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Casemiro: da desconfiança no São Paulo à referência e liderança na Seleção

Cercado de dúvidas no começo pelo Tricolor, foi na Europa que o volante encontrou seu caminho e virou um dos melhores da posição.

Leandro Lainetti por Leandro Lainetti
19 de maio de 2026
no Internacional
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Casemiro é homem de confiança de Ancelotti desde o Real Madrid. Foto: Chris Brunskill (Getty Images)

Carlos Henrique José Francisco Venancio Casimiro nasceu em 23 de fevereiro de 1992, em São José dos Campos, e chegou ao São Paulo ainda criança. O próprio clube registra que ele entrou na base tricolor em 2002, aos 11 anos, e foi crescendo em Cotia até virar uma das promessas mais fortes da sua geração. 

A estreia no profissional viria oito anos depois, em 25 de julho de 2010, aos 18 anos, num clássico contra o Santos, na Vila Belmiro.

No São Paulo, Casemiro não teve vida fácil. Entre entradas e saídas do time titular, conviveu com os altos e baixos e com as constantes críticas, não somente da torcida como também de dirigentes do Tricolor.

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Algumas com razão. Na época, ele era visto como um jogador de grande potencial, mas muitas vezes apresentava comportamento errático, desinteressado e rebelde. 

Ainda assim, o talento do jovem volante chamou atenção de um dos principais clubes do mundo, o Real Madrid, que enxergou nele potencial para se destacar na Europa e fez um investimento baixo para os padrões do clube, 7 milhões de euros, mesmo considerando que essa venda tenha sido em 2013, num mercado ainda longe das cifras atuais.

Assim, Casemiro encerrou sua passagem no Morumbi. Foram 111 jogos pelo clube, com 11 gols e a conquista da Copa Sul-Americana de 2012.

Casemiro, cria de Cotia, comemorando gol contra o Santos. Foto: Yasuyoshi Chiba (via Getty Images)

Uma saída sem oposição 

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, celebrou o acordo e julgou como excelentes os valores recebidos. Provavelmente, não acreditava que o meio-campista poderia mudar de postura e se desenvolver da forma adequada. O tempo provou que essa avaliação foi equivocada. 

O São Paulo anunciou oficialmente o empréstimo ao clube espanhol em 31 de janeiro de 2013, com opção de compra ao fim do vínculo, que foi exercida meses depois. 

Não foi uma saída sentida ou com despedida marcante. Casemiro apenas partiu rumo ao Velho Continente deixando a sensação de ser um jovem com grande talento incapaz de alcançar as expectativas criadas pelo clube e torcedores. 

O descobrimento de si mesmo em terras portuguesas

O estrelato no Real Madrid chegou mas, antes, outro passo foi necessário. A primeira temporada na Espanha foi de alternância entre o Castilla, time B do Real, e o elenco principal (algo semelhante ao que Vini Jr viveria anos depois), tanto que Casemiro consta na lista de jogadores merengues que conquistaram a Champions e a Copa do Rei na temporada 13/14. 

Precisando jogar mais, foi emprestado ao Porto no começo da temporada seguinte. Esse período em Portugal foi decisivo porque ali ele ganhou mais do que experiência: veio a oportunidade de mostrar que poderia ter relevância dentro de um grande time no cenário europeu. 

Foi titular absoluto da equipe em todas as competições e ainda marcou um gol nas oitavas de final da Champions League daquele ano. O próprio jogador já declarou que ir para o Porto foi a melhor decisão da carreira dele. 

Casemiro foi grande destaque no Porto. Foto: Site Oficial da UEFA

Num Real de grandes estrelas, o ponto de equilíbrio

O desempenho com a camisa dos Dragões reabriu as portas do Real Madrid, que pagou 7,5 milhões de euros para ter Casemiro de volta, evitando que o Porto o comprasse definitivamente. 

No retorno à capital espanhola, a carreira entrou de vez nos trilhos que o levariam a se transformar em um dos grandes volantes da geração. O camisa 14 foi constantemente elogiado por fazer o trabalho duro e silencioso em um meio-campo que contava com Modric e Kroos, jogadores muito mais conhecidos pelo bom trato com a bola. 

