidade de finalização que se tornou uma das marcas do Santos. Pepe, por sua vez, passou toda a carreira profissional no clube e terminou como um dos maiores artilheiros de sua história. Zito, capitão e referência no meio-campo, representava o equilíbrio de uma equipe frequentemente lembrada pelo ataque, mas que também possuía jogadores experientes em todas as posições. O sucesso internacional foi resultado dessa combinação entre talentos excepcionais e uma estrutura coletiva muito forte.

A importância daquele time também aparece na relação com a Seleção Brasileira. O Santos forneceu vários jogadores às equipes campeãs mundiais e esteve diretamente ligado ao período em que o Brasil se transformou em uma potência global do futebol. Em 1962, enquanto o país comemorava o bicampeonato mundial conquistado no Chile, o clube paulista completava seu próprio percurso internacional com os títulos da Libertadores e da Copa Intercontinental. Clube e seleção compartilhavam jogadores, ideias ofensivas e um momento de enorme prestígio do futebol brasileiro no exterior.

Por isso, recordar o 11 de outubro de 1962 apenas como o aniversário de um título não mostra completamente o significado daquela partida. O Santos não simplesmente venceu o Benfica e recebeu uma taça; derrotou o bicampeão europeu em Lisboa por 5 a 2 e confirmou que uma equipe sul-americana poderia enfrentar as melhores forças do continente europeu em igualdade técnica e, naquela noite, com ampla superioridade. Foi também uma das grandes atuações de Pelé com a camisa santista, em um momento no qual ele ainda tinha apenas 21 anos. O resultado ajudou a construir a dimensão internacional que o clube conserva até hoje.

Sessenta e quatro anos depois, o primeiro Mundial permanece como uma das principais referências da identidade santista. Muitas gerações passaram pelo clube, outros títulos foram conquistados e diferentes jogadores se tornaram ídolos, mas o time de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito e companhia continua ocupando um espaço próprio na história. A vitória no Estádio da Luz resume boa parte daquele período: um Santos tecnicamente superior, ofensivo e capaz de levar seu futebol a qualquer lugar do mundo. Em 11 de outubro de 1962, esse time encontrou o melhor clube europeu daquele momento e voltou de Lisboa como campeão mundial.

Ficha da Partida:

Benfica 2 x 5 Santos

Data: 11/10/1962, quinta-feira, 18h00.
Competição: Mundial Interclubes / Intercontinental Cup – Final – Partida de volta
Local: Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal.
Público: 73.000
Árbitro: Pierre Schwinté (FRA).
Gols: Pelé (17-1), Pelé (27-1); Coutinho (03-2), Pelé (20-2), Pepe (32-2), Eusébio (41-2) e Simões (44-2).

BENFICA: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Cavem e Jacinto, José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões.
Técnico: Fernando Riera

SANTOS: Gylmar; Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.
Técnico: Lula

Tags: BenficaCopa IntercontinentalCoutinhoEusébioFutebol BrasileiroHistória do FutebolMundial de CLubesPeléPepesantos

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