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Agronomia de precisão diante da determinação da Fifa na Copa 2026

Engenharia, controle genético e tecnologias de manutenção de solo são soluções que viabilizam campos intactos no maior torneio de futebol do planeta

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
19 de junho de 2026
no Internacional
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A Copa do Mundo de 2026 será marcada pelo número recorde de seleções e pelo desafio inédito de Engenharia e Biotecnologia. Com a proibição do uso de piso sintético nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá, a Fifa determinou uma operação complexa de padronização biológica dos gramados, todos nas dimensões oficiais de 105m x 68m. O sucesso dessa empreitada depende diretamente da Agronomia, ciência essencial para o desenvolvimento de gramas de alta performance, conformidade regulatória e manejo de solos e microclimas.

Diante de condições climáticas extremas, desde o calor intenso de Monterrey e Miami até as baixas temperaturas em regiões do Canadá e dos Estados Unidos, os estádios foram divididos agronomicamente: seis utilizarão variedades de grama de clima quente e dez adotarão espécies de clima frio. Nos locais quentes, predominam variedades de grama Bermuda (Cynodon spp.), como Tahoma 31 e Northbridge, propagadas por mudas e estolões. Já nas regiões frias, o plantio ocorre por semeadura direta, com espécies como a Kentucky bluegrass (Poa pratensis), que oferece alta densidade e resistência ao tráfego intenso.

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A engenheira agrônoma Gisele Herbst, diretora técnica do Crea-SP, destaca:

“Quando olhamos para um gramado de alto rendimento, seja em um estádio de Copa do Mundo ou em um complexo esportivo urbano, estamos vendo o ápice da interseção entre a Engenharia e a Agronomia. A implantação e o manejo dessas superfícies exigem o rigor técnico da ciência e da legislação, pois são projetos complexos que envolvem física do solo avançada, melhoramento genético, nutrição de plantas, manejo fitossanitário e Engenharia hidráulica de irrigação e drenagem.”

O maior desafio está nos oito estádios que tradicionalmente utilizam grama sintética para jogos da NFL ou possuem tetos retráteis, como Vancouver, Los Angeles e Filadélfia. Nessas arenas, a solução encontrada foi o método “Sod on Plastic“, em que o gramado é cultivado sobre lonas plásticas com base de areia. Esse sistema permite que o gramado seja colhido, transportado e instalado intacto nos estádios.

O engenheiro agrônomo Breno Couto explica:

“O Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas), gerido pelo Ministério da Agricultura no Brasil, funciona como o ‘RG’ e o ‘atestado de saúde’ da planta: ele assegura que o produtor é legalizado, que o lote está limpo, saudável e livre de pragas ou contaminações no viveiro. Já a certificação genética internacional é como um ‘teste de DNA’ altamente rigoroso. Ela audita toda a árvore genealógica daquela grama, por meio de vistorias frequentes, para provar que a planta não passou por nenhuma mutação ou alteração ao longo das gerações. É essa pureza biológica idêntica que garante que a bola vai quicar e rolar exatamente da mesma forma, seja no calor do México ou no clima temperado de Vancouver.”

No Brasil, a produção de grama ocupa cerca de 25 mil hectares, mas ainda há poucas variedades esportivas desenvolvidas localmente. A engenheira agrônoma Livia Sancinetti, da Associação Grama Legal, pontua:

“O Brasil possui poucas variedades próprias registradas e desenvolvidas localmente com foco puramente esportivo, o que restringe as opções dos profissionais. A Engenharia Agronômica nacional acaba atuando fortemente na adaptação e no manejo de cultivares importadas.”

Outro fator crítico será o desgaste mecânico acumulado, já que alguns estádios receberão até nove partidas em poucos dias. Breno Couto detalha:

“Aguentar a pisada de 22 atletas profissionais por até nove jogos em um mesmo estádio é um desafio extremo de fadiga vegetal. O tratamento de um gramado desse nível é de altíssima precisão. Usamos iluminação artificial com painéis de LED para garantir a fotossíntese ideal nas áreas sombreadas pelas coberturas das arenas, sistemas de drenagem a vácuo que não apenas sugam a água da chuva, mas também injetam ar diretamente nas raízes para oxigenar o perfil do solo. Além disso, a irrigação automatizada segmentada por setores, baseada no índice de transpiração de cada metro quadrado do campo. Para acelerar a regeneração entre um jogo e outro, o agrônomo precisa dosar milimetricamente bioestimulantes, aminoácidos e fertilizantes.”

Para reforçar áreas de maior desgaste, muitas arenas contarão com gramados híbridos, em que fibras sintéticas são costuradas para ancorar as raízes naturais e evitar a perda de tufos em jogadas intensas.

Essa demanda crescente por profissionais especializados em superfícies esportivas reflete uma tendência global que já influencia o paisagismo corporativo e a gestão ambiental urbana. A presença de engenheiros agrônomos brasileiros em comitês técnicos internacionais e na própria Fifa confirma a relevância mundial da Engenharia nacional. O espetáculo começa muito antes do apito inicial: é desenhado, calculado e cultivado na ciência do solo.

Sobre o Crea-SP – Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia, Geociências, Tecnologia e Design de Interiores. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.

 

Tags: Copa do Mundo 2026Creadestaqueestádios da Copagramado artificial x naturalgramados

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