Entre as muitas estrelas, Casemiro virou o ponto de equilíbrio entre o talento e a disciplina. Enquanto os outros davam ritmo e brilhavam, era ele quem segurava os adversários. 

Os números, que são bons, não são capazes de medir a importância dele para o time. 336 jogos, 31 gols e 18 títulos: 5 Champions League, 3 Mundiais de Clubes, 3 Supercopas da UEFA, 3 títulos de La Liga, 1 Copa do Rei e 3 Supercopas da Espanha. 

Quando se despediu, em agosto de 2022, já não era mais o volante que tinha saído do Morumbi sob dúvida. Naquele momento, tratava-se de um dos jogadores mais vitoriosos e respeitados do maior clube do planeta. 

Ao lado de Luka Modric e Toni Kroos, Casemiro formou um dos melhores meio-campo da história da Champions League. Foto: David S. Bustamante/Soccrates (Getty Images)

No lado vermelho de Manchester, caos, entrega e idolatria

A ida para o Manchester United, em agosto de 2022, é um bom exemplo de quem é Casemiro como jogador. Ele gosta dos grandes palcos e desafios.

O United o contratou vindo do Real com vínculo até junho de 2026, na expectativa de levar liderança e equilíbrio para um clube em crise constante. 

Uma mentalidade vencedora poderia ajudar os Diabos Vermelhos a reencontrar o caminho das glórias que estavam desaparecidas e eram velhas lembranças no museu do clube. 

O impacto foi rápido e a contratação se mostrou acertada. Casemiro virou um dos pilares do meio-campo e do time, e teve papel central no título da Copa da Liga de 2023, inclusive marcando na final contra o Newcastle. 

Também fez parte da campanha do título da FA Cup de 2024. Poderia ter conquistado a Europa League sob o comando do errático Ruben Amorim, mas uma carreira não é feita apenas de vitórias, como ele aprendeu desde cedo. 

Casemiro em sua temporada de estreia na Premier League. Foto: Andrew Kearns (Getty Images)

Em janeiro de 2026, quando o clube confirmou que ele sairia ao fim da temporada e no término do contrato, o que se viu foi um jogador ainda deixando tudo de si dentro de campo e caindo cada vez mais nas graças da torcida.

Em fevereiro deste ano, o treinador Michael Carrick disse que o brasileiro vinha sendo crucial, especialmente desde sua chegada ao comando. Com o novo treinador, o United reencontrou o caminho das vitórias e garantiu o retorno à Champions League após duas temporadas de ausência. 

Casemiro foi crucial para que isso acontecesse. Não apenas fez o trabalho ao qual todos estão habituados a vê-lo fazer, mas contribuiu com muitos gols, fazendo dessa a temporada mais artilheira da carreira dele até aqui. 

São 35 jogos e 9 gols na Premier League. Ou seja: já na reta final da passagem por Old Trafford, ele voltou a ser não só o volante que sustenta uma equipe, mas também um jogador decisivo em momentos importantes.

Continuar jogando sim, mas longe da pressão

Depois de anos atuando no mais alto nível do futebol mundial, o volante agora busca seguir a carreira longe da pressão dos grandes centros. Embora nada esteja confirmado, é bastante provável que o jogador tenha como próximo destino o Inter Miami, para se juntar a Lionel Messi e atuar na MLS. 

Se algum dia ele vai voltar ao São Paulo para dar um ponto de certeza numa história que foi cheia de dúvidas, só o tempo vai dizer. 

Certo mesmo é que, como titular, capitão, líder do elenco e homem de confiança de Carlo Ancelotti, Casemiro quer vencer a Copa do Mundo para colocar mais um grande troféu na sua já gloriosa carreira.

Casemiro é um dos pilares da Seleção Brasileira. Foto; Heuler Andrey (Getty Images)
Tags: CasemiroConvocaçãoCopa do MundodestaqueJogadores do BrasilSeleção Brasileira

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