
A Federação Italiana de Futebol definiu os responsáveis por tentar reconstruir uma de suas seleções mais tradicionais. Roberto Mancini está de volta ao comando da Itália, enquanto Claudio Ranieri assume como diretor técnico da federação e presidente do Club Italia, estrutura responsável por coordenar as equipes nacionais.
As nomeações foram anunciadas nesta terça-feira, 28 de julho, por Giovanni Malagò, presidente da Federação Italiana, durante uma reunião do Conselho Federal. Mancini e Ranieri serão apresentados oficialmente na quarta-feira, às 18h, na Itália.
A dupla assume depois de um processo marcado por recusas, disputas internas e mudanças repentinas. Paolo Maldini e Leonardo deixaram a federação após a interrupção da negociação com Andrea Pirlo, enquanto Pep Guardiola e Carlo Ancelotti também foram procurados anteriormente.
Como ficará a nova estrutura da Itália
Mancini ficará diretamente responsável pela seleção principal masculina. Ranieri terá uma função mais ampla, participando da definição das diretrizes esportivas e da integração entre as diferentes equipes italianas.
| Profissional | Cargo | Principal responsabilidade |
|---|---|---|
| Roberto Mancini | Técnico da seleção principal | Convocações, preparação e comando da equipe masculina |
| Claudio Ranieri | Diretor técnico e presidente do Club Italia | Coordenar o projeto esportivo das seleções e participar das decisões estratégicas |
| Terceiro dirigente, ainda não anunciado | Área das categorias de base | Acompanhar diretamente as seleções juvenis |
Malagò afirmou que precisava de um diretor técnico com quem pudesse compartilhar a escolha do treinador. Segundo o dirigente, Ranieri aceitou o projeto e participou da decisão de entregar novamente o comando da Azzurra a Mancini.
A federação também pretende anunciar, até o final da semana, uma terceira pessoa para acompanhar especialmente as categorias de base. A ideia é dividir as responsabilidades sem perder a integração entre a seleção principal e as equipes juvenis.
Ranieri terá controle sobre todo o projeto esportivo
O cargo ocupado por Ranieri não corresponde ao de treinador da seleção. Ele será responsável pela supervisão técnica do projeto desenvolvido pela Federação Italiana.
O Club Italia coordena as atividades das seleções nacionais, desde as categorias de formação até a equipe principal. A estrutura procura estabelecer métodos de trabalho comuns, facilitar a transição dos jovens e aproximar os departamentos responsáveis por desempenho, observação e desenvolvimento de jogadores.
Entre as atribuições esperadas para Ranieri estão:
- participar das principais decisões esportivas da federação;
- acompanhar o trabalho de Mancini na seleção principal;
- integrar as seleções juvenis ao projeto da equipe profissional;
- colaborar na escolha de treinadores e responsáveis técnicos;
- estabelecer uma linha de formação para jogadores italianos;
- melhorar a relação entre a federação e os clubes.
A Federação Italiana ainda deverá detalhar a divisão das funções durante a apresentação oficial. Malagò não divulgou os valores ou a duração dos contratos, mas declarou que Mancini e Ranieri demonstraram disponibilidade financeira durante as negociações.

Mancini retorna três anos depois da saída
Roberto Mancini comandou a Itália pela primeira vez entre maio de 2018 e agosto de 2023. Ele assumiu depois de a seleção ficar fora da Copa do Mundo de 2018 e conduziu uma renovação que produziu resultados rápidos.
Seu principal feito foi o título da Eurocopa de 2020, disputada em 2021 por causa da pandemia. A Itália empatou por 1 a 1 com a Inglaterra na final, em Wembley, e venceu por 3 a 2 nos pênaltis.
Durante aquele trabalho, a equipe também estabeleceu um recorde internacional de 37 partidas consecutivas sem derrota. A sequência começou em outubro de 2018 e terminou em outubro de 2021, diante da Espanha.
