
A decisão do Corinthians de desistir da renovação de Memphis Depay abriu duas novas frentes de preocupação para o clube. Enquanto os departamentos jurídico e financeiro tentam encontrar uma forma de evitar que o holandês cobre a dívida na Fifa, o atacante voltou ao mercado e não descarta permanecer no futebol brasileiro, mesmo que isso signifique vestir a camisa de um rival corintiano.
Nesta quarta-feira (12), dirigentes corintianos têm uma reunião prevista para discutir como apresentar uma proposta de pagamento a Memphis antes que o jogador execute a dívida internacionalmente. O valor principal é estimado em R$ 42 milhões, mas, com juros e correções monetárias calculados até agora, a cobrança pode chegar a aproximadamente R$ 77 milhões.
Corinthians pediu que Memphis não recorresse à Fifa
O pedido foi feito no momento em que o jogador recebeu a informação de que não teria seu contrato renovado.
Segundo o UOL, o Corinthians pediu ao estafe de Memphis que mantivesse as condições que estavam sendo negociadas durante a renovação: abrir mão dos juros e aceitar o pagamento dos R$ 42 milhões em quatro parcelas. O problema é que essa concessão havia sido aceita pelo jogador justamente como parte do acordo para continuar no Parque São Jorge.
Sem o novo contrato, a tendência é que o atacante não mantenha as mesmas condições.
Internamente, dirigentes corintianos já trabalham com a possibilidade de Memphis realizar a cobrança nos próximos dias. O próprio jogador publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que precisará “reagir fortemente” para preservar seus interesses e que não deixará a postura do clube sem consequências.
A situação preocupa porque o Corinthians já convive com problemas financeiros e punições relacionadas a atrasos de pagamentos. Uma nova disputa internacional ampliaria a pressão sobre o caixa e poderia gerar outras consequências esportivas dependendo do andamento do processo.
Memphis Depay deixa o Corinthians
Contrato já estava assinado por Memphis
A irritação do holandês está ligada principalmente ao estágio avançado das negociações.
O UOL revelou que a versão final do novo contrato, prevista para valer até meados de 2028, havia sido aprovada pelos departamentos financeiro, jurídico e de marketing do Corinthians. O documento também já havia sido assinado pelo lado de Memphis antes de Osmar Stabile decidir interromper o negócio.
O acordo previa remuneração reduzida em relação ao primeiro vínculo e uma reformulação das bonificações. Memphis também havia desistido da exigência inicial de três temporadas e aceitado contrato de dois anos, além de parcelar os R$ 42 milhões que tinha a receber.
O Corinthians anunciou oficialmente na terça-feira (11) que não prosseguiria com a renovação. Em comunicado, o clube justificou a decisão pela necessidade de preservar o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade da instituição.
A decisão também teve influência do ambiente político do Parque São Jorge. O UOL apurou que grupos contrários à permanência pressionaram Stabile e que aliados chegaram a cogitar retirar apoio ao presidente caso a renovação fosse concluída.
O DPF já vinha acompanhando essa divisão interna antes do desfecho, mostrando que a permanência era defendida pelo departamento de futebol, enquanto setores políticos do clube resistiam ao investimento.
Memphis abre porta para rivais brasileiros
Enquanto o Corinthians tenta resolver a dívida, Memphis começou a analisar o próximo passo da carreira.
De acordo com o ge, quatro clubes brasileiros da Série A que disputam competições sul-americanas procuraram os representantes do atacante nos últimos meses. Naquele momento, Memphis ainda negociava com o Corinthians e, por respeito ao clube, não avançou nas conversas.
Esse obstáculo deixou de existir.
O jogador agora não vê problema em permanecer no Brasil e tampouco estabeleceu qualquer restrição a defender um rival do Corinthians. O sentimento de Memphis é de que fez concessões importantes para continuar no clube, mas não teve esse esforço reconhecido pela diretoria.
Os quatro interessados brasileiros não foram identificados pelo ge. A reportagem, porém, informa que dois deles já haviam sinalizado positivamente aos valores que Memphis negociava com o Corinthians, o que aumenta a possibilidade de o atacante realmente permanecer no país.
Por enquanto, portanto, não há negociação confirmada com um clube específico, mas os contatos realizados anteriormente devem ser retomados após o fim definitivo das conversas com o Timão.
Europa, México e Oriente Médio também procuraram Memphis
O mercado brasileiro não é a única possibilidade.
Memphis também recebeu sondagens de clubes da França, México, Turquia, Catar e Arábia Saudita, mas nenhum dos projetos apresentados até agora convenceu o atacante.
A preferência é continuar em uma liga competitiva e em um clube que ofereça visibilidade esportiva. Permanecer no Brasil também agrada por questões pessoais e comerciais: Memphis gostou do país, criou uma rede de amizades e desenvolveu projetos fora de campo que pretende manter.
Além disso, ele está livre no mercado, o que elimina a necessidade de qualquer pagamento ao Corinthians pela contratação.
Corinthians pode ter criado problema ainda maior
A decisão de não renovar foi apresentada pelo Corinthians como uma medida de responsabilidade financeira. O problema é que o fim do acordo também retirou uma solução que ajudaria o clube a administrar uma dívida elevada.
Durante as negociações, Memphis aceitava transformar uma cobrança que, corrigida, poderia chegar a R$ 77 milhões em um compromisso de aproximadamente R$ 42 milhões parcelados, abrindo mão de parte importante dos encargos.
Agora, o clube precisará tentar obter uma concessão semelhante sem oferecer ao jogador a contrapartida da renovação.
E a tarefa ficou mais complicada pela maneira como o negócio terminou.
Memphis acusa o Corinthians de romper um compromisso que, segundo ele, já havia sido aprovado pelo presidente e pelos departamentos esportivo, jurídico e financeiro. O atacante promete defender seus interesses, enquanto dirigentes consideram provável uma cobrança na Fifa em curto prazo.
Ao mesmo tempo, o Corinthians precisa lidar com outra possibilidade incômoda: além de ter de pagar dezenas de milhões de reais ao antigo camisa 10, pode vê-lo retornar à Neo Química Arena futuramente vestindo a camisa de um adversário brasileiro.





