
Vinicius José Paixão de Oliveira Júnior, ou apenas Vini Jr, nasceu em 12 de julho de 2000, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. No Flamengo, ainda muito jovem, já era tratado como um talento fora da curva, tanto que estreou nos profissionais aos 17 anos de idade e com a venda já encaminhada ao poderoso Real Madrid.
Antes disso, deu os primeiros passos no mundo da bola na escolinha do clube, lá mesmo na cidade onde nasceu e cresceu. A trajetória pelas categorias de base do rubro-negro seguiu um percurso muito conhecido por outras joias do futebol brasileiro. Destaque e subida precoce aos profissionais.
A primeira aparição como profissional aconteceu em maio de 2017, no empate com o Atlético-MG, no Maracanã, quando entrou no segundo tempo do jogo.
Poucos dias depois, o Flamengo confirmou a operação que mudaria a vida de Vinicius: o Real Madrid pagaria 45 milhões de euros para levá-lo, com transferência acontecendo em julho de 2018, quando ele teria 18 anos de idade.
O negócio foi impactante não só pelo tamanho da promessa, mas, sobretudo, pela pressa dos espanhóis em garantir um jogador que ainda estava no começo de tudo. Mas isso tinha uma razão: anos antes, o Real havia perdido Neymar para o Barcelona.
Embora Vini não tenha surgido cercado das mesmas expectativas do camisa 10 do Santos, os merengues não quiseram correr o risco. Muito antes da maturidade profissional e pessoal do futuro camisa 7, o Real apostou alto.

A travessia até Madrid
Vini chegou na capital espanhola badalado pelo valor investido na contratação dele. Como toda moeda tem dois lados, a pressão para que desse resultados rápidos foi proporcional ao montante de dinheiro desembolsado.
Talvez isso tenha atrapalhado o início da história com os merengues. Talvez tenha sido justamente a falta de maturidade e até mesmo de lapidação do talento, que era enorme, mas ainda em desenvolvimento. Vini subiu aos profissionais do Flamengo rápido demais e, naturalmente, com muitas falhas técnicas, principalmente nas finalizações e nas tomadas de decisão.
No começo era visto como um atacante explosivo, driblador e desequilibrante, mas ainda muito cru. O talento estava ali, mas a eficiência, não. Durante um bom tempo, sua carreira na Espanha foi acompanhada por um julgamento quase permanente, com críticos ávidos para colar nele o selo de fracasso.
Mas o menino criado em uma comunidade pobre de São Gonçalo aprendeu desde cedo que, muitas vezes, a dedicação é o caminho, ou atalho, para o sucesso. Para não ficar parado no começo da temporada, já que não seria aproveitado pelo treinador Julen Lopetegui, Vini pediu para jogar pelo Real Castilla, a equipe B.
– Ele jogou pouco no Castilla, mas foi a forma que ele mesmo encontrou de jogar e começar a adaptação dele ao clube. Foi importante para o Real ver que ele veio pra trabalhar e que não tinha ego. A vontade do Vinicius era jogar. Ele fez com a camisa do Real o que ele fazia no Flamengo. Sem medo, sem deslumbramento, com atrevimento e vontade – comentou o jornalista Fernando Kallás em reportagem do Lance! de 2018.
Foram cinco jogos e quatro gols, o suficiente para os torcedores do clube fazerem pressão pela utilização dele com os profissionais. Ainda assim, o treinador usou pouco o atacante até ser demitido, ainda em outubro de 2018.

