
A espera terminou. Zinédine Zidane foi anunciado nesta terça-feira, 28 de julho, como novo treinador da seleção francesa masculina. O campeão mundial de 1998 assinou contrato por quatro anos e comandará a equipe até a Copa do Mundo de 2030.
A nomeação foi aprovada pelo Comitê Executivo da Federação Francesa de Futebol, a FFF. Zidane assume oficialmente o cargo em 1º de agosto e sucede Didier Deschamps, que encerrou um ciclo de 14 anos depois da participação francesa na Copa do Mundo de 2026.
Será o primeiro trabalho de Zidane à frente de uma seleção nacional e seu retorno ao banco de reservas depois de cinco anos. O último cargo do treinador havia sido no Real Madrid, clube que deixou em maio de 2021.
Contrato vai até a Copa de 2030
A Federação Francesa confirmou que Zidane permanecerá no comando durante os próximos quatro anos. O planejamento inclui quatro grandes compromissos:
| Competição | Período |
|---|---|
| Liga das Nações 2026/27 | Primeiro torneio no cargo |
| Eliminatórias da Eurocopa de 2028 | Próximo ciclo classificatório |
| Liga das Nações 2028/29 | Segunda edição sob seu comando |
| Eliminatórias da Copa de 2030 | Principal objetivo do projeto |
A Copa do Mundo de 2030 será disputada principalmente em Espanha, Portugal e Marrocos, com partidas comemorativas também previstas para Argentina, Paraguai e Uruguai.
Zidane será o 18º treinador da França desde Henri Guérin, primeiro técnico da seleção na estrutura moderna iniciada em 1964. A composição de sua comissão técnica será anunciada no começo de setembro.
Zidane diz ter esperado anos pelo cargo
A apresentação ocorreu na sede da Federação Francesa, em Paris. Zidane foi apresentado aos integrantes do Comitê Executivo antes de participar de uma entrevista coletiva ao lado do presidente Philippe Diallo.
O novo treinador afirmou que assumir a seleção representa a realização de um objetivo construído desde sua saída do Real Madrid.
“Passei os últimos anos esperando este dia.”
Zidane explicou que recebeu propostas de clubes durante o período afastado dos gramados, mas decidiu recusá-las porque desejava permanecer disponível para comandar a França. O treinador também agradeceu à federação e destacou o trabalho realizado por Deschamps durante os 14 anos anteriores.
Segundo Zidane, não existe responsabilidade maior em sua carreira do que dirigir a seleção que representou como jogador entre 1994 e 2006.
O francês garantiu estar preparado para o desafio e afirmou que acompanhou diversas partidas nos últimos anos, especialmente os jogos da seleção nacional.
Primeiro jogo será contra a Turquia
A estreia de Zidane acontecerá em 25 de setembro, diante da Turquia, fora de casa, pela primeira rodada da Liga das Nações.
Três dias depois, a França visitará a Bélgica. O primeiro jogo do novo treinador no Stade de France será contra a Itália, em 2 de outubro.
Primeiros compromissos de Zidane
| Data | Partida | Local |
|---|---|---|
| 25 de setembro | Turquia x França | Turquia |
| 28 de setembro | Bélgica x França | Bélgica |
| 2 de outubro | França x Itália | Stade de France |
| 5 de outubro | França x Bélgica | Stade de France |
| 12 de novembro | Itália x França | Itália |
| 15 de novembro | França x Turquia | Bordeaux |
A França está no Grupo A1 da Liga das Nações, ao lado de Itália, Bélgica e Turquia. As quartas de final serão realizadas em março de 2027, caso a equipe avance.
O encontro com a Itália terá um significado especial. Foi contra os italianos que Zidane disputou sua última partida como jogador, na final da Copa do Mundo de 2006.
Ídolo retorna à seleção depois de 20 anos
Zidane encerrou sua trajetória pela França com 108 partidas e 31 gols. O meia foi uma das figuras centrais da geração que transformou a seleção em campeã mundial e europeia.
Na final da Copa de 1998, marcou dois gols de cabeça na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil, no Stade de France. Dois anos depois, foi eleito o melhor jogador da Eurocopa conquistada pelos franceses.
O camisa 10 ainda conduziu a França até a decisão do Mundial de 2006. Sua carreira terminou naquela final, marcada pela expulsão após a cabeçada em Marco Materazzi e pela derrota francesa para a Itália nos pênaltis.
Agora, quase duas décadas depois, Zidane volta à estrutura da seleção em uma função diferente. O antigo líder técnico será responsável por conduzir uma geração formada por jogadores como Kylian Mbappé, Michael Olise, Bradley Barcola, Désiré Doué e Aurélien Tchouaméni.
Retorno encerra cinco anos fora dos bancos
Zidane não comandava uma equipe desde sua saída do Real Madrid, em 2021. Durante o período, seu nome foi relacionado a diferentes clubes, mas nenhuma negociação foi concluída.
O treinador confirmou que permaneceu disponível principalmente por causa da seleção francesa. A possibilidade de substituir Deschamps já era discutida havia vários anos, mas a troca dependia do encerramento do ciclo iniciado em 2012.
De acordo com Philippe Diallo, as conversas mais concretas começaram em fevereiro de 2025. O presidente da FFF afirmou que encontrou em Zidane confiança e conhecimento suficientes para dar continuidade ao período competitivo da seleção.
A contratação já era considerada provável antes do anúncio. Uma pesquisa divulgada na França indicou que 77% dos entrevistados avaliavam positivamente a chegada do ex-jogador ao cargo.