Mancini disputou 58 partidas em sua primeira passagem. Apesar do título europeu e da longa invencibilidade, não conseguiu classificar a Itália para a Copa do Mundo de 2022.
Saída em 2023 ainda provoca resistência
O retorno não é tratado como uma escolha sem controvérsias. Mancini apresentou sua demissão em agosto de 2023, poucos dias antes de aceitar o comando da seleção da Arábia Saudita.
A Federação Italiana confirmou na época que havia recebido a renúncia do treinador. Duas semanas depois, ele foi anunciado pelos sauditas, movimento que provocou críticas de torcedores, dirigentes e antigos jogadores italianos.
Ao anunciar a volta, Malagò reconheceu que o passado de Mancini foi analisado. O presidente da federação afirmou que as desculpas apresentadas pelo treinador foram importantes para permitir a retomada da relação.
Depois da Arábia Saudita, Mancini trabalhou no Al-Sadd, do Catar. Ele deixou o clube em junho de 2026, apesar de possuir vínculo previsto até 2027, quando seu nome já aparecia novamente entre os candidatos para dirigir a Itália.
Ranieri retorna ao trabalho após deixar a Roma
Claudio Ranieri também havia deixado recentemente uma função no futebol. O treinador encerrou sua passagem pela Roma em abril e estava sem cargo desde então.
Aos 74 anos, Ranieri possui uma carreira construída em clubes como Chelsea, Juventus, Inter de Milão, Atlético de Madrid, Monaco, Valencia e Roma. Seu maior título foi conquistado pelo Leicester, campeão inglês na temporada 2015/16 em uma das campanhas mais surpreendentes da história da Premier League.
Sua experiência em diferentes países e ambientes pesou na decisão da federação. Ranieri é visto como um dirigente capaz de dialogar com treinadores, jogadores e clubes, além de participar de um projeto que não ficará limitado aos resultados imediatos da seleção principal.
Ele já havia recusado o cargo de técnico da Itália em 2025. Na ocasião, preferiu continuar ligado à Roma. Agora, aceitou uma função estratégica, sem a responsabilidade cotidiana de comandar treinamentos e partidas.
Dupla substitui projeto de Maldini e Leonardo
A estrutura formada por Mancini e Ranieri substitui o projeto que estava sendo conduzido por Paolo Maldini e Leonardo.
Maldini havia sido nomeado diretor técnico e presidente do Club Italia em 11 de julho. Leonardo entrou como assessor, com a missão de ajudar na reformulação das seleções.
Os dois escolheram Andrea Pirlo como treinador e chegaram a um entendimento com o ex-meia. A contratação, porém, foi interrompida por Giovanni Malagò depois da repercussão sobre o vínculo comercial de Pirlo com a casa de apostas russa Fonbet.
Malagò assumiu publicamente a responsabilidade por barrar o prosseguimento da candidatura. O presidente classificou a decisão como uma avaliação de oportunidade institucional. Maldini e Leonardo deixaram seus cargos posteriormente.
A passagem de Maldini pela função durou apenas 16 dias. A rápida saída aumentou a pressão sobre Malagò, que precisou encontrar em pouco tempo um novo diretor técnico e um treinador para a seleção.
Pirlo havia sido escolhido, mas perdeu o cargo
Andrea Pirlo era o candidato preferido de Maldini e Leonardo. As partes haviam avançado nas negociações, e Malagò confirmou que existia um acordo antes de interromper o processo.
O vínculo de Pirlo com a Fonbet e sua participação em eventos da companhia na Rússia provocaram críticas políticas na Itália. O treinador afirmou que sua relação com a empresa era exclusivamente comercial e esportiva, sem qualquer posicionamento político.
Mesmo assim, a federação decidiu não prosseguir. Pirlo comunicou publicamente que havia sido informado de sua retirada da disputa e demonstrou insatisfação com a maneira como o caso foi conduzido.
A decisão levou Maldini e Leonardo a considerar que não possuíam a autonomia necessária para comandar o projeto técnico.