Portas abertas com a chegada de Solari
Com a saída de Lopetegui, assume Santiago Solari, que foi justamente o técnico de Vini no Real Castilla. A partir dali, ele começou a atuar com mais frequência, alternando entre a titularidade e jogos vindos do banco.
Marcou o primeiro gol em novembro daquele ano. Já no ano seguinte, em fevereiro de 2019, Vini poderia começar a escrever sua história com a Seleção Brasileira. Mas não foi o que aconteceu.
Apesar de garantir a primeira convocação com o técnico Tite, dias depois se lesionou em um jogo pela Champions League e ficou dois meses afastado dos gramados, retornando apenas no final da temporada, já com Zinedine Zidane no comando da equipe.
A primeira temporada terminou com 31 partidas, 20 delas como titular, quatro gols e uma incógnita. Quais seriam os planos do francês para a joia brasileira?
Sem prestígio com Zidane, moral com Ancelotti
Na segunda passagem do francês como treinador do Real Madrid, Vini teve mais uma temporada de altos e baixos. Somente na reta final do trabalho, em 2021, que o atacante pareceu convencer Zizou que poderia ser importante e uma das grandes estrelas da equipe.
Mas já era tarde demais. Ao fim daquela temporada, o técnico sairia do clube e a trajetória de Vini mudaria de vez. Só que, nesse caso, para melhor.
Ancelotti chegou decidido a desenvolver o jogador brasileiro. Era uma espécie de prioridade do italiano, que enxergava nele um diamante bruto e passou a criar o contexto ideal para lapidar a joia.
A temporada 21/22 foi a virada de chave e provou que o experiente técnico estava certo: o jogador que um ano antes ainda era cercado de dúvidas terminou com 22 gols e 20 assistências, sendo peça fundamental do Real Madrid que se sagrou Campeão Espanhol e Europeu, com direito ao gol do título contra o Liverpool.
Aquela jogada, entrando nas costas da defesa para dar o destino certo ao chute errado de Valverde, não foi apenas o gol mais importante da carreira até então. Foi o lance que encerrou a fase das perguntas com uma taxativa resposta: Vini Jr é um jogador da primeira prateleira.
Depois daquela final, o camisa 7 pegou gosto pelos grandes palcos, noites e jogos. Em 2024, marcou outra vez na final da Champions, agora contra o Borussia Dortmund, se tornando o primeiro brasileiro a marcar em duas finais da competição. Poucos dias depois, a UEFA o escolheu como melhor jogador daquela edição do torneio, campanha em que ele terminou com seis gols e cinco assistências.
No fim daquele mesmo ano, seria eleito o melhor jogador do mundo, ganhando o The Best, prêmio da FIFA, encerrando o jejum de 17 anos sem jogadores brasileiros vencendo o troféu
Para reforçar ainda mais essa versão decisiva em grandes momentos, um dado marcante: Nas últimas cinco edições de Champions League, nenhum jogador tem mais participações em gols do que o craque do Real Madrid. São 57, entre gols e assistências, em 61 jogos.

A luta que ultrapassou o futebol
Mas contar a história de Vinícius só pelo campo já não basta. Nos últimos anos, ele assumiu o protagonismo na luta contra o racismo no futebol europeu. Em março de 2024, chorou em entrevista coletiva ao dizer que os ataques racistas recorrentes na Espanha estavam tirando sua vontade de jogar.
Não foram palavras ao vento ou um desabafo qualquer: foi um momento em que um dos maiores jogadores do mundo expôs, em rede global, o desgaste de viver sob repetidos episódios de violência racial.
O Real Madrid apoiou, ainda que com atraso, e um marco veio em junho do mesmo ano, quando três torcedores do Valencia foram condenados por insultos racistas dirigidos a ele.
Era a primeira condenação criminal desse tipo na história da Espanha. A reação de Vini também ajudou a definir o personagem: “não sou vítima do racismo, sou o algoz dos racistas”, escreveu em manifesto nas próprias redes sociais. A partir dali, o jogador fincou uma bandeira e, mesmo ainda sendo perseguido, segue lutando e denunciando o racismo.
O episódio mais recente foi na atual temporada, quando Prestianni, meio-campista do Benfica, insultou Vinícius em um jogo da Champions. O caso rendeu uma suspensão de seis jogos ao jogador argentino.
A Seleção, a boa Copa de 2022 e a sensação de dívida
Na Seleção, o caminho lembra o início da carreira. Pressão, questionamentos e muita irregularidade. A realidade é que, até hoje, poucas vezes o Vini protagonista e decisivo do Real Madrid foi visto representando o Brasil. A melhor versão foi justamente na Copa do Mundo de 2022, quando se salvou em meio a uma fraca campanha.
Após a Copa e com as constantes ausências de Neymar, cresceram as cobranças para que ele desse o passo adiante e assumisse de vez a liderança técnica da Seleção. Claro que as mudanças frequentes de técnico durante o ciclo para a edição de 2026 também não ajudaram, mas falta ao jogador conseguir mais estabilidade com a Amarelinha.
Os caminhos dele e de Ancelotti se cruzaram novamente. Com a chegada do treinador ao comando da Seleção Brasileira, surgiu a esperança de ver um novo Vinicius. Se em 2021 foi o técnico italiano quem fez Vini explodir como jogador no Real Madrid, cabe a ele repetir a dose e fazer o atacante ser tão decisivo e imponente usando a camisa amarela quanto é quando usa a branca.