Zidane construiu carreira vencedora no Real Madrid
A experiência de Zidane como treinador está concentrada no Real Madrid. O francês começou como auxiliar de Carlo Ancelotti e depois comandou o Real Madrid Castilla, equipe B do clube espanhol.
Em janeiro de 2016, assumiu o time principal no lugar de Rafael Benítez. O impacto foi imediato.
Zidane tornou-se o primeiro treinador a conquistar três edições consecutivas da Liga dos Campeões, levantando o troféu em 2016, 2017 e 2018.
Principais títulos como treinador
| Competição | Títulos |
|---|---|
| Liga dos Campeões | 3 |
| Campeonato Espanhol | 2 |
| Mundial de Clubes | 2 |
| Supercopa da Europa | 2 |
| Supercopa da Espanha | 2 |
Zidane deixou o clube poucos dias depois da terceira Champions consecutiva, mas retornou em março de 2019. Na segunda passagem, conquistou outro Campeonato Espanhol antes de sair definitivamente em 2021.
O novo treinador indicou que pretende levar para a seleção ideias semelhantes às aplicadas no Real Madrid, embora reconheça as diferenças entre o trabalho diário em um clube e os períodos curtos de preparação no futebol de seleções.
Deschamps encerra ciclo histórico
Zidane substitui o treinador mais longevo da história da seleção francesa.
Didier Deschamps assumiu em 2012 e conduziu a França em 185 partidas, com 120 vitórias. Durante o período, conquistou a Copa do Mundo de 2018 e a Liga das Nações de 2021. Também levou a equipe às finais da Eurocopa de 2016 e da Copa de 2022.
O treinador já havia informado anteriormente que não renovaria seu contrato depois do Mundial de 2026.
Na última competição, a França chegou às semifinais, mas perdeu por 2 a 0 para a Espanha, que posteriormente conquistou o título. A equipe francesa terminou na quarta posição após também ser derrotada pela Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar.
Apesar da despedida sem um novo troféu, Deschamps entregou ao sucessor uma seleção com jogadores jovens e experiência em partidas eliminatórias.
Zidane precisa reorganizar o ataque
Um dos principais desafios do novo treinador será encontrar uma formação que aproveite a quantidade de atacantes disponíveis.
A França possui diferentes jogadores capazes de atuar pelos lados ou pelo centro, como Mbappé, Olise, Barcola e Doué. A utilização simultânea desses nomes poderá aumentar a produção ofensiva, mas também exigirá equilíbrio na recomposição e na proteção do meio-campo.
Durante a Copa de 2026, Deschamps buscou uma formação com quatro jogadores ofensivos em alguns momentos. A equipe, entretanto, apresentou dificuldades para manter intensidade, controlar partidas e transformar a posse em oportunidades claras diante de adversários organizados.
Zidane ficou conhecido no Real Madrid pela capacidade de administrar grandes jogadores e adaptar a equipe às características do elenco. Em vez de utilizar um único sistema, alternava estruturas e funções conforme o adversário.
A expectativa é que faça o mesmo na seleção.
Mbappé será uma das primeiras decisões
A relação com Kylian Mbappé também estará entre os principais assuntos do início do trabalho.
O atacante é o capitão da França e principal referência ofensiva da equipe. Zidane precisará definir se manterá a faixa e como organizará o sistema ao redor do jogador.
Os dois possuem uma relação de admiração pública. Zidane já elogiou a capacidade de decisão de Mbappé, enquanto o atacante sempre tratou o antigo camisa 10 como uma de suas principais referências no futebol.
Além de Mbappé, o treinador deverá conversar individualmente com os líderes do elenco antes de anunciar sua primeira convocação. Zidane afirmou que ainda precisa conhecer o grupo de uma perspectiva diferente, deixando de acompanhá-lo como torcedor para assumir a responsabilidade pelas escolhas.
Comissão técnica será anunciada em setembro
A Federação Francesa ainda não confirmou quem trabalhará com Zidane.
A expectativa é que o treinador convide profissionais que participaram de sua trajetória no Real Madrid. David Bettoni, seu antigo auxiliar, e Hamidou Msaidie, profissional que exerceu diferentes funções no clube espanhol, aparecem entre os nomes mais cotados.
A composição completa será apresentada no começo de setembro, pouco antes da primeira convocação para a Liga das Nações.
Além da comissão direta, Zidane trabalhará com os departamentos de desempenho, análise, preparação física e formação de jogadores mantidos pela federação.
Objetivo principal será a Copa de 2030
A primeira oportunidade de conquistar um título poderá surgir na Liga das Nações de 2026/27. A Eurocopa de 2028, porém, será o primeiro grande torneio do ciclo.
O compromisso mais importante está previsto para 2030. A França pretende chegar à próxima Copa do Mundo com grande parte da atual geração ainda em idade competitiva.
Mbappé terá 31 anos no torneio. Olise estará com 28, Barcola com 27 e Doué com 25. O período oferece a Zidane a oportunidade de desenvolver um projeto com continuidade, sem precisar realizar uma reconstrução completa do elenco.
A missão será transformar essa qualidade individual em uma equipe capaz de conquistar novamente os principais títulos.
Como jogador, Zidane foi responsável por alguns dos momentos mais importantes da história da seleção. Como treinador, assume após uma passagem histórica de Deschamps e encontra um grupo acostumado a chegar às fases finais.
A estreia contra a Turquia, em setembro, marcará o começo de uma nova etapa. Depois de anos aguardando a oportunidade, Zidane finalmente será o responsável por comandar a França.