Guardiola e Ancelotti também foram procurados
Antes de Pirlo ganhar força, a Federação Italiana havia buscado treinadores de maior projeção internacional.
Pep Guardiola manteve conversas com Maldini e Leonardo, mas preferiu realizar uma pausa depois de deixar o Manchester City. Carlo Ancelotti também foi consultado, mas decidiu permanecer no comando da Seleção Brasileira.
Com as recusas, Pirlo passou a ser o principal candidato. Após o bloqueio de sua contratação e a saída de Maldini, os nomes de Mancini e Antonio Conte voltaram imediatamente à discussão.
Malagò optou por um treinador que conhece a estrutura e já realizou uma reconstrução semelhante depois do fracasso nas Eliminatórias para a Copa de 2018.
Itália tenta reagir após terceiro Mundial perdido
Mancini e Ranieri encontram uma seleção em uma situação ainda mais grave que aquela enfrentada em 2018.
A Itália não participou das Copas do Mundo de:
- 2018, na Rússia;
- 2022, no Catar;
- 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá.
A terceira ausência consecutiva foi confirmada após a derrota para a Bósnia e Herzegovina na repescagem. Gennaro Gattuso deixou o cargo em abril, e a federação iniciou uma reformulação administrativa e esportiva.
A sequência contrasta com a tradição de uma seleção tetracampeã mundial. Antes desse período, a Itália só havia ficado fora da Copa de 1958.
A equipe também caiu para a 15ª posição no ranking da FIFA depois de não disputar o Mundial de 2026.
Primeiro jogo será contra a Bélgica
A segunda passagem de Mancini deverá começar em 25 de setembro, contra a Bélgica, pela Liga das Nações. A partida será disputada em Roma.
O confronto também marcará a estreia de Mark van Bommel no comando belga. Depois, a Itália terá compromissos contra França e Turquia na competição europeia.
Mancini terá menos de dois meses para definir a primeira convocação, formar a comissão técnica e iniciar a preparação do elenco.
A curto prazo, o objetivo será recuperar a competitividade. Em um período mais longo, a missão será preparar a seleção para a Eurocopa de 2028 e, principalmente, garantir a classificação para a Copa do Mundo de 2030.
Reconstrução precisa ir além da seleção principal
A nomeação de Ranieri mostra que a federação reconhece que os problemas da Itália não podem ser resolvidos apenas com a troca do treinador.
O país enfrenta discussões sobre o espaço concedido aos jovens nos clubes, a formação de atacantes, a transição das categorias inferiores e a dificuldade para transformar bons resultados na base em jogadores preparados para a seleção principal.
A FIGC lançou em 2026 um projeto de coordenação do futebol juvenil, aproximando o Setor Técnico, o Setor Juvenil e Escolar e o Club Italia. A nova administração deverá decidir como esse programa será incorporado ao trabalho de Ranieri.
A função do diretor técnico será justamente impedir que cada categoria trabalhe de forma isolada. Ranieri deverá estabelecer uma linha comum e acompanhar o desenvolvimento dos atletas até a chegada à equipe principal.
Uma escolha segura depois de semanas de instabilidade
As nomeações de Mancini e Ranieri encerram, pelo menos temporariamente, uma sequência de incertezas na Federação Italiana.
Mancini conhece o ambiente, parte do elenco e as pressões existentes em torno da seleção. Ranieri oferece experiência, capacidade de diálogo e conhecimento do futebol italiano.
Ao mesmo tempo, a dupla precisará superar questionamentos. Mancini ainda carrega o desgaste provocado por sua saída em 2023, enquanto Ranieri assume um projeto que perdeu Maldini e Leonardo poucos dias depois de sua apresentação.
A Itália aposta em dois dos treinadores mais experientes de sua história recente para evitar que a crise se prolongue. Mancini cuidará da recuperação imediata dentro de campo. Ranieri terá a responsabilidade mais ampla: reorganizar o caminho que liga as categorias de base à seleção principal.





